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Transformações no meio ambiente #oquevidomeio

As transformações no nosso meio ambiente vão acontecendo e muitas vezes nem nos damos conta o quanto as paisagens vão se modificando. Nós, arquitetos, estudamos em aulas de urbanismo e acabamos pesquisando mais, trabalho bastante facilitado hoje pelo Google. 

Mas uma forma de ver e sentir as cidades e as transformações é contando e recolhendo depoimentos sobre #oquevidomeio. E principalmente por quem tem mais quilometragem de vida e já vivenciou mais coisas que os mais jovenzinhos só sabem se seguirem o mesmo caminho da pesquisa.

Copacabana, princesinha do mar....Essa semana, 2014, estive em um evento no Leme, que é o ínicio da praia que já foi (ou continua sendo uma das mais famosas do mundo). E me dei conta de que a última vez em que pisei nessas areias eu tinha DEZ anos! Foi em 1967 (pronto, contei a idade).
Lógico que a cabeça voltou no tempo, retratou mentalmente as transformações que eu vi! 

Eu sou do tempo em que Copacabana era muito diferente....Para terem uma ideia do que foi feito leiam AQUI
A praia que eu conheci e tomei muito banho de mar era essa da foto abaixo. Dá para notar que até os famosos ondulados de pedra portuguesa são mais estreitos? A praia era mais estreita, as calçadas era mais estreitas. Mas....

Para a escala humana a praia era mais natural. Obvio que ela não comportava as multidões que hoje a frequentam, especialmente em mega eventos. Não tinha espaço para tanto carro. Mas também não caia abruptamente em um mar fundo. A gente entrava normalmente no mar (a gente era eu, criança de dez anos), era uma relação mais tranquila, mais aconchegante.
Por isso quando a Daiane do Vivo Verde me falou do seu projeto de recolher depoimentos sobre o que nós, os idosos, adultos médios ou mais experientes de vida, vimos de mudanças no meio ambiente, resolvi encarar o desafio e contar a minha.
Deixo o convite para que, se lembrarem de algo que mudou no meio ambiente e que tenham visto, ou que tenha feito diferença, corre e grava um depoimento também. Abre o coração e conta para a gente. Não sabe gravar? Pede ajuda para sobrinhos, filhos e netos. Sobre para o you tube com o título #oquevidomeio e reparte com a gente. É importante que as novas gerações tenham também a nossa memória, até para poderem comparar com o que está sendo feito agora e que repercussão possa ter no futuro.

Vejam AQUI o meu depoimento

E como curiosidade deixo um trecho de uma carta de minha tia Lia contando sobre um passeio em um Rio de Janeiro em julho de 1936:

"Domingo atrasado fizemos um passeio formidável. Foi a travessia aqui da Tijuca para Gávea. Lindo. Lá vai a narração. Saímos daqui as duas horas duma linda tarde, a Tia e Adolfo na frente, este na direção da barata nossa Suzana ( apelido do carro era Suzana). Rui, eu e provisões atrás. 20 minutos e chegamos na Cascatinha, lindo lugar, muito concorrido, tinha uma cascata duns 100 metros de altura, muito pictoresco. Mais meia hora sempre subindo e estávamos na Gruta de Paulo e Virgínia, muito lindinha. Seguimos a esquerda, sempre subindo, tendo acima serra com mataria e abaixo profundo Valle, e adiante as praias, casaril e o mar. Seguimos assim uma hora e chegamos no açude Solidão, lugar encantador no meio do mato no nível do Corcovado. Um frio incrível tivemos que por os casacos que felizmente havíamos levado, pois estávamos no meio das nuvens. Iniciamos ai a descida que muito susto nos deu, pois era a pique com curvas fechadas e precipícios medonhos! Logo após e, faixa de cimento a Legação Porto Americana.

Calcula naquelas alturas, mais de 40 metros descendo sempre e chegamos no Alto da Boa Vista, lugar povoado bonito. Mais 15 metros Vista Chinesa, chato! Chegamos depois nas Furnas, lugar afanado, são rochas formando subterrâneos. Ali havia muita gente. Olhávamos para frente e víamos a estrada em espiral, clara no meio da mataria cerrada, bem ao fundo a Barra da Tijuca, vista formidável. Continuamos depois de algum tempo de marcha regular, chegávamos ao Campo de Itanhangua linda várzea e campo de esportes, assistimos a uma disputa de pólo. Adolfo cansado passou o Rui para a direção, depois de terminarmos a merenda que havíamos começado na gruta, seguimos o passeio agora pelos jardins Gávea, lugar maravilhoso! Começamos nova subida pela avenida Niemeyer, tendo a frente o Gigante deitado de formas humanas perfeitas toda a avenida é ao redor do cerro tendo acima as rochas e abaixo o Oceano e é muito estreita. Rui guiando firme. Chegamos no Joá, um lugar de vista mais linda do Rio. Apreciamos o ascender das luzes e seguimos já escuro pela Gruta da Imprensa, Hotel e Praia do Leblon, Ipanema e Adolfo na direção por causa do movimento. Copacabana, Botafogo, Flamengo, Lapa, Cinelândia, Centro, Rio Comprido e Tijuca as 10 horas da noite."

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