Quando o clima muda, quem cuida de quem envelhece?

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Gosto de caminhar pelas ruas de minha cidade. Moro há 50 anos nesta Porto que já foi mais alegre. Envelheci caminhando pelas lombas e ruas que eram corredores verdes, luta de quem subia em árvores e das pessoas que se reuniam aos vizinhos para lutar pelo seu entorno. A cidade também envelheceu. As concepções urbanas de conquistas ambientais meio que se perdem na memória dos transeuntes apressados. Dizer um bom dia já causa mais espanto que sorrisos. Todos correm na cidade que acumula poças de água em dias de chuva cada vez mais frequentes. E podas cada vez mais catastróficas. Temo imaginar como será no verão.  Pelo que leio dos verões em outros hemisférios, há cada vez mais ondas extremas. Fico imaginando onde encontrar sombras, cada vez mais escassas. Assim como bancos públicos, sem falar das calçadas com seus  desníveis conhecidos, aqueles que a gente aprende a evitar depois de alguns tropeços. Imagine os novos. Aqueles consertos de empresas, meio mal feitos, que logo são de...

Arquitetando ideias

Joaquim Cardozo
Quando nem o nome parece único, é complicado falar de arquitetar ideias. Será possível se criar ainda algo novo, ou vamos viver de "inspirações" e tendências que nos levam à ambientes belos, mas cada vez mais iguais. Parecem únicos, mas se repetem como fórmulas de bolo. 

Os estilos se repetem e quando um industrial toma conta do gosto popular, pululam paredes de tijolos. Tijolos fakes, tijolos adesivos, tijolos pintados e até de verdade! Os móveis esquecem as linhas retas de combinação de madeiras e cor e usam e abusam de ferro. Todos com a mesma estante. Parecem diferentes. Mas todas iguais.

Antes eram as paredes cinzas. Antes ainda eram banheiros escuros. Cada época, uma receita. Cada dia menos poesia. Menos diferenças. 
“Arquitetura do Cais”, de Matheus Torres
Mas e se fosse poetar? Se largasse de mão os modismos e as imagens que bombam, seria lá muito diferente?  O que cada um de nós quer de fato para nossas casas? Elas são feitas para nós? Ou para mostrar um modo de ser e ganhar curtidas dos amigos. 

Talvez os anos passando, talvez os tempos de hoje, talvez um talvez bem grande na cabeça, apontando para a necessidade de novos rumos. E a cada vez que o mundo me parece sem muito sentido, apelo para a minha receita particular: poesia. A magia das palavras que encaixa devaneios. A cola que costura pedaços. A possibilidade de poder criar e imaginar.

Arquitetando Ideias. Um canal para falar de arquitetura em todas as escalas. Mas também um canal para delirar. Afinal, viver é algo muito mágico para se ter certezas estanques. É preciso repensar e repensar. É preciso seguir. Mesmo que ainda não se saiba para onde.    
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