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Castelinho da Rua Apa - Restauro e novas funções resgatam a memória da cidade

O início
O que faz com que uma obra entre para o imaginário de uma cidade e mereça ser perpetuada para a posteridade? Olhando para a construção acima, dos anos 20, podemos ver uma construção que deve ter sido baseada no sonho de alguém: um castelo em pleno lado de baixo do Equador, o chamado Castelinho da Rua Apa. Talvez um anseio de nobreza, talvez uma ideia de princesa que permeava o imaginário de muita mente feminina nos séculos passados. Fosse o que fosse, a construção sofreu seu destino que seria trágico e abrigou um crime nos anos 30.

Abandonado, virou abrigo das pessoas que também são abandonadas, seguindo o roteiro de decadência que sofrem tantos prédios nas nossas cidades...Seus materiais se deterioram, suas paredes revelam cicatrizes de uma memória de tempos mais cheios de fausto.   

E alguns voltam a um novo viver. Restaurados, reformados, usados em novas utilidades, voltam a compor o cenário urbano. Carregando suas memórias e mostrando que as cidades são sim feitas de pessoas e suas histórias.    
O Restauro
É o que acontece com o Castelinho da Rua Apa que vai deixar de ser um prédio abandonado e vai abrigar o  Clube de Mães do Brasil que é uma Instituição Filantrópica, sem fins lucrativos, que desenvolve programas e projetos sociais voltados às pessoas em situação de rua e em vulnerabilidade social. Um belo resgate para um prédio que abrigou um drama. 

Leiam AQUI mais detalhes da reinauguração do Castelinho e como funciona o Clube de Mães do Brasil.

Mas qual seria o mistério do Castelinho da Rua Apa em São Paulo?




O prédio foi construído em 1912 por um médico. Foi palco de festas e de muita luz até que, pouco depois de sua morte, seus herdeiros protagonizaram um drama policial. 
O drama
Como alguns dizem que as paredes guardam memórias, e alguns que guardam bem mais que isso, a fama de mal assombrado acompanhou àquela mansão que um dia abrigara sonhos.  
O Palacete
O abandono levou à decadência. E a decadência à mais imaginação que povoou artistas e marginais que usaram seus espaços como suporte de seus anseios e formas de expressão.   
Desenhando o castelinho
Esses mesmos marginais que, abandonados, seja pela sociedade, seja pela sua própria esperança de viver, são objeto da instituição que vai usar os espaços, enfim restaurados do Castelinho, para resgatar cicatrizes e almas que possam reaver suas dignidades como pessoas.   
O abandono
Prédio e ocupantes

De início o sonho e o fausto. O futuro pela frente. A luz e a festa.   

Depois o drama. A luta fratricida que leva à morte. E surge a decadência.
A memória
O abandono. As paredes que se despem de luxos e belezas e revelam a crueza do puro estado que nu, pede socorro, pelas mãos de pessoas que revelam suas próprias nudezes internas.

O resgate. Uma instituição, com o nome simbólico de Clube de Mães do Brasil e que cuida de pessoas também desabrigadas, ocupa os espaços, tombados pelo patrimônio em 2004, e restaurado para o novo uso. Simbolismo de vida e de nova esperança. Vida que segue, apesar de tudo.

O corte

Planta original - não construída
É simbólico também que as próprias fotos do crime possam servir de memória para o resgate dos espaços, mostrando com clareza os revestimentos que ali existiam.

  
Lateral do Castelinho
Assim se criam os mitos e os ícones. Mais que de pedras e argamassas, de sonhos e dramas. É a vida que faz a arte. É a vida que faz as cidades. Que a façamos bela e generosa.

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