Blog da Arquiteta Elenara Stein Leitão que, desde 2004, fala sobre arquitetura, urbanismo, interiores e design abordando assuntos ligados à sustentabilidade e uma concepção de espaços que conciliem bom gosto, funcionalidade e aconchego com um toque humano.
Estava em uma conversa em um aplicativo de mensagens (aquele mesmo que quase todos usam) quando surgiu o assunto sobre uma rua bem famosa daqui. E eu disse que não me sentia segura ao andar por ela. Que tinha uma percepção de insegurança. E a resposta foi que seria talvez uma visão pessoal. Como sei que a visão (e experiência) das mulheres sobre o que é uma cidade segura pode ser diferente das visões masculinas, fui pesquisar a respeito em artigos acadêmicos e governamentais recentes para entender mais sobre a realidade. É mesmo percepção pessoal. Ou.... Pesquisa do Instituto Patrícia Galvão em parceria com o Instituto Locomotiva, divulgada em setembro de 2024, mostrou um dado alarmante: que 97% das brasileiras sentem medo de sofrer violência quando se deslocam pela cidade. A mesma pesquisa aponta que 71% das mulheres já sofreram algum tipo de violência durante seus deslocamentos urbanos. Entre mulheres negras e LBT, os índices sobem ainda mais. Isso não é sensação isolada. Se per...
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Co-lares ( Co-Housing) - antídoto para o isolamento
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Com o aumento da expectativa de vida e com o crescente individualismo de nossas sociedades vemos que os idosos em especial acabam tendo que optar por locais de acolhimento, um eufemismo para os asilos de velhos, ou se tornando um peso para as novas gerações que tentam desesperadamente sobreviver. O aparato de gastos que um idoso e seus cuidados com a saúde acarretam fazem com que muitos adultos mais próximos da maturidade pensem em alternativas mais saudáveis e mais prazerosas de vida. E a pergunta que se fazem é: quem sabe compartilhar nossas vidas com amigos? Uma das opções que ganha cada vez mais simpatizantes são as Co-housing ou abrasileirando as Co-lares.
As comunidades de Cohousing são bairros intencionais e colaborativos criados com um pouco de engenhosidade. Eles reúnem o valor das casas particulares com os benefícios de uma vida mais sustentável. Isso significa que os residentes participam ativamente do design e operação de seus bairros e compartilham facilidades comuns e boas conexões com os vizinhos. Em suma, representam respostas inovadoras e sustentáveis para os problemas ambientais e sociais de hoje (cohousing.org)
Acima o link para um vídeo com vários esclarecimentos sobre o conceito de co-lares e suas experiências no Brasil.
Tenho notado que muitas pessoas demonstram interesse mas a implementação de uma convivência compartilhada é um processo que vai além da empolgação inicial. Não basta comprar um terreno, reunir pessoas e fazer (em conjunto) um belo projeto arquitetônico observando requisitos de sustentabilidade. É preciso uma mentalidade que vai além da que estamos mais acostumados. Por tudo o que leio e vejo, o CO das palavras tanto em inglês como português, exprimindo compartilhar, coexistir, cooperar, deve ser entendido e assimilado pelas pessoas que se propõem a tal experiência.
Para nós arquitetos, é um desafio fascinante. Afinal a Arquitetura é um dos requisitos fundamentais apontados nas experiências que já existem, seja em forma de bairros e/ou conjuntos de casas planejados em conjunto com as pessoas que ali vão morar, seja em habitações multifamiliares, edifícios, também planejados visando a convivência e o compartilhamento, não apenas de espaços, mas principalmente de convívio mutuo.
Não por acaso isso é salientado no vídeo abaixo, onde uma arquiteta conta sua experiência de vida em uma co-housing multi-geração (ou seja, onde convivem pessoas de todas as idades). Um edifício que é aparentemente igual aos outros mas que tem uma área de convívio central, na forma de um espaço aberto, um poço de ventilação igual ao que temos em vários de nossos prédios. Mas ao invés de servir a uma habitação ou estar fechado, é uma praça que se une a um espaço de refeição comunitária. E o se reunir para comer em conjunto é muito salientado no vídeo como fator agregador. Ou seja, o espaço arquitetônico pensado na função de unir e não de isolar.
