O espaço que envelhece com você: o que a arquitetura tem a ver com os seus próximos 30 anos

Imagem
Imaginemos uma manhã comum em qualquer cidade por aí: alguém acorda, vai ao banheiro no escuro, tropeça no batente que nunca incomodou tanto antes, segura a parede porque não há barra de apoio, e pensa que está ficando velho. Não está. Está vivendo num espaço que nunca foi pensado para o corpo que ele tem hoje. Esse é o ponto que me interessa. Envelhecer todos (os que tiverem sorte) vão. Mas até que ponto a arquitetura ignora estes processos? As projeções nos dizem que o Brasil vai ter 58 milhões de pessoas com mais de 60 anos em 2060. E o que estamos construindo para receber esse contingente? Apartamentos com corredores de 80 centímetros. Banheiros onde dois adultos mal conseguem se virar. Entradas sem rampas. Calçadas que parecem ter sido projetadas para testar equilíbrio. A cidade, como eu costumo repetir por aqui, nunca te viu. E a maioria dos lares também não. "Aging in place" não é um conceito de design escandinavo importado para Instagram. É o direito de permanecer no ...

Dicionário da Arquitetura Brasileira de Corona e Lemos

Em um ano em que participei de várias iniciativas relacionadas à edição de livros, uma delas me deixa particularmente honrada: ser uma das apoiadoras da reedição do Dicionário da Arquitetura Brasileira que foi lançado inicialmente em 1973 (um depois de ter entrado para a Faculdade de Arquitetura). A obra pioneira na área, de autoria de Carlos Lemos e Eduardo Corona, foi resgatada pela Romano Guerra Editora em uma campanha de crowdfunding*. 

São 512 páginas com os mais variados verbetes sobre a Arquitetura Brasileira. Entre eles termos regionais e do dia a dia de quem milita a profissão.

Nele podemos saber que pé-de-moleque, além do doce, é também um calçamento de rua, geralmente de seixos rolados. E que torçado é a verga da porta. E ainda que o zimbório é a parte mais alta e exterior da cúpula de um edifício.   

Mas não é apenas de curiosidades que é feito um dicionário. Mesmo em épocas de pesquisa digital, é importante ter um local onde procurar os termos usados, sejam regionais, sejam nacionais. E aprender também com eles sobre a história da nossa arquitetura e do afazer construtivo. Assim como nomes de materiais utilizados, especialmente as variadas espécies de madeira da nossa flora.

O prefácio é delicioso de ler e cita as retificações feitas pelos autores, com várias colaborações. A mais famosa é sobre a origem do nome cobogó, objeto tão usado em nossa cultura arquitetônica modernista (e mesmo a mais recente). E consta desta edição, a carta de Geraldo Gomes da Silva à Carlos Lemos com a correta definição e origem.

Sabemos a utilidade de um dicionário: ser um valioso ajudante de pequisa com credibilidade. Já sei que o meu vai me acompanhar ao lado da mesa de trabalho e vai me render boas descobertas! 

CRÉDITOS DA CAMPANHA: Silvana Romano Santos e Abilio Guerra / Romano Guerra Editora
André Scarpa, Helena Guerra e Caio Guerra / produtores da campanha
Irmãos Guerra Filmes / vídeos e animações

Dicionário da Arquitetura Brasileira - Corona & Lemos - Encontra AQUI 

Gostou? Compartilhe em suas redes sociais 
Nos siga também nos outros canais

snapchat: arqsteinleitao 

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Cortina verde na fachada

10 motivos para NÃO fazer arquitetura

Arte com resíduos no canteiro de obras - Mestres da Obra

Calungas, a representação da escala nos desenhos