Pular para o conteúdo principal

Oxigênio cultural da sobrevivência

Noite dos Museus em Porto Alegre. Um roteiro por oito dos espaços de cultura da cidade que levou milhares de pessoas para o encontro com algo intangível e tão necessário à saúde e sanidade de todos nós - um encontro com a sensibilidade.

Sair às ruas a noite se torna cada vez mais um desafio na nossa outrora alegre cidade. Uma autoridade de segurança local disse sobre assaltos em uma serenata iluminada em um parque da cidade: "Chamem o Batman" e que "gente de bem estaria em casa". Aliado ao crescente número de ocorrências policiais, resulta que muitas pessoas acabem deixando de sair às ruas. Que com isso se tornam mais inseguras, fazendo com que mais pessoas as deixem e alimentando um círculo eterno de causa e consequência.

Mas existe sempre um antídoto para a mesmice e a robotização que a vida cheia de responsabilidades nos leva cada vez mais. Se chama Arte. Se chama Cultura.

Quando estava indo para um dos Museus fiquei conversando sobre a cultura, e como ela é delegada a um segundo plano por muitas pessoas, com o motorista que me levou. Ele é artista plástico e como precisa sobreviver para continuar com a sua vocação, também se dedica a uma atividade paralela. Sobre a valorização da cultura, me respondeu com uma frase que fechou com o texto que o curador da Noite dos Museus usou em seu texto e que gerou o título da postagem. Ele me disse: "A gente sobrevive alguns dias em comer, mesmo alguns poucos dias sem beber, mas quantos minutos sobrevivemos sem respirar? É o oxigênio, algo tão sutil e tão necessário, que nos mantém vivos. Assim é com a cultura, algo tão sutil que nos ajuda a sobreviver e a nos reconhecer como seres humanos."  

Na entrada do Museu Felizardo Furtado nos foi entregue a programação e um texto do curador...    
O roteiro dos Museus ora composto, por sua vez, nos revela outra trama da cidade; em meios à velocidade e à fadiga diária, despontam lugares que nos raptam e nos levam a mundos em que imperam arte, beleza, ciência e sofisticação de linguagens. Eis aí o oxigênio cultural da sobrevivência. (Prof. Dr. Francisco Marshall - curador da Noite dos Museus - Porto Alegre 2016) 
E eis aí uma pequena amostra do que aconteceu na cidade em um noite nem tão fria do outono de 2016. As portas dos museus se abriram à população. As luzes se acenderam e a música se uniu à coleções de artistas e exposições as mais variadas. Pessoas de todas as idades, de todas as classes sociais, de todas as etnias, de todas as ideias se uniram em torno de algo aparentemente supérfluo: prazer de usufruir de sua cidade, vontade de sentir mais e melhor, estar em comunhão com as musas e com quem mais que gostasse de vivenciar que sim, somos mais que meros sobreviventes.

O espaço dos Museus se tornaram mais públicos. A noite se tornou mais criança. A urbe se tornou mais Ágora. Eu me senti mais gente. 

Vibrei com o chorinho como se fosse uma redescoberta. A energia boa de todos se uniu ao som que vibrava em harmonia. Foi intenso e mágico.

Resgatar a cidade para o uso de todos. Democratizar os espaços de memória para que nele não apenas recordemos o passado, mas que vislumbremos o quanto podemos mais no presente. São movimentos assim que tornam uma cidade mais atraente para seus habitantes. 

Tomara esse oxigênio cultural aconteça mais seguido! 
Para que serve a arte. Para nos trazer de volta ao ser gente. Quando o mundo teima em nos despersonalizar e embrutecer, a arte nos traz ao encontro do significado real da vida: o sentir. Elenara Stein Leitão

Fotos: Elenara Stein Leitão 
Local: Museu Joaquim José Felizardo  - Rua João Alfredo 582 Porto Alegre /RS

Nos siga também nas redes sociais
Twitter Flipboard Facebook Instagram Pinterest 
snapchat: arqsteinleitao

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Slim Fit, uma micro casa que tem muito espaço

