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Dia Internacional da Tolerância

Hoje é um dia de pensar não apenas na Arquitetura, mas pensar em como há tanta intolerância nos cercando. E justamente porque no dia 16 de novembro é o dia em que a ONU declarou como sendo o Dia Internacional da Tolerância. 
 "Do ponto de vista da sociedade, a tolerância é a capacidade de uma pessoa ou grupo social de aceitar outra pessoa ou grupo social, que tem uma atitude diferente das que são a norma no seu próprio grupo. Numa concepção moderna é também a atitude pessoal e comunitária de aceitar valores diferentes daqueles adotados pelo grupo de pertença original." Wikipédia
Embora a palavra tolerância já me soe como uma coisa ambígua, com um significado de que posso tolerar algo e não verdadeiramente compreender ou tentar me colocar no lugar de outro para entender o que eles pensa, sente, tenta expressar, não vou me deter em questões semânticas. A mensagem desse dia é muito maior.

Pessoas se isolam em grupos, tribos, ideias, religiões, partidos políticos, torcidas de futebol e se tornam algumas vezes extremamente rígidas. Toda rigidez é uma proximidade da morte. Nada é igual eternamente. A vida é mutável, a vida é estrada, a vida é ter a capacidade de reinvenção dia a dia. Nada contra ter posições firmes. Eu as tenho e as defendo. Mas vejam bem, defender com argumentos, não com agressões. Tem gente que usa da ironia para ofender. Usa de palavras de baixo calão para ferir. Estamos nós, sociedade, muito extremados algumas vezes.   
A discriminação se faz presente nessa época de atitudes politicamente corretas de formas variadas. Em piadas sem graça, em agressões verbais ou físicas, em perseguição em forma de bullying
1 - Todas as pessoas têm direito à liberdade de pensamento, consciência e religião (Artigo 18);

2 - Todos têm direito à liberdade de opinião e expressão (Artigo 19)

3 - A educação deve promover a compreensão, a tolerância e a amizade entre todas as nações, grupos raciais e religiosos (Artigo 26) - Declaração Universal dos Direitos Humanos - Fonte


Talvez muitas dessas atitudes sejam por uma espécie de vácuo de ideais, uma transição na sociedade que estejamos atravessando. Uma das causas pode ser a extrema exposição a que todos estamos sendo vítimas e agentes. Ao mesmo tempo estamos sós, escrevendo em nossas casas, em nossos celulares, em nossos tablets, numa aparente conversa de dentro para dentro, mas estamos jorrando nosso eu para fora, expondo ao vento, ao ar e de uma tal maneira que nunca mais seremos donos de nossas ideias. Elas podem ser pegas, ser deturpadas, ser qualquer coisa. Pessoas se matam por terem exposto um pouco de sua intimidade sem pensar nas consequências. Antigamente, escrever num diário podia ser um motivo de risadas se fosse pego em mãos erradas. Eu mesma tive essa experiência quando leram o meu, em voz alta, para amigos comuns. Chorei dias. Semanas até. Mas era um circulo pequeno e caiu no esquecimento. Menos dentro de mim. Nem quero imaginar se isso fosse parar em um rede social da vida.

Essa transição talvez faça com que muitas pessoas se protejam entrando no seio de grupos. Esse é um comportamento social clássico. E se sintam fortes para entender que são melhores que outros que não estejam nesses grupos. O que essas pessoas muitas vezes não percebem é que se tornam muito semelhantes aos que destratam. O que vale nas pessoas é o que são, não o que dizem que são. Não existem gurus ou deuses, apenas os que colocamos em pedestais. Grandes pensadores foram homens iguais a nós, com as mesmas mesquinharias e grandezas. O que alguém pensou, escreveu e se tornou moda ou razão em uma época da humanidade pode não ser em todo verdade nos dias de hoje. Manter um distanciamento critico sempre é salutar. Até para não machucar quem não merece, os que sempre tem que colher as laranjas.

Em suma. Falta muito bom senso em muitas posições. Falta muito senso critico para não sair espalhando qualquer coisa que se ajuste às nossas convicções, sem checar a veracidade. Falta muita prática em muita teoria por aí. E principalmente falta tentar ver com outros olhos, mesmo que seja para reafirmar a sua verdade. Seja na vida pública ou privada. Me lembro um exercício que um terapeuta fazia com casais em crise. Cada um tinha que assumir o papel do outro e usar os argumentos do outro. Já testaram? É salutar.    

"Vamos lembrar que a tolerância começa com cada um de nós, todos os dias” Ban Ki-moon
  Autor : Elenara Leitão

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