Café Alta Política- Metamorfose da Vida

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No Café Alta Política, no dia 14 de agosto de 2026, tive a oportunidade de representar o Coletivo Metamorfose da Vida e falar sobre envelhecimento, autonomia e o papel que cada pessoa pode assumir na construção da própria longevidade. O Café Alta Política é organizado por Julio Pujol e Giselle Hubbe. Um encontro no belo café do Margs em Porto Alegre. Este foi o 60º e teve como tema Leituras do Envelhecer. Junto comigo para um bate papo, o ex-vereador e Secretário Adjunto de Inclusão e Des. Humano de Porto Alegre e Vinicius Kaster, Secretário Adjunto de Esportes de Porto Alegre. Falei sobre minha formação como arquiteta, mestre em Engenharia de Produção e integrante do coletivo Metamorfose da Vida, e como uma experiência mudou minha maneira de olhar para a vida e para a arquitetura: durante cerca de 20 anos, acompanhei o envelhecimento e o adoecimento dos meus pais. E aprendi como a sala de espera de uma UTI pode ser uma espécie de pós-graduação sobre a condição humana. A partir dessa ...

Arte serve pra gente se sentir gente

Arquitetando Ideias
Hoje foi um dia massacrante. Dedicado ao que chamo de burocracia da morte. No momento de maior sensibilidade de um ser humano, quando se perde alguém querido e se tem vontade de sumir do mundo, a vida te chama a cuidar de seguros, pecúlios, contas bancárias e para tudo há que autenticar, juntar papel, falar sobre quem foi. É como se ficasse remexendo em uma ferida a toda hora. E foi nesse sentimento que me permiti passear no centro da cidade. Primeiro vendo um exposição de Vik Muniz

Um trabalho instigante, uma ironia em forma de objetos que muitas vezes chocam mas fazem refletir. O que mais me impactou: uma mandala. Uma reinterpretação de formas biológicas, de pequenos espaços de nós que formam uma harmonia que fala de transcendência. Somos sim pequenos, somos efêmeros, mas ao mesmo tempo somos poesia e por isso mesmo eternos. 
Depois uma visita ao memorial do Érico Veríssimo. Érico é para mim quase um pai da leitura. Fez parte de minha adolescência, passeei por suas obras como se histórias minhas fossem. Esse prédio antigo na rua da Praia em Porto Alegre já abrigou uma Casa Cor e hoje resgata a memória de nosso grande autor.
Uma sala onde pode-se mergulhar em suas obras. Ouvir histórias infantis, ver as cidades que ele imaginou com tantos detalhes. Lembro que em suas memórias li que ele fazia mapas dos locais que criava, com tantos detalhes que eles criavam asas e se tornavam quase reais.

Um dos livros que mais me marcou. O Senhor Embaixador. Li e reli muitas e muitas vezes. E em todas me encantei com a história daqueles que tentam fazer novas histórias e acabam repetindo as velhas.
E obviamente me encantei com o lado gateiro do Érico.
arquitetando ideias
E no mesmo prédio o museu da eletricidade. Simbolismos ou sinais? A vida é feita de luz. Da luz que deixamos, da luz que dos que foram, da luz que mostra o caminho e nos ajuda a achar o rumo. 

Para que serve a arte. Para nos trazer de volta ao ser gente. Quando o mundo teima em nos despersonalizar e embrutecer, a arte nos traz ao encontro do significado real da vida: o sentir.
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Autor e fotos : Elenara Leitão 

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