Pular para o conteúdo principal

Madeira de Demolição - moda ou atitude


Falei aqui sobre vários projetos utilizando madeira de demolição. 

Ela tem um efeito super charmoso e é um aproveitamento bem legal de algo que poderia ir parar no lixo ou no fogo. 

Mas...

Tudo tem dois lados. A Maria Alice Miller, do blog Casa com Design  trouxe a baila em um grupo do Facebook um texto bem polêmico que alerta para um lado do uso da madeira de demolição. 

Veja AQUI o texto completo.  Chama-se Madeira de Demolição, porque não usar de Daniel Maia Marques.

Quando o aproveitamento, mais que um reúso de algo que iria fora, se torna moda e passa a ser especificado por arquitetos e designers e gera demanda, ele acaba subvertendo a ideia de sustentabilidade e pode gerar maior predação da natureza. 

Sem contar que não temos a completa certeza de que o que nos vendem por madeira certificada ou de demolição seja exatamente o que imaginamos que seja. 

E é complicado para quem está na cidade saber se algo é feito realmente com manejo sustentável ( e digo isso por uma mensagem que me alertava sobre um post do blog - assunto sobre o qual quero pesquisar melhor antes de postar). 

Outro cuidado é com a indústria do móvel velho. Ou seja, um mais novinho que sofre uma maquiagem ao contrário para parecer oriundo da casa da vovó. 

Sim, porque vivemos em uma sociedade complexa. 
 
Se nós temos que ser cada dia mais jovenzinhos, nossos objetos e lares ganham um charme extra se forem velhinhos. 

Ou parecerem ser.

Não seria mais lógico também valorizar ruguinhas e cabelos brancos ? 

Não seriam as pessoas mais velhas também carregadas de sustentabilidade afetiva? 
 
Não seria uma atitude ecológica valorizar conhecimento e experiência?

Por isso eu digo e repito: Ecologia não é moda. 

Ser sustentável é AGIR com sustentabilidade. 

Mais que vestir roupa reciclada, morar em conteiner ou pagar caro por um móvel de madeira certificada que nem sempre é prático, ser sustentável é não consumir em excesso. 

É não desperdiçar. 

É ser educado e generoso não só com a natureza, mas com as pessoas e animais que a habitam.

Eu continuo a achar muito interessante reúsar portas, janelas, tudo o que for possível ser reciclado. Mas acho ainda mais interessante que isso não seja apenas uma moda de parecer ser, mais do que o ser realmente. Me lembra um pouco aquela coisa de poor rich. Usar calça carésima toda rasgada - e comprada assim, para parecer não ser rico (o que era na verdade quem podia comprar uma calça assim) e posar de simplesinho quando na verdade estava pagando pelo glamour de parecer ser algo que não era.


Separei algumas ideias de aproveitamento. Se você tem alguma esquadria que possa ser reusada, pode se inspirar nas imagens. Aparadores, móveis, mesas, portas de armários ou portas de verdade. A criatividade corre solta.

Mas, uma coisa é usar um objeto em uma caso específico. Outro é a responsabilidade de especificar um determinado tipo de material. A diferença do artesanato para a produção. E é escala de produção que temos que repensar os materiais.

Por isso  repense você. 

Antes de comprar um carro novo, antes de comprar um novo celular ou novo alguma coisa quando o antigo ainda funciona bem. Antes de trocar e trocar. Antes de escolher o produto com a embalagem bonita mas que que não serve para nada, a não ser para fazer um artesanato para dizer que reciclou...

 Lembre que:

"Sustentabilidade é agredir o ambiente de forma mais lenta"

   
 Fontes das fotos
http://jewelsathome.com/2012/10/15/renters-dilemma-covering-a-large-doorway/
http://simplynaturaldecor.blogspot.com.br/2009/07/can-new-home-have-character.html
http://pinterest.com/misslady64/salvaged-doors/
http://pinterest.com/Projectqueen1/salvaged-doors/
http://pinterest.com/lovefamandhome/salvaged-doors-windows/

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Slim Fit, uma micro casa que tem muito espaço