Abaixo várias postagens do blog onde já falamos sobre experiências de habitação com propostas de compartilhamento com variadas propostas. Sugiro especial atenção à segunda que conta uma experiência holandesa que vem desde a época de 70 com sucesso.
Essa casa super simpática me lembrou de imediato duas referências: Uma, os edificios em Atenas que ficavam perto do meu hotel. Todos tinham imensas floreiras que fazia com que ficassem tão simpáticos! Mas olhando com mais foco, me veio a segunda referência. Na verdade as fachadas da frente e fundos são como segundas peles, floreiras que criam um micro clima super agradável no interior do prédio. Justo como a casa do colega Oscar Muller. Eu juro que tenho fotos no computador, mas não consegui acha-las para colocar aqui. A dele é uma casa de vila e, na parte dos fundos, tem uma cortina de metal onde as plantas, em geral trepadeiras, se mesclam e criam um efeito super interessante. Não achei mais referências sobre esse projeto no site e não sei o autor do projeto e nem como é feita a manutenção das floreiras. Em algumas se tem alcance por dentro da casa, em outras me pareceu um pouco complicado, mas o conceito é super bom. PS: O Elcio no comentário abaixo deixou o link com ...
Como é o processo projetual de um/a Arquiteto/a? Difícil de mensurar. Me lembro quando estava no mestrado, tinha gente pesquisando os tais processos de qualidade. Para mim, mensurar quantitativamente o processo de projetar, na época, me parecia surreal. Já escrevi aqui um chamado sobre "Como você projeta? " onde expliquei mais ou menos como funciona o meu processo. E agora achei um guia rápido falando sobre isso nesse site , descrevendo exatamente o Processo de Projetar. Vale a visita para visualizar a quantidade de material gerado por um projeto. Vamos passear por ele? Passo 1: Entrevista e discussões iniciais Esse passo é fundamental. Na minha experiência profissional já posso até dizer quando um projeto vai dar certo ou não. É preciso empatia com o proprietário. Não, não se precisa pensar igual, nem quer dizer que vamos ficar amigões, mas é preciso uma cumplicidade e empatia para atingir um objetivo comum. E, fundamental, é a eta...
Arquitetura....sonho dourado de muitos jovens que sonham com um futuro glamouroso e cheio de notas na conta bancária. Mas será realmente assim? Veja algumas razões de porque NÃO fazer arquitetura. 1- Principal motivo: DINHEIRO. Para os que visam a recompensa financeira em primeiro lugar: Arquitetura não é uma mina de ouro. Esqueça os figurões que vê na mídia com escritórios em Miami e Paris. Eles são a minoria da minoria. A grande maioria dos colegas arquitetos está ralando em seus escritórios ou em escritórios alheios. E ainda faz bico no fim de semana. 2- Recompensa intelectual : Tudo bem, não vou ganhar rios de dinheiro, mas vou ser reconhecido como uma pessoa criativa e maravilhosa que vive para ajudar os outros. Sim! Ajudar os amigos, parentes e conhecidos dando palpites de como eles podem arrumar suas casas e espaços. Palpite não é projeto , lembre. Sem contar que fica horas pesquisando para achar soluções interessantes e vem alguém e copia. E leva as glórias. 3- Saúde ...
Das casas onde vivi, umas onze pelo que lembro, guardo algumas na memória de maneira mais vívida. A primeira que me lembro é a única que não existe mais. Não tenho recordações em fotos, apenas algumas com nesgas de imagens. Ela mora mesmo é dentro de mim. Anos atrás fiz uma planta rascunhada de memória. Não tem escala, vejam bem, eu tinha dois anos quando fui morar ali. Saí com seis. Mas os espaços são claros em minha lembrança. Era uma casa grande. O dono, pois era alugada, era um médico alemão, o projeto era limpo e devia seguir os padrões da época. Ficava no cimo de um morro. Isso, por si só, já lhe conferia uma certa majestade. Seu muro alto, mas que não a escondia, era cheio de uma força vigorosa, mas transparente. Para entrar, se subia por uma escada curva. Não existia acessibilidade naquela época. Eram os anos 60. A vida vibrava em ousadias em algum lugar do planeta. Não ainda na pequena cidade onde eu morava. Ali tudo ainda era vivido com magia e encantamento. Na ent...
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