Quando o clima muda, quem cuida de quem envelhece?

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Gosto de caminhar pelas ruas de minha cidade. Moro há 50 anos nesta Porto que já foi mais alegre. Envelheci caminhando pelas lombas e ruas que eram corredores verdes, luta de quem subia em árvores e das pessoas que se reuniam aos vizinhos para lutar pelo seu entorno. A cidade também envelheceu. As concepções urbanas de conquistas ambientais meio que se perdem na memória dos transeuntes apressados. Dizer um bom dia já causa mais espanto que sorrisos. Todos correm na cidade que acumula poças de água em dias de chuva cada vez mais frequentes. E podas cada vez mais catastróficas. Temo imaginar como será no verão.  Pelo que leio dos verões em outros hemisférios, há cada vez mais ondas extremas. Fico imaginando onde encontrar sombras, cada vez mais escassas. Assim como bancos públicos, sem falar das calçadas com seus  desníveis conhecidos, aqueles que a gente aprende a evitar depois de alguns tropeços. Imagine os novos. Aqueles consertos de empresas, meio mal feitos, que logo são de...

Quero morar nos seus desenhos - Técnicas de ilustração à mão de livre

"Quero morar nos seus desenhos" foi o que o arquiteto Eduardo Bajzek recebeu como elogio em redes sociais pelas suas plantas humanizadas. Plantas humanizadas é como chamamos aqueles desenhos cheios de vida que mostram móveis e plantas e fazem com que as pessoas leigas reconheçam o tamanho dos espaços. É um elogio maravilhoso que significa que os desenhos chegaram à pessoa e ela conseguiu se sentir dentro deles. Desenho é nossa forma de expressão, é como nós, arquitetos e de demais profissionais da área, mostramos nossas ideias e nossos projetos.

Nem todos nascem com talento especial para essa forma de expressão gráfica. Mas para nossa sorte, desenhar se aprende. Existem técnicas, materiais e exercícios que fazem com que não apenas percamos o medo de traçar linhas, mas que cheguemos ao domínio de técnicas que vão nos auxiliar, e muito, na nossa profissão. É o que vamos ver (e aprender) no excelente livro Técnicas de ilustração à mão de livre. 

Ricamente ilustrado, o meu livro  veio com uma bolsa de pano para carregar para aulas práticas. Lhes digo que é o livro que adoraria ter lido quando comecei a faculdade de arquitetura.

Acho que já contei aqui que entrei sem saber nada de perspectivas na graduação. Gostava de desenhar, copiava muito dos livros desde pequena, mas eram traços livres, sem técnica e sem a mínima noção de profundidade. Fui atrás de livros que me ensinassem como se fazia aquilo que vi em uma cadeira de introdução à arquitetura, onde tínhamos que desenhar uma cidade. Não existia a facilidade da internet e a busca era feita em bibliotecas físicas. Se eu tivesse um livro assim, 
que me desse o Beabá da coisa, de maneira tão amigável e reunida,minha vida de estudante seria muita mais facilitada.


O livro começa pelos FUNDAMENTOS, falando sobre o traçado básico, aquele risco inicial que devemos deixar de temer e suas variantes no desenho. Passa pelos planos e suas sombras, como mostrar superfícies  e trabalhar com texturas, representar sólidos, seus volumes e cortes.

Passa para as GALERIA DE TÉCNICAS I com a exposição das ferramentas e técnicas, passando pelo grafite, borrachas e o seu uso. 


Chegamos à PLANTA BAIXA e suas representações passo a passo, inclusive com exemplos de como trabalhar os desenhos feitos em CAD. Tenho percebido uma atenção frequente com o desenho à mão livre para apresentações, até para diferenciar do acúmulo do uso da computação gráfica.


Na GALERIA DE TÉCNICAS II aprofunda-se  as ferramentas mais usadas, como canetas e marcadores.

Continua pela ELEVAÇÃO e como representa-la em um desenho para realçar sua vida através de sombras, realçando seus planos e usando vegetação. E vamos para mais GALERIA DE TÉCNICAS III, desta vez usando lápis de cor e sempre com dicas de marcas e como melhor aproveita-las.


A PERSPECTIVA ! Aprender a fazer uma perspectiva a mão livre é um dos momentos mais incríveis do aprimoramento do ato de desenhar. Não apenas porque representa uma ideia, mas porque une nosso cérebro criador à materialização na mente de um cliente ou uma pessoa leiga. E não tem mistérios, mas sim técnicas. E trabalho. E passa para mais GALERIA DE TÉCNICAS IV, falando das Aquarelas. O DESENHO DE VEGETAÇÃO é lembrado e revelado através de vários exemplos de como representar arbustos, árvores e palmeiras.

Por fim o DESENHO URBANO com suas técnicas e estimulando a um dos exercícios que considero mais pertinentes à profissão do arquiteto, o desenho de observação, aquele que se faz no dia a dia, nas viagens, nos aprendizados do espaço sendo usado pelas pessoas. Já falei também sobre Urban sketchers e suas abordagens AQUI.

Um livro para ter a mão, ler, reler, levar em viagem, mergulhar e aproveitar. E sim, Eduardo Bajkek, não apenas gostei do livro, como super recomendo.




Técnicas de ilustração à mão livre: Do ambiente construído à paisagem urbana Eduardo Bajzek

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