Quando o clima muda, quem cuida de quem envelhece?

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Gosto de caminhar pelas ruas de minha cidade. Moro há 50 anos nesta Porto que já foi mais alegre. Envelheci caminhando pelas lombas e ruas que eram corredores verdes, luta de quem subia em árvores e das pessoas que se reuniam aos vizinhos para lutar pelo seu entorno. A cidade também envelheceu. As concepções urbanas de conquistas ambientais meio que se perdem na memória dos transeuntes apressados. Dizer um bom dia já causa mais espanto que sorrisos. Todos correm na cidade que acumula poças de água em dias de chuva cada vez mais frequentes. E podas cada vez mais catastróficas. Temo imaginar como será no verão.  Pelo que leio dos verões em outros hemisférios, há cada vez mais ondas extremas. Fico imaginando onde encontrar sombras, cada vez mais escassas. Assim como bancos públicos, sem falar das calçadas com seus  desníveis conhecidos, aqueles que a gente aprende a evitar depois de alguns tropeços. Imagine os novos. Aqueles consertos de empresas, meio mal feitos, que logo são de...

Render não é o único meio de mostrar a sua ideia

Quando ando pelas páginas de colegas vejo cenas belas, a grande maioria em forma de renders muito realistas, que espelham uma realidade que ainda não existe, a não ser no projeto do profissional. É obvio que os clientes curtem ver e entender o que estão comprando e se puderem passear pelos espaços com seus olhos, ainda melhor. E aproveitar uma tecnologia que se mostrou disponível há pouco tempo, é uma realidade para nós, arquitetos.

Mas ...e sempre tem um mas na questão, a representação gráfica de uma ideia apenas se revela interessante quando serve para fazer o cliente entender a concepção. Por mais realista que seja uma foto, se não vier acompanhada de conteúdo e propostas embasadas, será apenas uma foto, entre tantas mais.

E por isso gostei do trabalho desse moço que achei na web, o Jim Keen. Ele mostra que existem outros meios de representação. Ou por outra, resgata formas que usávamos desde muito, com uma bela roupagem contemporânea. 
  

Sem uma comunicação clara e direta de sua ideia, qualquer imagem é uma oportunidade desperdiçada. Jim Keen

Sim, me dirão, mas o que difere esse tipo de trabalho das imagens ultra realistas que estou acostumado a ver???? Elas não pretendem ser o que não são. São ideias de um futuro que talvez venha a existir. Algumas vezes com alterações como todo profissional sabe bem que acontece. (Esses dias um colega colocou o render e a foto pronta exclamando que - UFA - aquele projeto seguiu fielmente a sua proposta original. O que não é comum).
Estas imagens tem um componente lúdico que dificilmente uma foto teria. E hoje em dia, segundo o seu autor, como são mais raras, se destacam do comum.
Técnicas de venda? Sim. Obvio. Arquitetura não é uma atividade benemérita, embora alguns creiam que sim. Um projeto não é uma foto nem uma representação por mais linda e divertida que seja. Essas imagens como os renders servem apenas para mostrar UMA PARTE do todo. 
O projeto é bem mais especifico. Inclui detalhamentos, plantas de execução, mostra encontros de materiais, alturas, paginação de pisos e revestimentos. Se você fica ultra mega feliz com uma foto bonita, saiba que o seu arquiteto pode lhe oferecer muito mais e que você vai ficar ainda mais feliz durante a obra porque ela correrá com menos problemas justamente porque tudo foi pensando antes. É o que muitos profissionais orçam como detalhamento.


Obras a parte, a parte inicial onde o projetista mostra porque chegou a essa solução e não àquela, requer uma comunicação direta. Pode ser em forma de palavras, mas pode sim ser na forma como os arquitetos se comunicam desde sempre: pelas suas representações gráficas. Pensem nisso.


Veja outras imagens do trabalho de Jim Keen AQUI 




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