Renomear a arquitetura: quando a teoria precisa olhar para a vida

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Há livros de arquitetura que nos ajudam a entender melhor projetos e/ou a trajetória de um profissioal. Há outros que ajudam a entender melhor a própria arquitetura.  Renomear a arquitetura em sua evolução técnica, formal e ética (Editora Olhares) , do  renomado arquiteto catalão Josep Maria Montaner, pertence à segunda categoria. Fazia um tempo que um livro de teoria não me pegava tanto para a leitura e reflexão. Um dos motivos é que, depois de tantos anos trabalhando com arquitetura, uma questão continua me acompanhando desde sempre: para quem estamos projetando? A pergunta parece simples. Talvez até óbvia. Mas basta lançar um olhar mais crítico para nossas cidades, nossas casas e nossos edifícios para perceber que esta pergunta ainda está longe de ser respondida de maneira satisfatória. Quem circula por esses espaços? Quem consegue permanecer neles? Quem é considerado quando uma calçada é desenhada, quando uma moradia é planejada, quando se define a altura de uma banca...

Gaia, uma casa impressa em 3D com terra


A tecnologia tanto pode nos ajudar como nos prejudicar. Basta dar uma rápida pesquisada nas falas sobre IA que abundam a internet. A vida é muito mais complexa que nossos conceitos morais de bem e mal. Assim, me permito um olhar mais generoso sobre uma tecnologia que eu julguei que fosse estourar mais em termos de uso doméstico, mas que vem tendo interessantes usos na arquitetura. Aqui vejo um desses casos: Gaia, um projeto do WASP  de fazer uma casa de 100 m2 impressa em 3D com lama e materiais residuais de arroz. 

A casinha redonda com aparência de construção de tempos bem mais antigos, com impacto ambiental praticamente nulo, não precisa de aquecimento artificial e mantem um conforto térmico em todas as épocas do ano.
O lodo foi parte de um composto que também levou palha e casca de arroz e cal hidraulica.



Para recobrir o teto foi usada madeira e o isolamento foi feito em calcário e palha. 

As paredes de 40 cm contribuem para um bom conforto interno nesta construção rápida (10 dias), sendo que o custo dos materiais das paredes é de cerca de € 900.


Um experimento interessante que pode auxiliar em habitações mais sustentáveis e de emergência usando materiais baratos e com um bom resultado. 

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