Quando o clima muda, quem cuida de quem envelhece?

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Gosto de caminhar pelas ruas de minha cidade. Moro há 50 anos nesta Porto que já foi mais alegre. Envelheci caminhando pelas lombas e ruas que eram corredores verdes, luta de quem subia em árvores e das pessoas que se reuniam aos vizinhos para lutar pelo seu entorno. A cidade também envelheceu. As concepções urbanas de conquistas ambientais meio que se perdem na memória dos transeuntes apressados. Dizer um bom dia já causa mais espanto que sorrisos. Todos correm na cidade que acumula poças de água em dias de chuva cada vez mais frequentes. E podas cada vez mais catastróficas. Temo imaginar como será no verão.  Pelo que leio dos verões em outros hemisférios, há cada vez mais ondas extremas. Fico imaginando onde encontrar sombras, cada vez mais escassas. Assim como bancos públicos, sem falar das calçadas com seus  desníveis conhecidos, aqueles que a gente aprende a evitar depois de alguns tropeços. Imagine os novos. Aqueles consertos de empresas, meio mal feitos, que logo são de...

Hoje quero falar de leveza

Hoje quero falar de leveza.
Preciso falar de leveza.
Estou cansada de violência, de ódios e ressentimentos. A vida é breve e muito vasta. 
Sei que as lutas são importantes, que já urge batalhar por tudo o que se acredita com fé e entusiasmo. 
Mas há dias em que se necessita também um descanso. Um refresco. Um chega pra lá nas coisas ruins. 
Chega.
Hoje quero focar no belo. 
E o belo, no sentido estético da palavra, serve para nos humanizar.
Não o belo costume, não a tendência do que nos dizem que é bonito ou padrão. 
Não.
O belo a que me refiro é o que nos resgata, nos faz tirar o fôlego. Ou simplesmente nos faz suspirar.
Deixem então que imagine as festas de ano bom com flores. Singelas umas. Talvez singelas todas. Ou quase todas. A singeleza me encanta. 
O singelo é elegante. O singelo de verdade fascina.
As formas puras falam da geometria da natureza. Sejam resultado de combinações matemáticas, sejam obras de artistas sensíveis que convencionamos chamar de deuses, não importa. As formas nos formam.
Talvez então nos falem que celebramos a esperança de que o amor possa renascer. Em nós. Em algum lugar. No outro. E nos digam que somos apenas humanos que querem compartilhar descobertas e sentimentos.
Talvez.
Sejamos então o que somos. Com as nossas singularidades. Com as nossas dúvidas. Com tudo o que ainda seremos.
E vamos nos dar um tempo para respirar e festejar. Sem obrigações que não sejam apenas brincar, brindar e ser feliz.


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