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O que 1978 tem para nos ensinar

Cortina verde plantas
Nova novela global passando em 1978. Alvo certeiro para as jovens quase idosas que eram recém mulheres naquela época. Confesso que a nostalgia me bateu. Saudades de uma eu mais jovem. Andei passeando pelas fotos antigas e, por incrível que pareça, as roupas que usava na época nem estavam tão defasadas para os dias de hoje. Bocas de sino, macacão jeans....

Comecei a pensar no que podemos resgatar das nossas casas da época. E uma coisa salta aos olhos: muito verde! Mesmo antes das chamadas paredes verdes, nossas casas eram verdadeiras florestas de vasos, samambaias, os xaxins que ainda não tinham sido proibidos e sempre seguros por correntes e suportes de ferro. Sim, éramos bem adeptos da natureza nos anos 70.

Nossas roupas eram customizadas. Bem no início dos anos 70, as bocas de sino eram feitas de pedaços de outras calças, com retalhos de preferência de cor e jeito diferente da calça. Nossas mães em geral faziam em casa. E nós mesmas éramos prendadas, a gente bordava camisetas hering que eram recortadas e enfeitadas com rendas e milhões de detalhes que só a imaginação ousava alcançar. Imagine se a decoração não seguia essa criatividade toda....

Jeans anos 70
Outra coisa bacana era a influência hippie. Vinha da década de 60 e caía como uma luva nos orçamentos apertados dos jovens casais e das repúblicas de estudantes. Os jovens de hoje acham o máximo usar paletes? Ora! Caixotes já eram usados, almofadas faziam as vezes de sofás e cabeceiras eram feitas de longos panos de batik ou tecidos vindos das viagens que alguns mais ousados faziam pelos Andes ou pela Índia. Éramos místicos, filosofos e rebeldes. Nas roupas e nas casas. Pelo menos as dos jovens.
Hippie batik
Outra onda maneira eram os moveis revestidos de carpete. Isso mesmo, de tapete! As vezes toda uma parede que se transformava em móvel. Era bem prático quando a madeira não era tão nobre e ainda não haviam essas tintas que transformam qualquer pinho em madeira mais classuda. 
Interior anos 70
E quem disse que cantos não eram aproveitados? Os projetos usavam detalhes em madeira maciça e curvas.
interior banho anos 70
Não foram anos particularmente elegantes. As roupas subiram e desceram. A gente usava botas imensas com shorts e casacões imensos. E meias arrastão. Cabelos cacheados. Longas noites em discotecas. Lurex em meias soquete usadas com sandálias altas.Plataformas. Imensas! Chapinhas ? Nem pensar, cabelos eram esticados com toucas (pergunte para sua mãe ou tia como era esse processo...). Toda festa tinha que ter um globo espelhado. E luz negra.
 Cozinha anos 70
Gehry fazia sua casa na Califórnia. Lelé construía seus primeiros hospitais da rede Sarah. Alguns livros já falavam de auto construção e de economia de energia (para arrepio dos professores da faculdade que achavam um acinte alguém se meter a fazer arquitetura sem ser arquiteto). Talvez na onda das crises do início dos anos 70, onde pela primeira vez se falava em escassez de petróleo. 

Estudantes de arquitetura enterravam simbolicamente Le Corbusier e a Arquitetura Moderna e começavam a falar em Venturi. Pós Modernismo. Ainda não se votava para presidente no Brasil. Nem para governador se bem me lembro. No urbanismo a experiência de Lages era estudada e pela primeira vez se falava em participação popular no urbanismo, a Força do Povo. E se fazia isso na prática ao nosso lado, em SC.

As lições dos anos 70? Ainda muito vívidas em minha memória para fazer um balanço isento. Para mim eram anos frenéticos. Eram anos de inocência. Eram anos de esperança. Como sempre são quando a gente tem vinte anos. 

Fotos: Google e Pinterest

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