Quando o clima muda, quem cuida de quem envelhece?

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Gosto de caminhar pelas ruas de minha cidade. Moro há 50 anos nesta Porto que já foi mais alegre. Envelheci caminhando pelas lombas e ruas que eram corredores verdes, luta de quem subia em árvores e das pessoas que se reuniam aos vizinhos para lutar pelo seu entorno. A cidade também envelheceu. As concepções urbanas de conquistas ambientais meio que se perdem na memória dos transeuntes apressados. Dizer um bom dia já causa mais espanto que sorrisos. Todos correm na cidade que acumula poças de água em dias de chuva cada vez mais frequentes. E podas cada vez mais catastróficas. Temo imaginar como será no verão.  Pelo que leio dos verões em outros hemisférios, há cada vez mais ondas extremas. Fico imaginando onde encontrar sombras, cada vez mais escassas. Assim como bancos públicos, sem falar das calçadas com seus  desníveis conhecidos, aqueles que a gente aprende a evitar depois de alguns tropeços. Imagine os novos. Aqueles consertos de empresas, meio mal feitos, que logo são de...

As pedras falam e podem ser portais de poesia em Porto Alegre

Tão bom participar de um momento de celebração de sua cidade de uma forma inusitada. E encantadora!

Quando eu vi o tema falando de pedras e com tema de interesse ligado à geologia, o que me chamou a atenção foi o título: as pedras falam.

Como arquiteta estou acostumada a lidar com vários tipos de pedras. E sou conhecedora de seus valores simbólicos. Mas confesso que fui surpreendida com uma visão tão poética que me senti transportada a outro universo, algo muito necessário nos nossos dias tão carentes de sutilezas.

Já falei aqui das experiências culturais gastronômicas no Studio Clio. Porém poucas vezes fui recebida com tanta demonstração de genuína alegria e gratidão pela presença. Começou aqui o encantamento do casal Emília e Tomohiro Ehara. Ele japonês, ela brasileira, são ceramistas no Atelier Ko e vieram nos mostrar resultados de suas descobertas sobre locais de onde vieram as pedras que formam nossa cidade, seus monumentos, seus prédios icônicos.  
interior da cripta da Catedral Metropolitana de Porto Alegre
As dificuldades da língua tornaram a palestra mais peculiar. Mas o que realmente me impactou foram mais que os dados de pedreiras ou os locais dos monumentos feitos com elas, mas a visão diferenciada de quem vem de tão longe e acha belezas no que eu já inseri como normal.

E mostrar outros lados da vida é lição de mestres. Nos fazer parar e rever conceitos sobre escolhas e maneiras de ver a realidade. As manchas das pedras, coisa que ele desconhecia no Japão, lhe sendo ensinada como fato normal aqui no Brasil. E ele indo além da aceitação e visualizando formas nas manchas que vão me fazer olhar o granito de forma completamente diferente de hoje em diante.
Mineralogia óptica
Tivemos a oportunidade de ver o granito em potentes microscópios. A imagem acima foi o mais próximo que achei para dar uma ideia. Imaginem essas formas em movimento, quase como se fosse um caleidoscópio. 
cerâmica do Atelier Ko
Uma maneira muito simpática de homenagear Porto Alegre, revelando faces diferentes e cheias de sutileza. Complementadas pela simpatia e sabedoria de outras culturas. E aliado ao excelente almoço temático com gastronomia de Carine Tigre.

Entrada: Tortéi crocante com molho agrião
Principal: Peito granito compactado com aipim e farofa de erva mate
Sobremesa: Torta de bolacha

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