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Sala de jantar para classe C - entrevista

Fui entrevistada pela jornalista Frances Baras para a revista Móbile Lojista sobre Salas de Jantar e Copas para classe C. Seguem as perguntas e respostas e a matéria que saiu revista 

  • Quais são os móveis imprescindíveis para compor a sala de jantar e a copa ideal? O que é fundamental pensar em termos de funcionalidade/beleza/conforto/espaço?
Falamos de um público que compra apartamentos cada dia mais compactos. E alguns com um agravante: são feitos com um tipo de estrutura que não permite quebra de paredes. Ou seja, não podemos usar mão de um dos grandes trunfos para aumentar um espaço: descompartimentalizar. Logo, recursos como usar as tão em moda cozinhas americanas não funcionam em todos os casos. Onde ele é possível, temos um ganho de espaço e a união dos conceitos de sala de jantar e copa com um ganho considerável em espaço. Mas onde ele não for viável, ainda seria interessante pensar em sala de jantar tradicional com cadeiras e um aparador imprescindível para apoio da mesa.

Uma característica que temos que levar em conta nessa nova classe C, que ascende no poder de consumo, é analisar como se dá o seu comportamento de compra. Ela tem um foco em produtos que sejam duráveis, já que não vão trocar com muita frequência, mas como sua aspiração é mais de inclusão que de diferenciação, o enfoque será em produtos com design mais elaborado, mas já estabelecido em outros setores mais abonados.

As compras não são feitas por impulso, mas por necessidade. Então móveis bonitos, funcionais, confortáveis, duráveis serão analisados e escolhidos. Embora o preço seja importante, ele não está à frente da qualidade. E outro fator que tende a se tornar cada dia mais elegível, móveis com sustentabilidade. Certificados e materiais verdes devem ganhar cada dia mais visibilidade na hora da escolha. Desde que sejam acessíveis ao bolso. 


Outro fato a ser levado em consideração é a multifuncionalidade. Móveis que possam exercer várias funções. Os espaços menores e o uso do trabalho em casa, via informática, faz com que mesas virem escritórios, que devem logo ser retransformadas em mesas e assim por diante.

  • Na sua avaliação, como as empresas fabricantes destes móveis em série evoluíram pensando nestes aspectos (funcionalidade/beleza/espaço) nos últimos anos?
Como o enfoque da qualidade passou a ser mais importante a cada ano, o cuidado com os materiais, acabamento e design também se tornou mais apurado por parte das empresas. Dos meros módulos que podiam ser componíveis, já que os espaços iam sendo montados de acordo com o orçamento doméstico e de algum aproveitamento de ideias externas, o projeto do produto passou a ser um dado importante. O design mais elaborado, mas sem esquecer as peculiaridades culturais e regionais conta ponto na hora da escolha. Falar uma linguagem que já esteja sendo usada pelas classes mais altas, mas sem imita-las. Redesenhar tendências com uma cultura mais brasileira pode ser um grande diferencial. E ganha quem apostar em projetistas nacionais que espelhem essa realidade.
  • Quais os materiais mais utilizados na fabricação destes móveis à venda no varejo?
Muitos dos móveis hoje no mercado usam materiais iguais ou semelhantes aos usados em móveis mais caros. Mas com um diferencial: são usados de maneira a baratear o produto final sem que ele perca muito em qualidade. Os móveis são em geral menores, mais estreitos, mais baixos (até em função dos espaços também). Lâminas usadas são mais finas, acabamentos usam as mesmas tonalidades mudando não a resistência, mas o preço. Há uma demanda por ferragens modernas que permitam gavetas deslizantes e multifunções. A tal história da qualidade em um preço acessível.
  • É possível falar em evolução do design nos lançamentos das indústrias de móveis seriados nos últimos anos, em razão das características e maior potencial de consumo da nova classe C?
Não sei se evolução seria a palavra chave já nesse momento. Ainda não vejo um verdadeiro projeto de produto sendo feito especificamente para essa parcela da população. Com algumas honrosas exceções. Um estudo detalhado das aspirações, necessidade e cultura dessa camada poderiam gerar produtos realmente inovadores que seriam não apenas acessíveis economicamente, mas também inovadores e criativos.

Como profissional que trabalha em interiores e reformas, acompanho o antes, o durante e o depois da escolha e compra dos móveis. E noto que nem todas as empresas dão a devida atenção para o pós venda. Estamos falando de um público emergente, mas bastante informado e exigente em serviços e atendimento. Não adianta fazer um produto bonito, mas que peque no acabamento ou montagem. Não adianta focar em preço e condições, se o cliente se sente abandonado após a compra se houver algum problema. Enfoque na produção para evitar retrabalho e eficiente atendimento pós venda são itens que podem ser um diferencial importante. E para o profissional de interiores, que já atende essa parcela da população, é um grande argumento de vendas.




Quer ler a matéria que saiu na revista? Está super interessante e além de mim, tem opinião da colega Arquiteta Kaisa Isabel Santos. Veja AQUI




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