Blog da Arquiteta Elenara Stein Leitão que, desde 2004, fala sobre arquitetura, urbanismo, interiores e design abordando assuntos ligados à sustentabilidade e uma concepção de espaços que conciliem bom gosto, funcionalidade e aconchego com um toque humano.
Gosto de caminhar pelas ruas de minha cidade. Moro há 50 anos nesta Porto que já foi mais alegre. Envelheci caminhando pelas lombas e ruas que eram corredores verdes, luta de quem subia em árvores e das pessoas que se reuniam aos vizinhos para lutar pelo seu entorno. A cidade também envelheceu. As concepções urbanas de conquistas ambientais meio que se perdem na memória dos transeuntes apressados. Dizer um bom dia já causa mais espanto que sorrisos. Todos correm na cidade que acumula poças de água em dias de chuva cada vez mais frequentes. E podas cada vez mais catastróficas. Temo imaginar como será no verão. Pelo que leio dos verões em outros hemisférios, há cada vez mais ondas extremas. Fico imaginando onde encontrar sombras, cada vez mais escassas. Assim como bancos públicos, sem falar das calçadas com seus desníveis conhecidos, aqueles que a gente aprende a evitar depois de alguns tropeços. Imagine os novos. Aqueles consertos de empresas, meio mal feitos, que logo são de...
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Co-lares ( Co-Housing) - antídoto para o isolamento
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Com o aumento da expectativa de vida e com o crescente individualismo de nossas sociedades vemos que os idosos em especial acabam tendo que optar por locais de acolhimento, um eufemismo para os asilos de velhos, ou se tornando um peso para as novas gerações que tentam desesperadamente sobreviver. O aparato de gastos que um idoso e seus cuidados com a saúde acarretam fazem com que muitos adultos mais próximos da maturidade pensem em alternativas mais saudáveis e mais prazerosas de vida. E a pergunta que se fazem é: quem sabe compartilhar nossas vidas com amigos? Uma das opções que ganha cada vez mais simpatizantes são as Co-housing ou abrasileirando as Co-lares.
As comunidades de Cohousing são bairros intencionais e colaborativos criados com um pouco de engenhosidade. Eles reúnem o valor das casas particulares com os benefícios de uma vida mais sustentável. Isso significa que os residentes participam ativamente do design e operação de seus bairros e compartilham facilidades comuns e boas conexões com os vizinhos. Em suma, representam respostas inovadoras e sustentáveis para os problemas ambientais e sociais de hoje (cohousing.org)
Acima o link para um vídeo com vários esclarecimentos sobre o conceito de co-lares e suas experiências no Brasil.
Tenho notado que muitas pessoas demonstram interesse mas a implementação de uma convivência compartilhada é um processo que vai além da empolgação inicial. Não basta comprar um terreno, reunir pessoas e fazer (em conjunto) um belo projeto arquitetônico observando requisitos de sustentabilidade. É preciso uma mentalidade que vai além da que estamos mais acostumados. Por tudo o que leio e vejo, o CO das palavras tanto em inglês como português, exprimindo compartilhar, coexistir, cooperar, deve ser entendido e assimilado pelas pessoas que se propõem a tal experiência.
Para nós arquitetos, é um desafio fascinante. Afinal a Arquitetura é um dos requisitos fundamentais apontados nas experiências que já existem, seja em forma de bairros e/ou conjuntos de casas planejados em conjunto com as pessoas que ali vão morar, seja em habitações multifamiliares, edifícios, também planejados visando a convivência e o compartilhamento, não apenas de espaços, mas principalmente de convívio mutuo.
Não por acaso isso é salientado no vídeo abaixo, onde uma arquiteta conta sua experiência de vida em uma co-housing multi-geração (ou seja, onde convivem pessoas de todas as idades). Um edifício que é aparentemente igual aos outros mas que tem uma área de convívio central, na forma de um espaço aberto, um poço de ventilação igual ao que temos em vários de nossos prédios. Mas ao invés de servir a uma habitação ou estar fechado, é uma praça que se une a um espaço de refeição comunitária. E o se reunir para comer em conjunto é muito salientado no vídeo como fator agregador. Ou seja, o espaço arquitetônico pensado na função de unir e não de isolar.