  Uma micro casa vertical de 50m², vencedora do Design Awards 2018 na cateHabitat, chamada de SLIM FIT House pela arquiteta portuguesa radicada na Holanda, Ana Rocha , é uma proposta de moradia permanente para pessoas que moram sós nas grandes cidades. Segundo o site da arquiteta, a micro-residência, que ocupa menos que duas vagas de estacionamento, tem como conceito ser projetada " para o grupo crescente de solteiros que preferem a localização ao invés do tamanho, e que desejam viver de forma compacta, mas confortável, durável, cheia de identidade e, acima de tudo, centralmente em contextos urbanos." A casa vertical joga bem com a equação sensação de espaço e economia de metragem. Setoriza área de alimentação, refeições e despensa no térreo. Uma escada, sutilmente mesclada a um armário estante faz a ligação aos outros andares. No segundo, um estar e dormitório e banheiro no terceiro.     Fotos: Christiane Wirth Nos siga também nas redes sociais Twitter   Flipboard   Faceboo

Transformando um problema em solução - impressão 3D

Uma cabana feita com impressão 3D usando concreto e uma madeira que era imprestável, porque destruída por um inseto invasor, é o projeto realizado pelos professores de arquitetura, Leslie Lok e Sasa Zivkovic, da Cornell University. O Emerald Ash Borer é um besouro que ataca bilhões de freixos em todos os Estados Unidos e as inutiliza para o uso comercial. fazendo com que as árvores infestadas sejam queimadas ou simplesmente largadas como refugo. Foi pensando neste problema que os pesquisadores da HANNAH chegaram a essa solução de aproveitamento da madeira para construção. Para tanto construíram uma plataforma robótica para processar essa madeira que seria descartada. Como isso foi feito? Usando um braço robótico que antes construía carros e foi adaptado para dar forma à madeira, aliado a um sistema de impressão 3D que usa uma quantidade mínima necessária de concreto. O resultado? Fotos: HANNAH / Andy Chen / Reuben Chen Nos siga também nas redes sociais Twitter   Flipboard   Facebook  

John Lautner - um arquiteto que aliou beleza à funcionalidade

Walstrom House Gosto de pesquisar casas com um toque de aconchego e que possam servir de inspiração para futuras residências compartilhadas com amigos , e esta imagem me chamou a atenção no  pinterest . Pensamos em algo no estilo Tiny Houses , mas não descartamos ideias incríveis como as desta casa. Olhando o interior, me apaixonei e fui em busca de mais informações sobre ela e seu autor. Foi assim que descobri John Lautner .   Walstrom House - foto de Jon Buono Esta casa de madeira, batizada de Walstrom House, foi construída em 1969, em Santa Monica, na Califórnia. Seu arquiteto foi  John Lautner , um dos primeiros aprendizes de Frank Lloyd Wright, no primeiro grupo de Taliesin Fellows. Nascido em 1911, e sendo sua mãe, Catheleen Gallagher, desenhista de interiores e talentosa pintora, a teve como influência na sua opção pela arquitetura.  Sua carreira foi marcada por grandes aprendizados. Além do mestre FLW, também manteve parcerias com Samuel Reisbord, Whitney R. Smith e Douglas H

Redes sociais, o aprendizado e as interações perdidas e achadas

Sim que a vida digital trouxe uma série de vantagens em nossas vidas. Posso ser jurássica e em muitos casos, ainda analógica, mas amo uma interação social e profissional virtual. Um dos grandes locais onde conheci vários amigos super queridos, profissionais, que tanto me acrescentaram, foi o grupo de Arquitetura do Yahoo. Lembro até hoje quando li em uma revista de arquitetura sobre ele, me inscrevi e lá estava eu no meio de debates de todas as matizes e locais. Por isso senti profundamente quando os grupos daquela plataforma foram extintos.  Leia também  Nuvem passageira Por sorte, também sou acumuladora em redes virtuais . Meu espaço de email guarda uma série de debates desde 2005. Às vezes volto a eles e constato o quanto tem de assuntos relevantes, inclusive para os dias atuais. Fazendo uma breve reflexão tendo a pensar que, nesses 15 anos de interação virtual e convivência em redes, perdemos muito em profundidade de debates, embora tenhamos crescido em possibilidades. Lógico que f