Quando o clima muda, quem cuida de quem envelhece?

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Gosto de caminhar pelas ruas de minha cidade. Moro há 50 anos nesta Porto que já foi mais alegre. Envelheci caminhando pelas lombas e ruas que eram corredores verdes, luta de quem subia em árvores e das pessoas que se reuniam aos vizinhos para lutar pelo seu entorno. A cidade também envelheceu. As concepções urbanas de conquistas ambientais meio que se perdem na memória dos transeuntes apressados. Dizer um bom dia já causa mais espanto que sorrisos. Todos correm na cidade que acumula poças de água em dias de chuva cada vez mais frequentes. E podas cada vez mais catastróficas. Temo imaginar como será no verão.  Pelo que leio dos verões em outros hemisférios, há cada vez mais ondas extremas. Fico imaginando onde encontrar sombras, cada vez mais escassas. Assim como bancos públicos, sem falar das calçadas com seus  desníveis conhecidos, aqueles que a gente aprende a evitar depois de alguns tropeços. Imagine os novos. Aqueles consertos de empresas, meio mal feitos, que logo são de...

Quem ainda lê blogs?

Falando por falar eis-me aqui, já tarde da noite, tentando fazer algo já tão ultrapassado nesses dias que correm:
ESCREVER.
Não apenas escrever em vez de gravar um vídeo ou postar uma imagem, mas escrever em um blog. 
Quem ainda lê blogs?  
As palavras ainda tem lugar nos tempos de agora? Mergulhar na leitura demanda tempo, demanda foco, demanda domínio da linguagem e da compreensão de textos.
E demanda também aprofundamento por parte de quem escreve para que o que saí da mente possa ter alguma relevância.

Há técnicas para caçar palavras chaves e a escrita acaba sendo mais dirigida aos robôs do Google que ao coração e mente do leitor. E mais do que nunca me lembro da frase que aprendi no mestrado da Engenharia de Produção: diga-me como me medes e te direi como produzo. 

 Quem ainda me lê, procura o quê? Informação sem dúvida, mas estará também interessado em saber o que pensa e sente essa pessoa que tecla? 
O que sentimos ao ler as frases de tantos arquitetos? Conseguimos vislumbrar o tanto de suas criações também pelo que falavam?
 Existe vida saudável na troca informal de inquietações? Pensar e falar a arquitetura não será também discursar no vazio que precede o concreto?

 Ao pensar uma nova alternativa para um problema de espaço, seja macro ou seja micro, também falamos de poesia, falamos de vida real, falamos de uma narrativa de proposições que não se perdem na imensidão do instante. Arquitetura perdura.
 Se alguém ainda me lê que me perdoe a falta de entusiasmo. Os tempos andam bicudos. Talvez a inquietação esteja dentro das pessoas e caiba aos arquitetos adaptar seus discursos aos novos tempos.

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