Quando o clima muda, quem cuida de quem envelhece?

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Gosto de caminhar pelas ruas de minha cidade. Moro há 50 anos nesta Porto que já foi mais alegre. Envelheci caminhando pelas lombas e ruas que eram corredores verdes, luta de quem subia em árvores e das pessoas que se reuniam aos vizinhos para lutar pelo seu entorno. A cidade também envelheceu. As concepções urbanas de conquistas ambientais meio que se perdem na memória dos transeuntes apressados. Dizer um bom dia já causa mais espanto que sorrisos. Todos correm na cidade que acumula poças de água em dias de chuva cada vez mais frequentes. E podas cada vez mais catastróficas. Temo imaginar como será no verão.  Pelo que leio dos verões em outros hemisférios, há cada vez mais ondas extremas. Fico imaginando onde encontrar sombras, cada vez mais escassas. Assim como bancos públicos, sem falar das calçadas com seus  desníveis conhecidos, aqueles que a gente aprende a evitar depois de alguns tropeços. Imagine os novos. Aqueles consertos de empresas, meio mal feitos, que logo são de...

Festa Junina em tempos de isolamento social

São João, quadrilhas, fogueiras, quantas belas recordações de infância! Beijos na quermesse, sorte dos namorados, quentão, pipoca e pé de moleque. 
Bandeiras!!!
E gente!!!
Muita gente!!
Mas em tempos de isolamento social, onde quem se preocupa com a comunidade entende a importância de se proteger e aos outros nesses momentos, como comemorar as festas juninas sem o contato físico???
Em primeiro lugar quem sabe pensando na origem da festa? O Santo que batizou Jesus e acabou enredado sem cabeça pelas danças de Salomé é reverenciado com muita alegria. Devia ser boa gente o cara que nasceu de uma mãe que tanto ansiava por um filho e só o teve em tempos tardios.

Mas se formos olhar com lupa a história, veremos que na verdade as festas de solstício de verão no hemisfério norte eram de origem pagã e saudavam a fertilidade. E festa de fertilidade, meus caros, tem fogueira, vinho e cantos bacantes. E muito amor!

Não a toa a paleta de cores resultante das comemorações é muito quente. Os tons terrosos, luminosos e ardentes predominam. Festas juninas não combinam com moderação.


Então, primeira dica: vamos procurar o que temos nesses tons em casa. 2020 é o ano de criar e reciclar mais que nunca! Tecidos, retalhos, revistas (eu fazia bandeiras de anúncios de revistas coloridas quando era pequena), qualquer coisa colorida que ajude a enfeitar a casa. 

Enfeitar a casa para quem? Para quem mora nela. Se temos o privilégio de estar com pessoas amadas, façamos a festa com elas. Se estamos sós, façamos a festa online. Com bandeiras e pipocas, ora bolas!

As festas existem para comemorar. Comemoremos a vida, a nossa salutar vontade de que tudo acabe bem para a maioria das pessoas. É o que pessoas de bem fazem. Se preocupam com a comunidade. 

Mais vale um prazer compartilhado, mesmo que postergado, do que um momentâneo que possa colocar alguém em risco.

Vamos ter muitas festas juninas pela frente!

Então na de 2020 vamos brincar de forma solidária. Em casa, de preferência.


Outra maneira bacana de comemorar as festas juninas é exercitando a criação: desenhos, montagens, crônicas e contos sobre as lembranças e os desejos que as festas nos proporcionam ou proporcionaram. Um exemplo abaixo de como elementos do imaginário popular podem compor uma bela estampa.


Prá dançar quadria no sertão é mais mió
sanfoneiro e violeiro tomam conta do forró
não precisa orquestra pra animar a festa
o fungado da sanfona vai-se até o nascer do sol - 
Luiz Gonzaga



Uma boa festança para você que sabe que comemorar pode ser uma experiência solitária também!!!

Se cuide e cuide dos demais!! São João agradece e abençoa. 

Imagens: Google e Pinterest

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