Comunicação pública, acessibilidade e cidadania: quando as escolhas falam mais alto

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Vivemos tempos curiosos. Nunca produzimos tanta informação e, ainda assim, milhões de pessoas seguem excluídas de decisões que afetam diretamente suas vidas. Muitas vezes a barreira não está na falta de acesso à internet ou aos meios de comunicação. Ela se encontra muitas vezes na linguagem, na complexidade desnecessária, na distância criada entre quem comunica e quem precisa compreender. Foi com essa reflexão que participei, como assessora de acessibilidade, do 1º Congresso Gaúcho de Comunicação Pública, realizado em Porto Alegre. Promovido pela Dominus Consultoria e Capacitação em parceria com a Estratégia de Comunicação & Copy Sawitzki Inovação e Experiência Humana, o evento reuniu profissionais, gestores públicos, pesquisadores e especialistas para discutir temas que hoje ocupam lugar central na vida democrática. Ao longo do dia, palestrantes como Sandra Bitencourt, Maria José Finatto, Rodrigo Abella, Soraia Hanna, Daniela Machado, Leandro Rolim e Gustavo Ferenci compartilhar...

Notre Dame em chamas

Não bastassem os horrores nacionais, os descasos com a cultura, o incêndio no Museu Nacional, tento passar umas horas longe da web e quando me reconecto leio sobre algo inimaginável: Notre Dame em chamas.

Em Paris. Na Europa. Notre Dame em chamas. Vejo na Tv e custo a acreditar que estou vendo a história queimar nas minhas vistas. Me sinto como cada pessoa que  vejo na tela da tev, assistindo, impotente, em silêncio, séculos de história ruirem. 

 Esquecendo o fato de ser arquiteta, de saber o valor cultural, me sinto como cada pessoa que já entrou em Notre Dame, independente de crenças, não importando se acreditavam em uma nossa senhora mas que sempre foram sensíveis à história e ao trabalho humano que foge à compreensão lógica.
Aprendi a amar a França com o meu pai. Ele que ensinou minha irmã a cantar a Marselhesa em francês, ele que tinha uma bibliografia imensa sobre a Revolução Francesa, ele que me fez sentir uma emoção especial quando percorria as ruas de Paris. Ele que choraria comigo nesse momento. 

Quando entrei em Notre Dame, décadas atrás, havia uma missa. O espaço imenso, a fé em forma de energia, a magia do templo me acompanham até hoje. É como se as imagens fossem claras e vivídas na minha mente.

Notre Dame em chamas. Para quem cresceu  com a cultura européia, para quem cresceu com a ideia de liberdade francesa, para quem aprendeu a cultuar a cultura, ouvir que nada vai restar da Catedral de Notre Dame faz deste um dia muito triste.

A arquiteta entende racionalmente o que significa. A pessoa sente na alma a dor.

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