A cidade também envelhece. E a casa, às vezes, envelhece antes de nós

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Como arquiteta, tenho uma certa implicância com a ideia de que minha profissão seja apontada como algo que começa, e as vezes termina, essencialmente na estética. Talvez porque, depois de tantos anos de prática, trabalhando com espaços internos e externos, e as pessoas que ali vivem e circulam, tenha ficado cada vez mais evidente para mim que uma porta, uma escada, uma calçada ou uma janela podem interferir muito mais na vida de alguém do que aquilo que aparece nas fotografias dos projetos. Quando falamos de envelhecimento, isso fica ainda mais evidente. A realidade nos mostra que o Brasil está envelhecendo rapidamente. Aquela pirâmide etária que aprendemos a desenhar nos livros de geografia já não representa o país que temos. E ainda estamos tentando entender o que isso significa para as nossas casas, para as nossas cidades e para o sistema de saúde. Eu costumo pensar que há uma pergunta simples por trás de tudo isso: onde queremos envelhecer? A resposta da maioria das p...

Kids Pod - um anexo para os netos cheio de estilo

Me apaixonei por esse projeto quando o vi em uma correspondência da Contemporist. Fiquei super curiosa imaginando que fosse um mercado ou um charmoso restaurante natural. Imaginem como fiquei fascinada ao saber que ele é um anexo para os netos do casal para quem o arquiteto já tinha feito um projeto.

Fala sério se vocês não queriam algo assim para os seus netos? Eu, se os tivesse, adoraria ter feito esse projeto!
Projeto de Mihaly Slocombe localizado em um vinhedo na Austrália. A ideia era reproduzir a sensação de uma casa de árvore, misto de abrigo e proteção. Usando materiais como concreto polido, revestimento de madeira, esquadrias de alumínio e madeira compensada como revestimento das paredes, o prédio se assemelha a um retângulo que se ilumina a noite e cujas venezianas amplas permitem que a luz natural entre trazendo a luz do dia com intensidade. 
Arquiteto  Mihaly Slocombe

Fotografia Emma Cross

Para os que quiserem ver como uma obra se faz, se constrói com experimentação, com aquela lapidação diária de um bom padeiro, que amassa diariamente o pão e sempre o aperfeiçoa, leiam o experimental architecture
que fala exatamente desse projeto. A analogia com o padeiro e o pão está no texto e é muito interessante. 

O autor diz que o arquiteto teria três importantes lições a aprender com o padeiro: 
  • Simplicidade. Buscar o essencial e ele deve conduzir o projeto.
  • Auto-consciência crítica. Para poder saber o que faz e poder entender o que dá certo e o que não dá.
  • Inquietação.Saber ver além. "Só quando se pode distinguir entre a reinvenção da roda e verdadeira experimentação se pode ter certeza de estar atingindo a meta"
Eu achei deveras interessante porque, normalmente, quando se vê um projeto ele se apresenta como o produto final, sem mostrar as etapas que que se levou para chegar a um bom resultado. Esse caminho de experimentações é muito rico e pode levar à novas descobertas e novas soluções. Além de garantir a melhor possível ao projeto que estamos trabalhando.

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