  Uma micro casa vertical de 50m², vencedora do Design Awards 2018 na cateHabitat, chamada de SLIM FIT House pela arquiteta portuguesa radicada na Holanda, Ana Rocha , é uma proposta de moradia permanente para pessoas que moram sós nas grandes cidades. Segundo o site da arquiteta, a micro-residência, que ocupa menos que duas vagas de estacionamento, tem como conceito ser projetada " para o grupo crescente de solteiros que preferem a localização ao invés do tamanho, e que desejam viver de forma compacta, mas confortável, durável, cheia de identidade e, acima de tudo, centralmente em contextos urbanos." A casa vertical joga bem com a equação sensação de espaço e economia de metragem. Setoriza área de alimentação, refeições e despensa no térreo. Uma escada, sutilmente mesclada a um armário estante faz a ligação aos outros andares. No segundo, um estar e dormitório e banheiro no terceiro.     Fotos: Christiane Wirth Nos siga também nas redes sociais Twitter   Flipboard   Faceboo

Redes sociais, o aprendizado e as interações perdidas e achadas

Sim que a vida digital trouxe uma série de vantagens em nossas vidas. Posso ser jurássica e em muitos casos, ainda analógica, mas amo uma interação social e profissional virtual. Um dos grandes locais onde conheci vários amigos super queridos, profissionais, que tanto me acrescentaram, foi o grupo de Arquitetura do Yahoo. Lembro até hoje quando li em uma revista de arquitetura sobre ele, me inscrevi e lá estava eu no meio de debates de todas as matizes e locais. Por isso senti profundamente quando os grupos daquela plataforma foram extintos.  Leia também  Nuvem passageira Por sorte, também sou acumuladora em redes virtuais . Meu espaço de email guarda uma série de debates desde 2005. Às vezes volto a eles e constato o quanto tem de assuntos relevantes, inclusive para os dias atuais. Fazendo uma breve reflexão tendo a pensar que, nesses 15 anos de interação virtual e convivência em redes, perdemos muito em profundidade de debates, embora tenhamos crescido em possibilidades. Lógico que f

Transformando um problema em solução - impressão 3D

Uma cabana feita com impressão 3D usando concreto e uma madeira que era imprestável, porque destruída por um inseto invasor, é o projeto realizado pelos professores de arquitetura, Leslie Lok e Sasa Zivkovic, da Cornell University. O Emerald Ash Borer é um besouro que ataca bilhões de freixos em todos os Estados Unidos e as inutiliza para o uso comercial. fazendo com que as árvores infestadas sejam queimadas ou simplesmente largadas como refugo. Foi pensando neste problema que os pesquisadores da HANNAH chegaram a essa solução de aproveitamento da madeira para construção. Para tanto construíram uma plataforma robótica para processar essa madeira que seria descartada. Como isso foi feito? Usando um braço robótico que antes construía carros e foi adaptado para dar forma à madeira, aliado a um sistema de impressão 3D que usa uma quantidade mínima necessária de concreto. O resultado? Fotos: HANNAH / Andy Chen / Reuben Chen Nos siga também nas redes sociais Twitter   Flipboard   Facebook  

Dicas para economizar na conta da luz

  Não bastasse os sustos do ano, os gastos do fim dele (ufa!) que não são apenas presentes, mas impostos, 13°, etc, etc, vamos ter também bandeira vermelha nas contas de luz. A Agência Nacional de Energia Elétrica já tomou essa decisão, que começa a vigorar no começo de dezembro.  O verão se aproxima com promessas de muito calor, estamos usando muitos aparelhos em casa para manter nossa rotina e trabalho seguindo. Então o que podemos fazer para economizar e não levar (tanto) susto na hora de pagar a conta?    Consciência Em primeiro lugar: consciência. Parece básico, mas não é. Sabe aquele ato automático de abrir a geladeira e ficar pensando no que vai comer? Ou beber? Não faça. Deixar acesas luzes em ambientes onde ninguém está. Apague. Lembro sempre do meu pai que nos incutiu essa cultura do não desperdício desde pequenos. Assimile e passe adiante. Splits e ar condicionado Este será um verão atípico porque muitas vezes teremos que abrir mão de ventilação mecânica em função da pandemi