Nem nos sonhos as cidades são seguras para as mulheres

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  Por que o urbanismo ainda ignora o corpo feminino? Às vezes os sonhos, mesmo que sejam pesadelos, são mais honestos do que qualquer relatório técnico. Relatei um desses que tive onde estava sozinha tendo que caminhar ao anoitecer no centro de minha cidade. Ainda haviam pessoas no sonho, mas a sensação de medo era palpável.  O inconsciente nos revela várias camadas adormecidas por meio dos sonhos. A gente acorda pensando naquilo. Sentindo as emoções daquilo. Sabendo que são insights simbólicos, alguns claros, outros escondidos. Como tudo na mente da gente. Essa diabinha que não para de se expandir. E de exigir atenção, feito criança birrenta. Espaços externos x espaços internos. Primeiro literais que sonho de arquiteta é repleto de detalhes espaciais. Chega a cansar de tanta coisa. Tem até escada inacessível que deixa a gente indignada até no sonho! E ele não te poupa da realidade. E quando tenta analisar aquele pesadelo, observa que na lista de recados simbólicos, a gente lê...

Quem ainda lê blogs?

Falando por falar eis-me aqui, já tarde da noite, tentando fazer algo já tão ultrapassado nesses dias que correm:
ESCREVER.
Não apenas escrever em vez de gravar um vídeo ou postar uma imagem, mas escrever em um blog. 
Quem ainda lê blogs?  
As palavras ainda tem lugar nos tempos de agora? Mergulhar na leitura demanda tempo, demanda foco, demanda domínio da linguagem e da compreensão de textos.
E demanda também aprofundamento por parte de quem escreve para que o que saí da mente possa ter alguma relevância.

Há técnicas para caçar palavras chaves e a escrita acaba sendo mais dirigida aos robôs do Google que ao coração e mente do leitor. E mais do que nunca me lembro da frase que aprendi no mestrado da Engenharia de Produção: diga-me como me medes e te direi como produzo. 

 Quem ainda me lê, procura o quê? Informação sem dúvida, mas estará também interessado em saber o que pensa e sente essa pessoa que tecla? 
O que sentimos ao ler as frases de tantos arquitetos? Conseguimos vislumbrar o tanto de suas criações também pelo que falavam?
 Existe vida saudável na troca informal de inquietações? Pensar e falar a arquitetura não será também discursar no vazio que precede o concreto?

 Ao pensar uma nova alternativa para um problema de espaço, seja macro ou seja micro, também falamos de poesia, falamos de vida real, falamos de uma narrativa de proposições que não se perdem na imensidão do instante. Arquitetura perdura.
 Se alguém ainda me lê que me perdoe a falta de entusiasmo. Os tempos andam bicudos. Talvez a inquietação esteja dentro das pessoas e caiba aos arquitetos adaptar seus discursos aos novos tempos.

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