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GPS, mapas e falta de sinalização

Sinal trânsito

GPS. Tão simples. A gente coloca o endereço e lá vem uma voz de comando que vai dizendo para onde devemos ir. Nunca me acostumei com isso. Já tentei usar mas confesso que acho muito chato. O Tal do Waze me dá nos nervos também. Acabei por tirar do smartphone porque mais que me auxiliar, me incomodava. 

Ora, dirão alguns, arquiteto tem visão espacial mais elaborada. E é verdade. São poucas cidades que não consegui compreender de cara (BH uma delas). Então ainda sou fã de mapas. 

Mapas???? Sim, daqueles que a gente usava antigamente quando não havia tecnologia. Eu preciso ter a noção da trajetória que vou seguir dentro da minha cabeça antes de seguir em frente. E eles me auxiliam muito nisso. Hoje é lógico que troco os de papel pelo Google Maps. Faço a trajetória e ainda me dou ao trabalho de ver alternativas se aquele caminho não funcionar como espero. Coisas de arquiteta.

Tá, mas e se estiver em uma cidade estranha???? Faço o mesmo. E se não tiver mapa a mão? Pergunto em um ponto de táxi ou em um posto de combustível.

Porque estou falando nisso agora? Uma pela tristeza de pessoas indo parar em locais perigosos seguindo o GPS. Alguma perdendo a vida por isso. Culpa do GPS? Da tecnologia? Não. Não apenas. 

Vivemos em uma sociedade desigual e violenta. Mas mesmo em países considerados de primeiro mundo não creio ser saudável entrar em certos locais. Então convém ser cuidadoso. E aí entra a minha "noia" de não confiar 100% na tecnologia. Me reservo ao direito de pensar por mim mesma.

Mas para que mais pessoas pensem por si mesmas para achar ruas e caminhos é preciso algo básico: SINALIZAÇÃO!

Quem devia fazer a sinalização das cidades são pessoas que não moram nelas. As que moram subtendem que todos saibam os caminhos (palavras sábias de meu pai - Paulo de Oliveira Leitão)   
 Mapa de Porto Alegre
Quem já se perdeu em uma cidade por não encontrar nomes de ruas ou indicações de caminhos sabe do que estou falando. Hoje tive uma experiência dessas. Peguei uma estrada, obra da Copa, como caminho para o interior do estado. Nunca tinha feito isso. Auto estrada, economiza tempo em engarrafamentos. Imaginei que, nova, fosse bem sinalizada. Algo como: Saída para a BR 116 bem grande! Afinal deve ter sido pensada para facilitar a vida de todos. Especialmente dos turistas. Mas não. Não apenas perdi a saída, como me senti perdida. (E na hora sim, senti falta de ter um GPS).

Já estava me sentindo uma anta quando comentei com amigos e parentes. Todos relataram terem também feito a mesma coisa na primeira vez que a usaram. Um, inclusive, se perdeu a noite e teve que voltar à Porto Alegre para ir pela BR antiga.

Ou seja, algo básico que aprendi em urbanismo viário. Se muitos cometem o mesmo erro, tem algum erro de projeto.  

Então, antes que mais pessoas se percam ou pior, percam a vida, por errar o caminho, não vamos só culpar a tecnologia. Mas vamos tentar prevenir com um bom plano de sinalização?????


Leia também:

A comunicação para orientação do espaço urbano

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