O quanto as cidades são seguras para mulheres?

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Estava em uma conversa em um aplicativo de mensagens (aquele mesmo que quase todos usam) quando surgiu o assunto sobre uma rua bem famosa daqui. E eu disse que não me sentia segura ao andar por ela. Que tinha uma percepção de insegurança. E a resposta foi que seria talvez uma visão pessoal. Como sei que a visão (e experiência) das mulheres sobre o que é uma cidade segura pode ser diferente das visões masculinas, fui pesquisar a respeito em artigos acadêmicos e governamentais recentes para entender mais sobre a realidade. É mesmo percepção pessoal. Ou.... Pesquisa do Instituto Patrícia Galvão em parceria com o Instituto Locomotiva, divulgada em setembro de 2024, mostrou um dado alarmante: que 97% das brasileiras sentem medo de sofrer violência quando se deslocam pela cidade. A mesma pesquisa aponta que 71% das mulheres já sofreram algum tipo de violência durante seus deslocamentos urbanos. Entre mulheres negras e LBT, os índices sobem ainda mais.  Isso não é sensação isolada. Se per...

Enganando a morte - ou a força da argumentação

Como assim, enganar a morte? Talvez desejo de muitos de nós, senão a maioria, mas algo que só se consegue na imaginação. É o que fui ver em deliciosa palestra da amiga professora Ana Maria Dischinger Marshall em outro Almoço Clio, revisitando contos de vários locais do planeta que contam como os personagens tentaram passar a morte para trás.

 

O dia não poderia ser mais apropriado para mergulhar nessa dualidade vida e morte. Almoço agendado um mês atrás, recebo a noticia da visita de uma tia querida que vem nos ver após a perda do pai, seu irmão. Dois corações. 

Meu lado sentimento me chama para ficar. Meu lado renovação de vida minha me chama para sair. Eu versus outros. Resolvo dar uma chance à vida. Minha vida. De certa maneira me sinto também "engambelando" a morte. Aquela que nos faz não viver em vida.

Das histórias que começam pelo Oriente, passando pelos contos de Ricardo Azevedo, pelos contos do Tirol e do México, vemos que o poder da argumentação aliado ao não enfrentamento direto, faz com que a Morte, esse personagem simbólico e temido, se apiede do infeliz mortal e caia na sua conversa, abreviando a sua partida, nem que seja por momentos. E cá entre nós, ganhar momentos de vida, a verdadeira, vale por anos de vida não vivida.

Aprendi também que "o importante é cuidar da vida" e que na sabedoria milenar "a fala cala a morte". Da dualidade em que me encontrava ao entrar no almoço, saí mais renascida pelo poder da literatura e do saber dizer (e ouvir) transformar o mundo. Senão todo o mundo, pelo menos o nosso particular. O que já ajuda bastante.

Gastronomia dos chefs Leonardo Magni e Liliana Andriola, da Mandarinier.
Cardápio
Entrada
Creme de feijão branco com ragú de coração de galinha
Prato principal
Risoto de arroz negro, com cogumelos, cubos de presunto e molho vermelho picante
Sobremesa
Devil's cake

Fotos: Elenara Stein Leitão

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