Arquitetura, longevidade e o afeto como tecnologia

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Minha jornada é feita de arquitetura, escritas, buscas de pesquisadora e o ato de comunicar. Tudo junto. Amalgamado. São essas as moradas onde habito e onde meus sentimentos criam raízes.   Entre plantas baixas, livros, encontros intergeracionais e projetos coletivos, fui encontrando um eixo comum: o afeto como tecnologia humana. Esta percepção sustenta meu trabalho e define minha atuação entre a técnica e a escuta, entre os espaços e a cidade que temos e os que precisamos construir. Fundamentos Técnicos e o Olhar para o Futuro Sou arquiteta formada pela UFRGS (1982), com especialização em Engenharia de Produção focada na construção civil pela mesma instituição (1998). Esta base técnica me permite atuar com precisão na criação de ambientes seguros, onde o desenho arquitetônico serve como suporte para a autonomia ao longo da vida.  Minha prática profissional hoje é dedicada à pesquisa em gerontoarquitetura e ao conceito de aging in place, a capacidade de viver em sua própr...

Enganando a morte - ou a força da argumentação

Como assim, enganar a morte? Talvez desejo de muitos de nós, senão a maioria, mas algo que só se consegue na imaginação. É o que fui ver em deliciosa palestra da amiga professora Ana Maria Dischinger Marshall em outro Almoço Clio, revisitando contos de vários locais do planeta que contam como os personagens tentaram passar a morte para trás.

 

O dia não poderia ser mais apropriado para mergulhar nessa dualidade vida e morte. Almoço agendado um mês atrás, recebo a noticia da visita de uma tia querida que vem nos ver após a perda do pai, seu irmão. Dois corações. 

Meu lado sentimento me chama para ficar. Meu lado renovação de vida minha me chama para sair. Eu versus outros. Resolvo dar uma chance à vida. Minha vida. De certa maneira me sinto também "engambelando" a morte. Aquela que nos faz não viver em vida.

Das histórias que começam pelo Oriente, passando pelos contos de Ricardo Azevedo, pelos contos do Tirol e do México, vemos que o poder da argumentação aliado ao não enfrentamento direto, faz com que a Morte, esse personagem simbólico e temido, se apiede do infeliz mortal e caia na sua conversa, abreviando a sua partida, nem que seja por momentos. E cá entre nós, ganhar momentos de vida, a verdadeira, vale por anos de vida não vivida.

Aprendi também que "o importante é cuidar da vida" e que na sabedoria milenar "a fala cala a morte". Da dualidade em que me encontrava ao entrar no almoço, saí mais renascida pelo poder da literatura e do saber dizer (e ouvir) transformar o mundo. Senão todo o mundo, pelo menos o nosso particular. O que já ajuda bastante.

Gastronomia dos chefs Leonardo Magni e Liliana Andriola, da Mandarinier.
Cardápio
Entrada
Creme de feijão branco com ragú de coração de galinha
Prato principal
Risoto de arroz negro, com cogumelos, cubos de presunto e molho vermelho picante
Sobremesa
Devil's cake

Fotos: Elenara Stein Leitão

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