Renomear a arquitetura: quando a teoria precisa olhar para a vida

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Há livros de arquitetura que nos ajudam a entender melhor projetos e/ou a trajetória de um profissioal. Há outros que ajudam a entender melhor a própria arquitetura.  Renomear a arquitetura em sua evolução técnica, formal e ética (Editora Olhares) , do  renomado arquiteto catalão Josep Maria Montaner, pertence à segunda categoria. Fazia um tempo que um livro de teoria não me pegava tanto para a leitura e reflexão. Um dos motivos é que, depois de tantos anos trabalhando com arquitetura, uma questão continua me acompanhando desde sempre: para quem estamos projetando? A pergunta parece simples. Talvez até óbvia. Mas basta lançar um olhar mais crítico para nossas cidades, nossas casas e nossos edifícios para perceber que esta pergunta ainda está longe de ser respondida de maneira satisfatória. Quem circula por esses espaços? Quem consegue permanecer neles? Quem é considerado quando uma calçada é desenhada, quando uma moradia é planejada, quando se define a altura de uma banca...

O espaço do sagrado - capelas



Espaços do sagrado. Desde o início da história da arquitetura vemos os espaços de templos, de contemplação, de encontro com o divino que em nós habita, se salientarem em maior ou menor grau de luxo e/ou complexidade.


Mesmo para os que não acreditam em um (ou mais) deus(es), ainda assim o espaço do sagrado existe. Entendamos sagrado como a transcendência, como a chama da criação. E nesse sentido até mesmo um belo teatro é um espaço sagrado. Um museu, um centro de artes, um belo parque...


Penso, portanto, que os sábios antigos, que buscavam garantir a presença de seres divinos pela construção de templos e estátuas, mostraram percepção sobre a natureza do Todo, pois eles perceberam que, embora esta alma esteja em toda parte tratável, a sua presença será melhor assegurada quando um receptáculo apropriado é elaborado, um lugar especialmente capaz de receber uma parte ou fase dele, algo para reproduzi- lo ou representá-lo, e servir como um espelho para capturar sua imagem. (Plotino, livro IV das Enéadas, 3º tratado ("Problemas da alma"), § 11). (fonte)



Mas se for pensar em um templo, de adoração a um Deus, sempre me lembro das capelas. Me parecem que encerram uma singeleza que a grandeza das igrejas e catedrais não conseguem exprimir. É como se o dialogo com o Deus de cada um fosse mais facilitado em um espaço menor, mais íntimo, mais simples. Obvio que é polêmico, é muito particular de cada um. Mas o espaço sacro encerra alguns conceitos.


O principal deles simbólico. É um espaço de elevação. Então a ideia do espaço que te sugere um olhar ao alto é sugestiva. E o encaminhamento através de símbolos como a água também são uma forma simpática de remeter à transcendência.


Separei algumas capelas que achei interessantes. Cada uma expressa uma ideia, mas tem em comum uma concepção limpa e singela.








Comentários

  1. Maravilhoso!
    Obrigada, por compartilhar estas maravilhas!

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  2. Obrigada a ti, Márcia, por compartilhar tua opinião! É tão importante receber um retorno assim. Abraços

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