A casa também envelhece com quem mora nela

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Conheci o arquiteto e urbanista Ciro Férrer em uma live sobre GeroArquitetura, onde ele falou como nasceu a sua vivência neste campo: foi cuidador da sua avó por cinco anos. Aquela experiência transformou a sua visão de ver a arquitetura não apenas como técnica, mas principalmente como uma missão humana. Eu senti uma empatia com a sua história porque é bem semelhante com a minha. Cuidei e acompanhei meus pais em época de maior fragilidade por cerca de vinte anos. E também como ele, percebi que a arquitetura deve ser uma ferramenta de resgate. De que o projetar não deve ser apenas para o momento presente, mas para ser uma prevenção e garantia de que você, nosso cliente, continue sendo o protagonista da sua própria vida, com a dignidade que merece e sem depender excessivamente de filhos, familiares ou amigos. Fui me aprofundar mais sobre a prática e a teoria de Ciro Férrer e isso me fez pensar em algo que observo há muitos anos na prática profissional. Costumamos imaginar o envelhecimen...

Banquete na Torre de Babel

Fonte
O que fazer em uma quinta a noite de janeiro em Porto Alegre? 

Conhecer um pouco mais a Babilônia, sua escrita e seu cotidiano. E tudo isso regado a bons vinhos, excelente comida e ainda conhecendo pessoas cultas e interessantes. 

Como? 

Indo a um Banquete Clio.

Quando se fala em Babilônia logo nos vem a mente os jardins suspensos. Ao lado uma representação do que se imagina que tenham sido. Mas não foi sobre eles que a Dra. Kátia Pozzer nos falou e sim sobre a escrita e de como se formavam os verbos ou palavras a partir de outras. Algo assim como pegar os símbolos de boca e mão e gerar o verbo - rezar ou orar. E uma das mais lindas, o que seria a descrição de um chefe de cozinha: aquele que torna uma comida bonita. Perfeito!
E através dessa descrição nos passava um pouco da cultura daquele povo. 

Porta de Ishtar
Eu sou uma apaixonada por História, principalmente a história do cotidiano, de como a gente pode sentir que se formavam as sociedades, como elas viviam, o que valorizavam. Não consigo conceber estudar uma obra ou uma cidade sem a situar na sua cultura e no seu tempo.

Uma relação muito interessante que ouvi lá é que as portas (e Babilônia tinha várias) representavam para as cidades mesopotâmicas o mesmo que a Ágora para as gregas. Era o ponto de reunião, o compartilhamento. E eram majestosas ! Os povos desse local inventaram a técnica do tijolo esmaltado (a origem dos azulejos que veio até nós brasileiros via Portugal que o herdou dos árabes que habitaram as regiões próximas). 


Zigurate inspirou a sobremesa
As construções mais conhecidas para nós são os zigurates. Montanhas de tijolos, com uma imensa escadaria, que levava a um templo na parte superior. Esses prédios tinham como objetivo aproximar homens e deuses, tornar possível a que esses últimos pudessem descer com maior facilidade para cuidar dos humanos.

A comida era refinada, a base de grãos e existem muitas indicações de receitas da época. Vimos imagens de conjuntos de mesa, inclusive uma panela coador, já que muitas de suas comidas exigiam que se tirasse o caldo. Sua bebida básica era a cerveja. E o vinho era um alimento nobre e representado pela simbologia do bem viver. 

Impressionante o apuro dos objetos, dos afrescos em alto relevo. Uma civilização fantasticamente sofisticada.

Palestrante - Dra. Kátia Pozzer Cidades Mesopotâmicas - História e Representações

E após a palestra fomos brindados com um banquete maravilhoso, cujas fotos e descrição coloquei abaixo.      


Gastronomia - Leonardo Magni e Liliana Andriola.

Cardápio

Coquetel de boas-vindas | Portal de Ishtar

Espetinho de tâmara e bacon
Tostada de queijo de cabra e maçã confitada
Espetinho de porco, repolho e cebola cristal

Entrada | Salada Assíria

Salada de grãos, peixe branco curado, avelãs e frutas secas com vinagrete de romã
Harmonização: Riesling Trocken Anselmann | Vinícola: Anselmann – Pfalz, Alemanha

Prato principal | Risoto Babilônia

Risoto de camembert com uvas frescas, amêndoas e lascas de cordeiro
Harmonização: Rejadorada Roble | Vinícola: Bodega Rejadorada – Toro, Espanha

Sobremesa | Delícias de Nínive
Crocante de mel, sorvete de iogurte com passas de pera Harmonização: Espumante Joaquim Blanc de Noir Brut | Vinícola: Villa Francioni – São Joaquim, Brasil


E uma das coisas mais bacanas desses encontros é a oportunidade de conhecer pessoas fantásticas já que as mesas são de dez lugares. Ontem fui sozinha e ao final da sobremesa já tinha conversado e descoberto dicas ótimas que compartilho com vocês:

  • Um site de História que uma professora usa para auxiliar as aulas com vídeos e artigos muito bons -  http://www.historiadigital.org/ 
  • A existência de um Museu Egipcio em Curitiba  
  • Uma coleção de arqueologia, inclusive egípcia, no Museu Nacional do RJ
  • Relatos de viagens ao Parque Nacional da Serra da Capivara, um paraíso para quem quer conhecer a real história rupestre do Brasil. 
  • Uma indicação de livro:  A CARNE E O SANGUE - A imperatriz D. Leopoldina, D. Pedro I e Domitila, a Marquesa de Santos um romance histórico sobre os personagens da história brasileira
E fica aqui uma pergunta: Aprender História não deveria sempre ser uma atividade lúdica, algo que desperte todos os sentidos? Não precisa ser um banquete sempre, mas usar recursos que despertem a curiosidade, o interesse, o se sentir dentro dos acontecimentos?


Fontes das fotos http://marciag-arte.blogspot.com.br/2010/04/arte-mesopotamica.html
http://rlpsiqueira.blogspot.com.br/2010/05/porta-de-ishtar.html
Fotos do banquete Elenara Stein Leitão

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