O espaço que envelhece com você: o que a arquitetura tem a ver com os seus próximos 30 anos

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Imaginemos uma manhã comum em qualquer cidade por aí: alguém acorda, vai ao banheiro no escuro, tropeça no batente que nunca incomodou tanto antes, segura a parede porque não há barra de apoio, e pensa que está ficando velho. Não está. Está vivendo num espaço que nunca foi pensado para o corpo que ele tem hoje. Esse é o ponto que me interessa. Envelhecer todos (os que tiverem sorte) vão. Mas até que ponto a arquitetura ignora estes processos? As projeções nos dizem que o Brasil vai ter 58 milhões de pessoas com mais de 60 anos em 2060. E o que estamos construindo para receber esse contingente? Apartamentos com corredores de 80 centímetros. Banheiros onde dois adultos mal conseguem se virar. Entradas sem rampas. Calçadas que parecem ter sido projetadas para testar equilíbrio. A cidade, como eu costumo repetir por aqui, nunca te viu. E a maioria dos lares também não. "Aging in place" não é um conceito de design escandinavo importado para Instagram. É o direito de permanecer no ...

Porto Triste

Uma cidade é mais que seus prédios e ruas. Uma cidade é feita de suas pessoas, de sua cultura. E uma das coisas mais porto alegrenses era Tangos e Tragédias

Todo o verão os músicos da Sbórnia voltavam ao Teatro São Pedro e cantavam. Dançavam o Copérnico. Faziam a gente rir. Rir sempre. Mesmo que as piadas e músicas fossem as mesmas. 

Taí, não eram as mesmas. Eram mas não. Era sempre diferente.   


Fui ver Tangos pela primeira vez com a minha sobrinha e seu namorado. Como a sua filha vai fazer 15 anos e não nasceu nos primeiros anos de seu casamento, creio que já devem fazer uns 20 anos que fui. Inesquecível. Só quem viu pode saber.

Fui mais duas vezes depois. Pouco, muito pouco. Devia ter ido a todas. Mas é como diz a música, se eu soubesse teria feito mais, teria rido mais, teria me divertido mais. Se eu soubesse... 
Estava lá quando uma escola de samba fez uma homenagem e terminar o espetáculo ao som de samba na praça da Matriz é uma das experiências mais gratificantes de minha vida.

Agora a Sbórnia nos separa de Nico Nicolaiewsky. O Nelson que eu só fui saber o nome hoje, no convite de enterro nos jornais. Nascido em 1957 como eu. Maestro que parte, palco vazio, piano que silencia. 

Porto está triste sim. Um istmo nos separa. Mas...

Quem muito encantou não morre. Se ilumina. 

Uma cidade é feita de pessoas. Pessoas que acrescentam, algumas famosas, outras não. Uma cidade é feita de cultura. Algumas vezes prestigiada, outras não. Uma cidade é feita de História. E nada mais belo que deixar um rastro de música, poesia e risos. 

Então, até que a Sbórnia nos separe

Fotos ZH

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