Renomear a arquitetura: quando a teoria precisa olhar para a vida

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Há livros de arquitetura que nos ajudam a entender melhor projetos e/ou a trajetória de um profissioal. Há outros que ajudam a entender melhor a própria arquitetura.  Renomear a arquitetura em sua evolução técnica, formal e ética (Editora Olhares) , do  renomado arquiteto catalão Josep Maria Montaner, pertence à segunda categoria. Fazia um tempo que um livro de teoria não me pegava tanto para a leitura e reflexão. Um dos motivos é que, depois de tantos anos trabalhando com arquitetura, uma questão continua me acompanhando desde sempre: para quem estamos projetando? A pergunta parece simples. Talvez até óbvia. Mas basta lançar um olhar mais crítico para nossas cidades, nossas casas e nossos edifícios para perceber que esta pergunta ainda está longe de ser respondida de maneira satisfatória. Quem circula por esses espaços? Quem consegue permanecer neles? Quem é considerado quando uma calçada é desenhada, quando uma moradia é planejada, quando se define a altura de uma banca...

Master Class - Obra de mestre

Para iniciar o ano nada melhor que um projeto que reúna educação e um grande mestre. É o caso desse prédio educacional chinês.

A primeira coisa que me chamou a atenção nesse projeto foi sem dúvida a forma de seu telhado. Essa intrigada teia de madeiras interpostas me pegou visualmente só depois fui conferir de quem era o projeto. Pois é de um vencedor do Pritzker - o Nobel da Arquitetura. O chinês Wang Shu e sua esposa Lu Wenyu, do escritório Amateur Architecture Studio .

Esse projeto faz parte de uma série de prédios projetados pelo estúdio para o Campus Central da Academia de Arte da China, onde o mestre chefia o departamento de Arquitetura. Segundo o próprio Wang Shu, a sua ideia era expressar o espírito chinês nesse prédio.  

Há um interessante encaminhamento pelo prédio que vai levando os visitantes a descobrir espaços e se envolver com os espaços que reúnem uma mistura harmoniosa de modernas técnicas de construção com a tradicional cultura artesanal chinesa.

Talvez a melhor descrição do edifício venha de seu idealizador: 
 
"O prédio não é sobre a forma ou a forma: é sobre a descoberta. De uma camada para outra, oferece surpresas."
Seu primeiro trabalho depois da premiação do Pritzker, o prédio traz referências de sua obra anterior, mas é nos instigantes espaços que se descobrem ao caminhar por ele que o arquiteto mostra toda a sua maestria.




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