Quando o clima muda, quem cuida de quem envelhece?

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Gosto de caminhar pelas ruas de minha cidade. Moro há 50 anos nesta Porto que já foi mais alegre. Envelheci caminhando pelas lombas e ruas que eram corredores verdes, luta de quem subia em árvores e das pessoas que se reuniam aos vizinhos para lutar pelo seu entorno. A cidade também envelheceu. As concepções urbanas de conquistas ambientais meio que se perdem na memória dos transeuntes apressados. Dizer um bom dia já causa mais espanto que sorrisos. Todos correm na cidade que acumula poças de água em dias de chuva cada vez mais frequentes. E podas cada vez mais catastróficas. Temo imaginar como será no verão.  Pelo que leio dos verões em outros hemisférios, há cada vez mais ondas extremas. Fico imaginando onde encontrar sombras, cada vez mais escassas. Assim como bancos públicos, sem falar das calçadas com seus  desníveis conhecidos, aqueles que a gente aprende a evitar depois de alguns tropeços. Imagine os novos. Aqueles consertos de empresas, meio mal feitos, que logo são de...

Uma rede para chamar de minha

Normalmente associadas às residências de verão ou às do Nordeste e Norte brasileiros em tempo integral, as redes são uma herança dos nossos "índios" que, aliás já receberam esse nome porque os antigos navegadores acreditavam estar chegando às Índias por outro caminho. 

Pelo menos essa é uma das versões para o "descobrimento" da América e do Brasil. Há outras (veja uma delas AQUI). E quem se debruçar com vontade e sem pré conceitos em livros de História vai notar que para fatos há inúmeras versões (talvez seja melhor falar em visões) de modos que verdades absolutas devem ser vistas com certa ressalva e consciência crítica.

Essa história de consciência crítica também é bem complicada porque enquanto vivemos somos sujeitos à visões que a vida (nossa e onde vivemos) acaba por nos impor. Difícil fugir disso. A medida que envelhecemos vamos cristalizando crenças que acabam por nos engessar também. Difícil manter alguma isenção em assuntos que nos rodeiam. Especialmente os apaixonantes. 

Ah!!! As paixões. Afinal são elas que movem o mundo e sem elas nada seríamos. São nossa salvação e ruína. As Índias, mais que temperos, nos acenavam com ideias de generosidade e com a (reconfortante) reencarnação que dava uma resposta à finitude de nossas vidas. Mas trazia também a rigidez das castas...

E as redes??? Imaginem os europeus chegando às novas terras, fossem as Índias ou não, e encontrando esse meio tão peculiar de gozar a vida fosse para dormir, para descansar ou para transporte. Fico imaginando aqueles seres humanos jogados nos trópicos, com um calor infernal, cheios de roupas, se refestelando em redes de descanso.

Tal qual fazemos nós quando nos sobra um tempo....      


 




Fontes das fotos - blogs.diariodonordeste.com.br , https://erikakarpuk.com , https://br.pinterest.com , http://www.bemlegaus.com ,

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