O espaço que envelhece com você: o que a arquitetura tem a ver com os seus próximos 30 anos

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Imaginemos uma manhã comum em qualquer cidade por aí: alguém acorda, vai ao banheiro no escuro, tropeça no batente que nunca incomodou tanto antes, segura a parede porque não há barra de apoio, e pensa que está ficando velho. Não está. Está vivendo num espaço que nunca foi pensado para o corpo que ele tem hoje. Esse é o ponto que me interessa. Envelhecer todos (os que tiverem sorte) vão. Mas até que ponto a arquitetura ignora estes processos? As projeções nos dizem que o Brasil vai ter 58 milhões de pessoas com mais de 60 anos em 2060. E o que estamos construindo para receber esse contingente? Apartamentos com corredores de 80 centímetros. Banheiros onde dois adultos mal conseguem se virar. Entradas sem rampas. Calçadas que parecem ter sido projetadas para testar equilíbrio. A cidade, como eu costumo repetir por aqui, nunca te viu. E a maioria dos lares também não. "Aging in place" não é um conceito de design escandinavo importado para Instagram. É o direito de permanecer no ...

De problema em solução - vazio urbano vira horta em projeto premiado no PJC

Aproveitar espaços ociosos nas cidades, mesmo as pequenas, e transformá-los em hortas que possam contribuir para abastecer a população. 

Essa ideia de bom senso, mas ainda pouco utilizada, garantiu a estudante de arquitetura o primeiro lugar no prêmio Jovem Cientista, na categoria estudante de ensino superior. Seu nome? Deloan Mattos Perini. Estuda na Universidade Federal da Fronteira do Sul (UFFS), em  Erechim, no RS. O título da pesquisa, que teve como orientadora Marcela Alvares Maciel é:
" Modelo de agricultura urbana como inovação no processo de abastecimento de alimentos em cidades de pequeno porte"
Premio Jovem Cientista Deloan Perini
Fonte
A sua preocupação foi equacionar o número super alto de pessoas que passam fome no mundo, estimados em mais de 800 milhões (!) segundo dados da FAO/ONU com os vários espaços ociosos dentro das cidades. Uma ideia generosa de como utilizar esses espaços, inúteis dentro do contexto urbano, para uma finalidade mais social e que agregasse valor aos cidadãos gerou o projeto vencedor. 

O projeto mapeou as áreas de sua cidade e viu as que poderiam se transformar em hortas orgânicas urbanas. O potencial previsto é de 60 mil quilos de alimentos/mês. E o projeto prevê também como se dará essa distribuição, dividida em três partes, sendo uma comercializada e outras duas distribuídas para escolas e restaurantes populares.

Transformar problemas em soluções, reocupar espaços que nada significam no contexto urbano, reunir a população na execução e gerenciamento. E contribuir para minimizar um grave problema mundial, a fome, com a oferta de alimentos de qualidade. 


Interessante como ideias tão simples demorem para ser implementadas. A proposta é que esse projeto possa ser replicado em pequenas e médias cidades. Nas grandes teria que haver estudos mais complexos.

Mas, na minha opinião, nada impede que se façam projetos locais, que envolvam bairros e pequenas comunidades dentro das metrópoles. Já existem vários exemplos no mundo. Abaixo alguns exemplos de como isso poderia acontecer. Veja um Manual de agricultura urbana aqui.
Horta urbana
Encontrar locais para gerar a alimentação saudável nas grandes cidades

Hortas urbanas em telhados verdes
Arquitetos propõem agricultura urbana para Curitiba

High Line - NYC
Importância para a saúde das áreas verdes nas cidades

Horta urbana - Detroit
Reaproveitamento de áreas degradadas transformadas em hortas urbanas em Detroit - USA
  Fonte

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