Renomear a arquitetura: quando a teoria precisa olhar para a vida

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Há livros de arquitetura que nos ajudam a entender melhor projetos e/ou a trajetória de um profissioal. Há outros que ajudam a entender melhor a própria arquitetura.  Renomear a arquitetura em sua evolução técnica, formal e ética (Editora Olhares) , do  renomado arquiteto catalão Josep Maria Montaner, pertence à segunda categoria. Fazia um tempo que um livro de teoria não me pegava tanto para a leitura e reflexão. Um dos motivos é que, depois de tantos anos trabalhando com arquitetura, uma questão continua me acompanhando desde sempre: para quem estamos projetando? A pergunta parece simples. Talvez até óbvia. Mas basta lançar um olhar mais crítico para nossas cidades, nossas casas e nossos edifícios para perceber que esta pergunta ainda está longe de ser respondida de maneira satisfatória. Quem circula por esses espaços? Quem consegue permanecer neles? Quem é considerado quando uma calçada é desenhada, quando uma moradia é planejada, quando se define a altura de uma banca...

Nye - Uma cidade sustentável

Como seria uma cidade planejada com princípios sustentáveis e em colaboração entre os principais estúdios de arquitetura dinamarqueses e um grupo empresarial, o Tækker Group ? É o que vemos na cidade que terá em torno de 20 mil habitantes e que se chamará Nye, localizada no norte da Dinamarca e onde cada parte será desenvolvida por um escritório diferente de arquitetura.  

Aqui mostro o projeto dos arquitetos do AART. São 46 tipos de casas, dispostas em um anel que harmonizam a ideia de cidade em transição com o campo.  

E como se dá isso? Segundo o site dos arquitetos criando "não apenas diferentes formas de ligação ao campo, mas também diferentes tipos de vida privada e de vida comunitária. Por exemplo, a variedade de apartamentos, moradias e casas em cluster cria uma ampla gama de espaços ao ar livre - desde varandas de apartamentos até jardins de filas e agrupamentos." 



A vida privada nas casas, privilegiadas pela projeto escalonado que permite que estejam amplamente iluminadas e os jardins atrás e na frente se harmonizam com as amplas áreas de convívio em comunidade assinalando que a sustentabilidade não se resume em soluções técnicas, mas principalmente em conceitos de espaços que propiciem a interação das pessoas, seja em grandes ou pequenos grupos. 
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