Quando o clima muda, quem cuida de quem envelhece?

Imagem
Gosto de caminhar pelas ruas de minha cidade. Moro há 50 anos nesta Porto que já foi mais alegre. Envelheci caminhando pelas lombas e ruas que eram corredores verdes, luta de quem subia em árvores e das pessoas que se reuniam aos vizinhos para lutar pelo seu entorno. A cidade também envelheceu. As concepções urbanas de conquistas ambientais meio que se perdem na memória dos transeuntes apressados. Dizer um bom dia já causa mais espanto que sorrisos. Todos correm na cidade que acumula poças de água em dias de chuva cada vez mais frequentes. E podas cada vez mais catastróficas. Temo imaginar como será no verão.  Pelo que leio dos verões em outros hemisférios, há cada vez mais ondas extremas. Fico imaginando onde encontrar sombras, cada vez mais escassas. Assim como bancos públicos, sem falar das calçadas com seus  desníveis conhecidos, aqueles que a gente aprende a evitar depois de alguns tropeços. Imagine os novos. Aqueles consertos de empresas, meio mal feitos, que logo são de...

Cooperativas Habitacionais Uruguaias - um bela experiência para conhecer

Museu da Casa Brasileira - São Paulo - SP (foto Elenara Leitão)
O bom de viajar é encontrar pessoas e locais interessantes (nessa ordem). E de quebra ainda aprender sobre o que se gosta. Como o Universo conspira a favor das energias que a gente emite eis que, no primeiro encontro ao vivo dos integrantes da Synarqs, fomos visitar o Museu da Casa Brasileira em São Paulo e vejam a exposição que encontramos!    
Museu da Casa Brasileira - São Paulo - SP - (foto Elenara Leitão)
Uma amostra sobre as cooperativas habitacionais no Uruguai. País aliás que cada vez mais me encanta. Com certeza ou quase, seria minha segunda opção de moradia permanente, se um dia resolvesse deixar o Brasil (que continua sendo a primeira). 

Eu já conhecia algo da arquitetura uruguaia do tempo da graduação, onde a influência de Eladio Dieste se fazia sentir em Porto Alegre. Exemplo famoso é o prédio da Ceasa com as suas abóbodas em tijolo armado

Além disso colegas uruguaios me mostraram o quanto a formação em conforto ambiental é importante no currículo das escolas de arquitetura do país vizinho.
Arquitetos da Synarqs na exposição de Cooperativas Habitacionais Uruguaias
Mas confesso que desconhecia a importância das cooperativas habitacionais uruguaias. Fiquei realmente encantada com a exposição que recomendo para quem gosta de arquitetura, especialmente para estudantes. 

Sempre fui uma entusiasta do sistema cooperativo como forma de união entre pessoas com um objetivo comum. Usar este sistema para projetar e construir habitações não é tão comum no Brasil. Falei sobre uma experiência de arquitetura solidária e cooperativa aqui de Porto Alegre, realizada por um arquiteto uruguaio. Uma experiência mais restrita é verdade. Sei que existem vários outros exemplos, mas desconheço as realidades de facilidades ou entraves ao modelo. Li que existe um estudo mais aprofundado sobre o tema no artigo Cooperativismo habitacional na América Latina.       
Maquete na exposição de Cooperativas Habitacionais Uruguaias
Segundo a exposição, o movimento no Uruguai surgiu da iniciativa de um grupo de profissionais que conseguiu realizar uma sintonia entre o problema e a solução, e isto em uma época de crise econômica do país. Uma das tantas, aliás, por que já passaram as nações neste continente. 
"A partir do trabalho dessa equipe foi desenvolvida a base legislativa que gerou a Lei Nacional de Habitação Uruguaia (Lei Nacional de Vivenda) de 1968, uma conquista da classe operária organizada com experiência em trabalho coletivo, apoiada por uma geração de arquitetos com sólida formação técnica e comprometida com a melhora da qualidade de vida da população".(Fonte)
Durante o período militar a experiência ficou meio que hibernando, mas ressurgiu com maior força com a democracia. E vemos isso na exposição. E eles mostraram separadamente a produção das cooperativas onde havia uma poupança por parte do trabalhador e nas de cunho mais social.

exposição de Cooperativas Habitacionais Uruguaias
O mais interessante desse sistema é que há uma processo de cogestão, com participação em vários aspectos, inclusive no projeto arquitetônico. E o resultado se nota em prédios mais vivos. Nada contra a criação exclusiva do arquiteto, mas tudo a favor do diálogo. E tudo contra os conjuntos habitacionais que caem no colo das pessoas, com uma mesmice de fazer dó e sem soluções que contemplem as necessidade dos usuários. Sem contar que, participando das decisões, as pessoas se apropriam mais dos espaços. E isso é fantástico na Arquitetura. 
 
Se quiserem saber mais aqui uma entrevista com o Engenheiro e Professor uruguaio Fernando de Torres sobre a experiência de viver em uma cooperativa habitacional no Uruguai.
Arquitetos da Synarqs no MCB
Primeiro Encontro presencial dos Arquitetos da Synarqs 
E além da ótima exposição, recomendo o almoço no restaurante do MCB. Um ambiente super agradável, comida deliciosa, atendimento atencioso. Sem contar que passear e comer embaixo de árvores em pleno centro da capital paulista faz com que a gente entre em um estado de comunhão com a vida. Muito bom em todos os aspectos! 


Fotos : Elenara Stein Leitão

Comentários

  1. De fato foi muita sorte, recomendo a exposição para qualquer pessoa com interesse no setor, mas o encontro presencial, e a tarde profícua foram ainda melhores que as expectativas!

    Oscar

    ResponderExcluir
  2. Sem dúvida! Aliás, estar com vocês é uma das alegrias que a Vida me proporciona! E que agradeço sempre. Beijos Elenara

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Sua opinião é super importante para nós ! Não nos responsabilizamos pelas opiniões emitidas nos comentários. Links comerciais serão automaticamente excluídos

Postagens mais visitadas deste blog

Cortina verde na fachada

DIREITO À PAISAGEM

Processo da Arquitetura

10 motivos para NÃO fazer arquitetura