Abaixo várias postagens do blog onde já falamos sobre experiências de habitação com propostas de compartilhamento com variadas propostas. Sugiro especial atenção à segunda que conta uma experiência holandesa que vem desde a época de 70 com sucesso.
Essa casa super simpática me lembrou de imediato duas referências: Uma, os edificios em Atenas que ficavam perto do meu hotel. Todos tinham imensas floreiras que fazia com que ficassem tão simpáticos! Mas olhando com mais foco, me veio a segunda referência. Na verdade as fachadas da frente e fundos são como segundas peles, floreiras que criam um micro clima super agradável no interior do prédio. Justo como a casa do colega Oscar Muller. Eu juro que tenho fotos no computador, mas não consegui acha-las para colocar aqui. A dele é uma casa de vila e, na parte dos fundos, tem uma cortina de metal onde as plantas, em geral trepadeiras, se mesclam e criam um efeito super interessante. Não achei mais referências sobre esse projeto no site e não sei o autor do projeto e nem como é feita a manutenção das floreiras. Em algumas se tem alcance por dentro da casa, em outras me pareceu um pouco complicado, mas o conceito é super bom. PS: O Elcio no comentário abaixo deixou o link com ...
DIREITO À PAISAGEM Adeli Sell “O belo é o esplendor da ordem” - Aristóteles Os campos, as montanhas, as colônias são lugares abertos, há poucos obstáculos feitos pela mão humana; logo, quando falamos de DIREITO À PAISAGEM, estamos falando de cidades, de espaços construídos, obstruídos, que mudaram a paisagem original. Por isso temos que falar do DIREITO À CIDADE. É uma relação sujeito-objeto. O mundo e os seres humanos se afetam mutuamente. DIREITO Á CIDADE O Direito à Cidade é um direito difuso e coletivo, de natureza indivisível, de que são titulares os habitantes da cidade, as gerações presentes e futuras. É o direito de habitar, de usar, de participar da produção de cidades justas, inclusivas, democráticas e sustentáveis. Alguns falam de cidades inteligentes, pois estas teriam o condão de serem efetivamente mais justas. É na Lei n° 10.257, de 10 de julho de 2001 que temos a Regulamentação dos artigos 182 e 183 da Constituição Federal, estabelecendo diretrizes gerais da po...
Como é o processo projetual de um/a Arquiteto/a? Difícil de mensurar. Me lembro quando estava no mestrado, tinha gente pesquisando os tais processos de qualidade. Para mim, mensurar quantitativamente o processo de projetar, na época, me parecia surreal. Já escrevi aqui um chamado sobre "Como você projeta? " onde expliquei mais ou menos como funciona o meu processo. E agora achei um guia rápido falando sobre isso nesse site , descrevendo exatamente o Processo de Projetar. Vale a visita para visualizar a quantidade de material gerado por um projeto. Vamos passear por ele? Passo 1: Entrevista e discussões iniciais Esse passo é fundamental. Na minha experiência profissional já posso até dizer quando um projeto vai dar certo ou não. É preciso empatia com o proprietário. Não, não se precisa pensar igual, nem quer dizer que vamos ficar amigões, mas é preciso uma cumplicidade e empatia para atingir um objetivo comum. E, fundamental, é a eta...
Como arquiteta, tenho uma certa implicância com a ideia de que minha profissão seja apontada como algo que começa, e as vezes termina, essencialmente na estética. Talvez porque, depois de tantos anos de prática, trabalhando com espaços internos e externos, e as pessoas que ali vivem e circulam, tenha ficado cada vez mais evidente para mim que uma porta, uma escada, uma calçada ou uma janela podem interferir muito mais na vida de alguém do que aquilo que aparece nas fotografias dos projetos. Quando falamos de envelhecimento, isso fica ainda mais evidente. A realidade nos mostra que o Brasil está envelhecendo rapidamente. Aquela pirâmide etária que aprendemos a desenhar nos livros de geografia já não representa o país que temos. E ainda estamos tentando entender o que isso significa para as nossas casas, para as nossas cidades e para o sistema de saúde. Eu costumo pensar que há uma pergunta simples por trás de tudo isso: onde queremos envelhecer? A resposta da maioria das p...
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