O espaço que envelhece com você: o que a arquitetura tem a ver com os seus próximos 30 anos

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Imaginemos uma manhã comum em qualquer cidade por aí: alguém acorda, vai ao banheiro no escuro, tropeça no batente que nunca incomodou tanto antes, segura a parede porque não há barra de apoio, e pensa que está ficando velho. Não está. Está vivendo num espaço que nunca foi pensado para o corpo que ele tem hoje. Esse é o ponto que me interessa. Envelhecer todos (os que tiverem sorte) vão. Mas até que ponto a arquitetura ignora estes processos? As projeções nos dizem que o Brasil vai ter 58 milhões de pessoas com mais de 60 anos em 2060. E o que estamos construindo para receber esse contingente? Apartamentos com corredores de 80 centímetros. Banheiros onde dois adultos mal conseguem se virar. Entradas sem rampas. Calçadas que parecem ter sido projetadas para testar equilíbrio. A cidade, como eu costumo repetir por aqui, nunca te viu. E a maioria dos lares também não. "Aging in place" não é um conceito de design escandinavo importado para Instagram. É o direito de permanecer no ...

Kids Pod - um anexo para os netos cheio de estilo

Me apaixonei por esse projeto quando o vi em uma correspondência da Contemporist. Fiquei super curiosa imaginando que fosse um mercado ou um charmoso restaurante natural. Imaginem como fiquei fascinada ao saber que ele é um anexo para os netos do casal para quem o arquiteto já tinha feito um projeto.

Fala sério se vocês não queriam algo assim para os seus netos? Eu, se os tivesse, adoraria ter feito esse projeto!
Projeto de Mihaly Slocombe localizado em um vinhedo na Austrália. A ideia era reproduzir a sensação de uma casa de árvore, misto de abrigo e proteção. Usando materiais como concreto polido, revestimento de madeira, esquadrias de alumínio e madeira compensada como revestimento das paredes, o prédio se assemelha a um retângulo que se ilumina a noite e cujas venezianas amplas permitem que a luz natural entre trazendo a luz do dia com intensidade. 
Arquiteto  Mihaly Slocombe

Fotografia Emma Cross

Para os que quiserem ver como uma obra se faz, se constrói com experimentação, com aquela lapidação diária de um bom padeiro, que amassa diariamente o pão e sempre o aperfeiçoa, leiam o experimental architecture
que fala exatamente desse projeto. A analogia com o padeiro e o pão está no texto e é muito interessante. 

O autor diz que o arquiteto teria três importantes lições a aprender com o padeiro: 
  • Simplicidade. Buscar o essencial e ele deve conduzir o projeto.
  • Auto-consciência crítica. Para poder saber o que faz e poder entender o que dá certo e o que não dá.
  • Inquietação.Saber ver além. "Só quando se pode distinguir entre a reinvenção da roda e verdadeira experimentação se pode ter certeza de estar atingindo a meta"
Eu achei deveras interessante porque, normalmente, quando se vê um projeto ele se apresenta como o produto final, sem mostrar as etapas que que se levou para chegar a um bom resultado. Esse caminho de experimentações é muito rico e pode levar à novas descobertas e novas soluções. Além de garantir a melhor possível ao projeto que estamos trabalhando.

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