Quando o clima muda, quem cuida de quem envelhece?

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Gosto de caminhar pelas ruas de minha cidade. Moro há 50 anos nesta Porto que já foi mais alegre. Envelheci caminhando pelas lombas e ruas que eram corredores verdes, luta de quem subia em árvores e das pessoas que se reuniam aos vizinhos para lutar pelo seu entorno. A cidade também envelheceu. As concepções urbanas de conquistas ambientais meio que se perdem na memória dos transeuntes apressados. Dizer um bom dia já causa mais espanto que sorrisos. Todos correm na cidade que acumula poças de água em dias de chuva cada vez mais frequentes. E podas cada vez mais catastróficas. Temo imaginar como será no verão.  Pelo que leio dos verões em outros hemisférios, há cada vez mais ondas extremas. Fico imaginando onde encontrar sombras, cada vez mais escassas. Assim como bancos públicos, sem falar das calçadas com seus  desníveis conhecidos, aqueles que a gente aprende a evitar depois de alguns tropeços. Imagine os novos. Aqueles consertos de empresas, meio mal feitos, que logo são de...

Leonardo da Vinci e o foco no que se faz

Leonardo, aquele rapaz de Vinci na Itália que se tornou célebre pela Mona Lisa e pelo homem vitruviano, entre outras coisinhas que criou e projetou em sua vida. Obviamente que estou sendo levemente irônica ao fazer esta descrição de uma pessoa que pode ser considerado um gênio ou um grande construtor de si mesmo, já que autodidata e profundo pesquisador das coisas que despertavam seu interesse. E não é que, participante de mais um instigante almoço Clio, me dou conta que pouco sabia de sua história?    

O único livro que tinha sobre ele era de uma coleção sobre homens que mudaram o modo de pensar da humanidade. Não lembro quando eu comprei nem onde porque, ao contrário da maioria dos meus livros, não sublinhei nada e não coloquei datas. Mas as páginas meio caídas do livro revelam que li e reli bastante. Por que entre Einstein, Chaplin, Freud, Picasso, Buda, Marx, Nietzsche, Gandhi, Darwin, Maquiavel e Jung que lhe faziam companhia na coleção, escolhi justo ele? Uma porque, com exceção de Darwin, Nietzsche,Picasso e Marx, os outros já me tinham merecido uma leitura maior. Outra talvez pela imagem icônica do homem vitruviano e pela sua capacidade inventiva numa época em que eu já estava na graduação de arquitetura.


Nessa mesma época comecei a ler Fritjof Capra (sim, começo a lembrar da época, tipo final dos anos 70, começo dos 80 até o final). Foram anos de intensa leitura e buscas. Dois assuntos me focavam, fora os livros técnicos de arquitetura: Psicologia e a união do pensamento oriental com o ocidental. Mas nada muito aprofundado porque sou dessas de ter vários interesses e começar muito. Finalizar é que me custa mais.


Instigada pelas dicas de leitura do Professor Francisco Marshall, palestrante do almoço Clio, não resisti e voltei ao Fritjof Capra, agora com foco na Ciência e Alma de Leonardo da Vinci.

Ainda estou na leitura inicial então não vou me aprofundar sobre sua vida. Vou ressaltar algo que me chamou a atenção sobre o que o fazia diferenciado e precursor do que hoje chamamos de pensamento sistêmico e holístico.

Segundo o Capra, há um conjunto de atributos mentais que caracterizam pessoas consideradas geniais, além do obvio talento para alguma coisa. E que seriam atributos de Leonardo.

  • Intensa curiosidade 
  • grande entusiasmo pela descoberta e entendimento
  • Capacidade de se manter profundamente concentrado por longos períodos de tempo
  • habilidade para memorizar consistentemente grande quantidade de informações  

E aí chegamos ao nó de nossos dias. Nós, pobres mortais, que não somos gênios ou excepcionalmente brilhantes não só somos encharcados com um número imenso de informações diariamente como conjugamos esforços repetidos para comportamentos que nos tiram a atenção em algo para conseguir atenção para nós. É o que fazemos nas redes sociais e na navegação na web. Pessoas mais antigas como eu, que conviveram com o mundo antes da rede, sabem a diferença que isso custa em se aprofundar sobre qualquer assunto. 

Por isso achei bastante interessante esse TED Talk curtinho onde o ator Joseph Gordon-Levitt fala sobre uma sensação que traz muita satisfação pessoal e incrementa a criatividade: o ato de prestar atenção.


E fazendo um loop do TED para Leonardo, penso que um homem, vivendo na transição dos anos 1400 para 1500, sem uma educação formal, conseguiu se aprofundar em conhecimentos, retratar isso em imagens altamente elaboradas que foram fruto de horas e horas de pensamento focado e pesquisa incessante, não descansando enquanto não achava o seu ponto ideal. Às vezes nunca o achando, mas pegando suas observações e transformando em projetos altamente elaborados em imagens que nos fascinam até hoje. Essa mente fervilhante teria conseguido tal realização se parasse de tempos em tempos para causar em redes sociais? 

Sei que é uma analogia meio sem sentido e que as mentes brilhantes de hoje continuam a fervilhar. Talvez um pouco mais segmentadas e esquecendo uma visão mais global de análise do todo e não apenas das partes.

Talvez tenhamos que parar um pouco e prestar atenção. 

   
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