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14 ideias para nos inspirar para a festa de Páscoa

Desde pequena o fascínio da Páscoa faz parte de minhas memórias de festas prediletas. As pinturas nas cascas dos ovos que iam sendo recheados daquela mistureba de amendoim e açúcar queimado, os ninhos feitos de caixas de sapatos que eram enfeitados com tiras de papel celofane e muitas folhas de revistas (sim, a gente era campeão de reciclagem e reaproveitamento quando isso ainda não tinha nome especial).

"Coelhinho da Páscoa
Que trazes pra mim?

Um ovo, dois ovos, três ovos assim
Um ovo, dois ovos, três ovos assim"


Nos dias anteriores aos domingos de Páscoa, a gente corria para o páteo de D. Miriam, nossa vizinha. Naqueles tempos os pátios eram ligados e a gurizada transitava livre por entre as casas, cozinhas e guloseimas das tias, que eram chamadas de donas e não de tias. Era uma farra descobrir os ninhos escondidos entre flores e plantas. Quem descobrisse, levava o seu. 

Não tinham ovos gigantescos. Os que haviam eram de açúcar. Um coisa meio dura que era bonita de olhar, mas desconfio que fosse dura para comer porque não lembro o gosto. Chocolate tinha, nas barras e nos coelhos. Nada muito grande, mas satisfaziam um certo gosto sádico de ir comendo aos poucos. Começo pela cabeça ou pelo rabo, era uma dúvida frequente, quando a gente nem desconfiava que, mais tarde, iriamos maliciar e usar em outros contextos. Naqueles dias éramos todos inocentes. Quase todos.

Parecia que não havia tanta diferença entre ninhos ricos e pobres. Parecia só porque obvio que devia haver. Soube mais tarde que tinham uns ovos feito joias, ricamente fabricados por artesãos para a família de um imperador que foi destronado e morto algum tempo depois. Fabergé é o nome do criador desses ovos lindos de ver, mas muito sem graça se a gente imaginar a alegria de saborear. E aquilo era para ser visto, não para ser comido. Vai ver que esse tipo de excentricidade colaborou para que fosse tirado do poder por uma população faminta. Melhor seria ter dado ovos de verdade para mais gente, né? Mas fica a beleza e o exemplo que alguns seguem até hoje de privilegiar o fausto ao invés da brincadeira de brincar com a vida.

Entre simplicidade e ostentação, fico com a primeira, afinal a Páscoa é festa de abundância de fertilidade, ideia que sempre fascinou os homens desde que criaram sociedades. A primavera no hemisfério norte simbolizava o reinício da floração, da vida que renasce após o longo inverno. Nada mais natural que fosse saudada com festas, algumas bem apimentadas. E não estou falando de chocolate com pimenta. Pessoas se reuniam ao redor de fogueiras, em torno de deuses e deixavam acontecer todas as suas paixões e desejos. Uma espécie de carnaval sem limites onde se uniam sementes e geravam mais vidas. Inclusive os filhos nascidos a partir dessas festas, eram considerados sagrados.  

A tradição judaico cristã nos legou uma festa de libertação e de ressurreição. O simbolismo do ovo perdurou e hoje nos dedicamos a festejar, enfeitar e presentear com mimos que nos lembrem que bem ou mal, a vida continua. E que muitas vezes depois de muita escuridão, a luz volta a brilhar.

Fiquemos então com 14 ideias para nos inspirar para nossa festa de Páscoa!

 1- Ovinhos trabalhados com palavras e decorados com delicados adornos que lembram nossas avós.
fabergé limited
 2- Ovos adornos que vão fazer a festa no Catar.
 3- Árvores com frutas e ovos relembrando a fartura a ser brindada.
4- Guirlandas de ovos em uma delicada e harmoniosa construção 
5- Reaproveitamento de embalagens com pinturas especiais guardam plantas e lembram a primavera (aqui outono, mas quem não sente um frescor primaveril na Pascoa? )
 6- Um detalhe sutil, delicado e elegante apenas lembra a festa. Se for em casa com crianças ou animais, é conveniente que sejam ovos de enfeite, não quebráveis. 
 7- O estar à mesa com amigos e parentes faz da Pàscoa uma confraternização querida. 
 8- Ovos de codorna com flores e velas lembram vida e delicadeza, uma combinação sempre certeira.
 9- Explosão de alegria nas cores que enfeitam caixas em árvores estilizadas nos jardins.
 10- Os animais que representam a festa: pintinhos que podem ser representados por ovos pintados (e não, pelo amor de tudo o que é sagrado, por animais vivos que acabam sendo abandonados depois da festa)
 11- O coelhinho é lembrado pelo seu alimento predileto, a cenoura, em um arranjo em tudo criativo.
 12- Criatividade nas pinturas dos ovos que serão recheados. Uma das minhas melhores lembranças da infância.
13- A árvore também símbolo da vida e da perenidade e força, pode ser simbolizada em um gracioso enfeite de mesa.
 14- Um gracioso coelho verde, completamente coadunado com a tendência dos movimentos de valorização da natureza.

Gostaram? Conta aí como vocês comemoram a Páscoa?

Veja mais ideias para Páscoa AQUI



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