O espaço que envelhece com você: o que a arquitetura tem a ver com os seus próximos 30 anos

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Imaginemos uma manhã comum em qualquer cidade por aí: alguém acorda, vai ao banheiro no escuro, tropeça no batente que nunca incomodou tanto antes, segura a parede porque não há barra de apoio, e pensa que está ficando velho. Não está. Está vivendo num espaço que nunca foi pensado para o corpo que ele tem hoje. Esse é o ponto que me interessa. Envelhecer todos (os que tiverem sorte) vão. Mas até que ponto a arquitetura ignora estes processos? As projeções nos dizem que o Brasil vai ter 58 milhões de pessoas com mais de 60 anos em 2060. E o que estamos construindo para receber esse contingente? Apartamentos com corredores de 80 centímetros. Banheiros onde dois adultos mal conseguem se virar. Entradas sem rampas. Calçadas que parecem ter sido projetadas para testar equilíbrio. A cidade, como eu costumo repetir por aqui, nunca te viu. E a maioria dos lares também não. "Aging in place" não é um conceito de design escandinavo importado para Instagram. É o direito de permanecer no ...

Espaços e a água

O meu método de escrever no blog nem sempre segue uma sistemática. Em geral os assuntos me chamam. É como a leitura. Quando passo por uma livraria, muitas vezes nem sei o que procuro, passo os olhos por livros e um ou outro me chamam. Suas capas, sei lá, um que me diz que devo ler ou ter aquele exemplar.

Com os assuntos que trago aqui também. Hoje a água me chamou. Agua e espaço. Projetos que usam a água como elemento que compõem, que traz emoção, que se encaixa. 

Estranho falar em usar a água como elemento de composição em um tempo em que ela falta em alguns estados que nunca tinham passado por isso. Enquanto a seca era algo do sertão, para os do centro era uma preocupação longínqua. As vezes era folclore. Embora já de muito se soubesse que a água era um bem escasso, que podia ser finita, era tratada como algo sem fim. Imaginem que a tratada a peso de ouro pela população através do poder público era usada por alguns para limpar calçadas! Coisa de gente sem estudo, diriam alguns. Pior que não. 
Pois chegou um dia em que a água faltou no estado mais rico da nação. As mansões com piscinas, os prédios mais finos, as favelas, as classes mais medianas, todos passando pelo dilema de comprar água onde pudessem. Os que conseguiam comprar. Tendo que aprender a poupar, coisa de louco. Como se fossem aprender a ter um comportamento sustentável da noite para o dia. Enfim, pior aprender nos maus momentos que nunca.
E a Arquitetura? E o assunto de hoje? A água no espaço? Como fica? 
Fica na mente da gente para lembrar da beleza do mundo. Como ele pode ser deslumbrante quando bem tratado. Como é importante entender que o comportamento nosso de cada dia resulta em consequências. Se elas seriam boas ou ruins, dependem dos nossos atos.
Todos os que têm sensibilidade para gostar de ambientes lindos, tão cheios de encantamento, também a tem para cuidar para que sejam sempre assim. Sempre belos, sempre plenos de natureza.
Água que corre faceira
Abundante cachoeira
Rio nascente
Limpa semente
Amanhã nasce do cuidado
Do hoje bem tratado

O que era para ser umas palavras sobre espaços que usam agua, acabou em palavras que reflexionam sobre como usamos essa mesma água que hoje falta em tantos locais. 

Impossível deixar de pensar sobre isso. Nas florestas que foram cortadas, nos rios que foram assoriados, na natureza mal tratada. Nas fábricas que poluem, nas nascentes que se sujam, nas cidades que crescem sem planejamento. Nos atos vários que desperdiçam, que não cuidam, que não pensam no futuro.....

Fotos : Google e Pinterest

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