Quando o clima muda, quem cuida de quem envelhece?

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Gosto de caminhar pelas ruas de minha cidade. Moro há 50 anos nesta Porto que já foi mais alegre. Envelheci caminhando pelas lombas e ruas que eram corredores verdes, luta de quem subia em árvores e das pessoas que se reuniam aos vizinhos para lutar pelo seu entorno. A cidade também envelheceu. As concepções urbanas de conquistas ambientais meio que se perdem na memória dos transeuntes apressados. Dizer um bom dia já causa mais espanto que sorrisos. Todos correm na cidade que acumula poças de água em dias de chuva cada vez mais frequentes. E podas cada vez mais catastróficas. Temo imaginar como será no verão.  Pelo que leio dos verões em outros hemisférios, há cada vez mais ondas extremas. Fico imaginando onde encontrar sombras, cada vez mais escassas. Assim como bancos públicos, sem falar das calçadas com seus  desníveis conhecidos, aqueles que a gente aprende a evitar depois de alguns tropeços. Imagine os novos. Aqueles consertos de empresas, meio mal feitos, que logo são de...

Zetética - a capacidade de questionar

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Essa semana estava envolvida em uma discussão debate no Twitter e fui apresentada ao conceito de Zetética. Confesso que nunca tinha ouvido falar, afinal é uma teoria mais ligada ao campo jurídico.
"A Teoria zetética do Direito pode ser entendida pela oposição à Teoria dogmática do Direito, onde determinados conceitos e fatos são simplesmente aceitos como dogmas. Em oposição, a zetética coloca o questionamento como posição fundamental, isso significa que qualquer paradigma pode ser investigado e indagado. Qualquer premissa tida como certa pela dogmática pode ser reavaliada, alterada e até desconstituída pelo ponto de vista zetético. "

"A palavra "zetética" possui sua origem no grego zetein que significa perquirir, enquanto "dogmática" origina também do grego dokein, ou seja, doutrinar".wikipedia


 Mas eu me identifiquei bastante. Bem mais do que com um posicionamento dogmático. Por natureza não tenho vocação para me apegar ferrenhamente a um ideia ou ideias, e segui-las dogmaticamente. Gosto de uma visão mais abrangente, gosto de ler sobre tudo, gosto dos questionadores. A verdade é um conceito muito sutil e, para mim, depende do ponto de vista do interlocutor. Mas isso também não é dogma. 

Só porque alguém escreveu algo  e isso se tornou moda, se tornou verdade, se tornou religião, doutrina, etc, não quer dizer que seja verdade absoluta. A vida caminha, o que serve para mim, pode não servir para outra pessoa.     
E se penso assim na vida em geral, isso se reflete nos meus trabalhos e no que acho bonito. Me lembro de outro debate essa semana sobre o uso ou não de forros escuros. Gente, o teto de meu quarto é marrom. Pintei assim uma dezena de anos e gostei. Me dá uma sensação de aconchego. Mesmo que já tenha passado a moda deles, ainda serve para mim.  

E separei alguns exemplos, inclusive em dormitórios infantis onde ele funciona super bem. Não sigo uma posição dogmática em arquitetura. A escolha das cores e revestimentos segue um conceito que é individual a cada cliente e programa. E ousadias são bem vindas sempre. Como na vida.
 Então, entre o questionamento e a doutrina fico sem dúvida com o primeiro. Nem que seja para ratificar o que eu já pensava sobre o assunto. Por isso sou a favor das democracias, sou a favor de ter várias versões e opiniões para que possamos formar a nossa. Com mais conteúdo e consistência.
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