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Arquitetando um risoto de funghi a minha moda


Cozinhar é tudo de bom. Eu não sou exatamente uma expert na área. Cozinho para o gasto, sei aproveitar sobras e fazer maravilhas criativas e rápidas. Eu sempre brinco que não poderia ser uma chefe de cozinha porque tudo o que é efêmero não me agrada muito. Na Arquitetura a gente passa trabalho, sua e forceja, mas no final a obra dura. Pelo menos algum tempo. Bem mais que na cozinha que dá um baita dum trabalho desde a concepção, a execução e o resultado se fica bom, zupt! Some na hora. E tem que começar tudo de novo....Admiro quem se dedica à isso como profissão...

Mas tem aqueles dias em que bate um desejo...Essa semana toda eu precisava comer um risoto. E como não sou muito de comer fora, aproveitei hoje a ida ao super e me apetrechei. (Diga-se de passagem que fiz um curso de risoto uns anos atrás e também queria ver se não tinha desaprendido). E se daquela vez fiz uma das receitas do curso, o risoto caprese, hoje aproveitei para criar um pouco. Fui tentar um risoto de funghi a minha moda. (Como faço isso? Pego umas receitas na web e adapto ao que tenho em casa).

Assim, ingredientes básicos em mão : brodo vegetal sem muito sal, arroz arbóreo, Cogumelos (funghi) chileno, manteiga, queijos gorgonzola e parmesão. Vinho branco Riesling. Boa vontade e tempo.
 Como o funghi é desidratado tem que colocar para hidratar em água fervente por uns dez minutos. Mas veja que o fogo está apagado, ele só vai hidratar nessa etapa.
 O queijo parmesão tem que ser ralado na hora. Não vale usar aquele que a gente tem na cozinha, é muito seco. O resultado final compensa o trabalho de ralar. como era em pequena quantidade, usei o ralador manual. E já fiz um exercício para o braço...
O funghi hidratado ficou assim. Tem que cortar em porções menores e aproveita o caldo que sai para juntar ao arroz quando estiver cozinhando. As receitas que vi pediam a metade da quantidade para uma xícara de arroz, mas usei tudo mesmo (30 gramas). Ficou bom.
 Usei um pouco de manteiga e alho picado para dar aquela primeira cozinhada nos grãos secos do arroz. Use uma colher de pau e fique atenta/o para não queimar. Quando o grão ficar levemente transparente jogue uma xícara do vinho branco, a mesma medida do arroz. Deixe cozinhar, mexendo sempre.
 Quando sentir o cheiro de alcool, comece a colocar as conchas de brodo. Nessa etapa juntei a água em que hidratei o funghi. Após provei e coloquei o sal. Lembre que vai mais queijo depois que também é salgado, então procure prever como vai ficar o resultado final. (um segredo: coloquei uma pitada de curry. Achei que podia ficar bom. Ficou)
Conchas de brodo, vai a olho. Vá provando até que o arroz fique cozido. Minha concha era pequena e devo ter colocado umas oito a dez. Acho. Mais a água do funghi. Tem que ir mexendo, olhando e provando. Cozinhar tem muito do sentimento do cozinheiro, portando não espere seguir fielmente receitas e ter o mesmo resultado de outra pessoa. Sempre tem um elemento surpresa, sempre tem uma empatia do prato e da mão que prepara. Como em tudo na vida. Na arquitetura também.
 Para acompanhar vinho tinto chileno Merlot. E surpresa! Achei um bem razoável (Tenta) por um preço mais que razoável (R$ 14,00 !). Então, boas coisas da vida também dependem de pesquisa. E boas dicas dos amigos.

Arroz no ponto, meio molhado. Apaga o fogo, mistura uma colher de manteiga e os queijos. Bem vigorosamente. Com bastante vontade de misturar e fazer a alquimia perfeita. 
Depois é só servir e aproveitar com gosto. Gente, ficou dos DEUSES! Comi dois pratos (confesso!). E sem traumas já que fiz todo esse processo para uma pessoa muito especial: EU. Outra lição: Mime-se e faça de uma noite de sábado fria um motivo de brindar à Vida.

Fotos do risoto : Elenara Stein Leitão
Imagens : Pinterest

Comentários

  1. Ai Gizuis! Olha, parece maravilhoso mesmo ao final. E contado assim, com graça, garbo e PAP, eu diria que vc encontrou sua segunda profissão: professora virtual de culinária! LOL

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