Renomear a arquitetura: quando a teoria precisa olhar para a vida

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Há livros de arquitetura que nos ajudam a entender melhor projetos e/ou a trajetória de um profissioal. Há outros que ajudam a entender melhor a própria arquitetura.  Renomear a arquitetura em sua evolução técnica, formal e ética (Editora Olhares) , do  renomado arquiteto catalão Josep Maria Montaner, pertence à segunda categoria. Fazia um tempo que um livro de teoria não me pegava tanto para a leitura e reflexão. Um dos motivos é que, depois de tantos anos trabalhando com arquitetura, uma questão continua me acompanhando desde sempre: para quem estamos projetando? A pergunta parece simples. Talvez até óbvia. Mas basta lançar um olhar mais crítico para nossas cidades, nossas casas e nossos edifícios para perceber que esta pergunta ainda está longe de ser respondida de maneira satisfatória. Quem circula por esses espaços? Quem consegue permanecer neles? Quem é considerado quando uma calçada é desenhada, quando uma moradia é planejada, quando se define a altura de uma banca...

Usando grão de café usado para abastecer uma casa com energia

Amo tomar café. Foi um hábito que adquiri na faculdade de arquitetura, entre noites insones e rádios barulhentas para me manter acordada. Foi consolidado assim que comecei meus estágios, naqueles momentos sagrados de parar, tomar um folego e recomeçar. Entre eles quem? O cafezinho amigo!

Também comecei a me preocupar com o meio ambiente muito cedo. Tive pais que me ensinaram a não desperdiçar nada, e não apenas por economia, mas para que a sociedade em geral não fosse prejudicada.

Sim, fui uma privilegiada. Tive pais que não apenas me ensinaram hábitos de leitura como me educaram para pensar na sociedade e não apenas no meu próprio umbigo (obrigada Pai e Mãe!)

Também sou admiradora da livre iniciativa, embora muitas pessoas confundam meu desejo de maior igualdade social e inclusão respeitosa como comunismo. Deve ser falta de aprimoramento em pesquisa para saber o que significa um e outro. Então os desculpo. 

Dito isso, digo também que achei bem inteligente esta proposta de uma empresa de unir seu produto café com a pesquisa de criar um biocombustível ecológico a partir de grãos de café usados e gerar assim energia limpa para abastecer uma casa projetada para mostrar esta tecnologia. E obviamente fazer propaganda para a marca. Propaganda inteligente, diria eu.

É o que fez a Dunkin 'Donuts com esta pequena casa abastecida com um biocombustível feito com 80% de óleo extraído da borra do café.


O projeto em si não me chama muito a atenção. Existem várias propostas de casas móveis bem pequenas que me parecem bem mais interessantes do ponto de vista arquitetônico. O que realmente me chamou a atenção foi o reaproveitamento de um produto bastante usado (inclusive por mim) e que normalmente é desperdiçado no lixo.
Segundo o site da empresa, eles fizeram uma parceria com uma empresa bioquímica, para fazer o biocombustível.

As etapas seguida são:

  • Extração do excesso de oleosidade no pó de café usado.
  • Mistura dos óleos extraídos com um álcool para produção do biodiesel e glicerina como subproduto.
  • Refino  
 O exterior da pequena casa transportável foi projetado para lembrar a marca tanto nos materiais utilizados como na forma que segundo eles, lembraria uma xícara de café.
O interior traz todos os confortos de uma casa principalmente com recantos para degustar um delicioso café. As cores usadas remetem à marca.

Faça um passeio pela casa AQUI 

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