Arquitetura, longevidade e o afeto como tecnologia

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Minha jornada é feita de arquitetura, escritas, buscas de pesquisadora e o ato de comunicar. Tudo junto. Amalgamado. São essas as moradas onde habito e onde meus sentimentos criam raízes.   Entre plantas baixas, livros, encontros intergeracionais e projetos coletivos, fui encontrando um eixo comum: o afeto como tecnologia humana. Esta percepção sustenta meu trabalho e define minha atuação entre a técnica e a escuta, entre os espaços e a cidade que temos e os que precisamos construir. Fundamentos Técnicos e o Olhar para o Futuro Sou arquiteta formada pela UFRGS (1982), com especialização em Engenharia de Produção focada na construção civil pela mesma instituição (1998). Esta base técnica me permite atuar com precisão na criação de ambientes seguros, onde o desenho arquitetônico serve como suporte para a autonomia ao longo da vida.  Minha prática profissional hoje é dedicada à pesquisa em gerontoarquitetura e ao conceito de aging in place, a capacidade de viver em sua própr...

Banquete na Torre de Babel

Fonte
O que fazer em uma quinta a noite de janeiro em Porto Alegre? 

Conhecer um pouco mais a Babilônia, sua escrita e seu cotidiano. E tudo isso regado a bons vinhos, excelente comida e ainda conhecendo pessoas cultas e interessantes. 

Como? 

Indo a um Banquete Clio.

Quando se fala em Babilônia logo nos vem a mente os jardins suspensos. Ao lado uma representação do que se imagina que tenham sido. Mas não foi sobre eles que a Dra. Kátia Pozzer nos falou e sim sobre a escrita e de como se formavam os verbos ou palavras a partir de outras. Algo assim como pegar os símbolos de boca e mão e gerar o verbo - rezar ou orar. E uma das mais lindas, o que seria a descrição de um chefe de cozinha: aquele que torna uma comida bonita. Perfeito!
E através dessa descrição nos passava um pouco da cultura daquele povo. 

Porta de Ishtar
Eu sou uma apaixonada por História, principalmente a história do cotidiano, de como a gente pode sentir que se formavam as sociedades, como elas viviam, o que valorizavam. Não consigo conceber estudar uma obra ou uma cidade sem a situar na sua cultura e no seu tempo.

Uma relação muito interessante que ouvi lá é que as portas (e Babilônia tinha várias) representavam para as cidades mesopotâmicas o mesmo que a Ágora para as gregas. Era o ponto de reunião, o compartilhamento. E eram majestosas ! Os povos desse local inventaram a técnica do tijolo esmaltado (a origem dos azulejos que veio até nós brasileiros via Portugal que o herdou dos árabes que habitaram as regiões próximas). 


Zigurate inspirou a sobremesa
As construções mais conhecidas para nós são os zigurates. Montanhas de tijolos, com uma imensa escadaria, que levava a um templo na parte superior. Esses prédios tinham como objetivo aproximar homens e deuses, tornar possível a que esses últimos pudessem descer com maior facilidade para cuidar dos humanos.

A comida era refinada, a base de grãos e existem muitas indicações de receitas da época. Vimos imagens de conjuntos de mesa, inclusive uma panela coador, já que muitas de suas comidas exigiam que se tirasse o caldo. Sua bebida básica era a cerveja. E o vinho era um alimento nobre e representado pela simbologia do bem viver. 

Impressionante o apuro dos objetos, dos afrescos em alto relevo. Uma civilização fantasticamente sofisticada.

Palestrante - Dra. Kátia Pozzer Cidades Mesopotâmicas - História e Representações

E após a palestra fomos brindados com um banquete maravilhoso, cujas fotos e descrição coloquei abaixo.      


Gastronomia - Leonardo Magni e Liliana Andriola.

Cardápio

Coquetel de boas-vindas | Portal de Ishtar

Espetinho de tâmara e bacon
Tostada de queijo de cabra e maçã confitada
Espetinho de porco, repolho e cebola cristal

Entrada | Salada Assíria

Salada de grãos, peixe branco curado, avelãs e frutas secas com vinagrete de romã
Harmonização: Riesling Trocken Anselmann | Vinícola: Anselmann – Pfalz, Alemanha

Prato principal | Risoto Babilônia

Risoto de camembert com uvas frescas, amêndoas e lascas de cordeiro
Harmonização: Rejadorada Roble | Vinícola: Bodega Rejadorada – Toro, Espanha

Sobremesa | Delícias de Nínive
Crocante de mel, sorvete de iogurte com passas de pera Harmonização: Espumante Joaquim Blanc de Noir Brut | Vinícola: Villa Francioni – São Joaquim, Brasil


E uma das coisas mais bacanas desses encontros é a oportunidade de conhecer pessoas fantásticas já que as mesas são de dez lugares. Ontem fui sozinha e ao final da sobremesa já tinha conversado e descoberto dicas ótimas que compartilho com vocês:

  • Um site de História que uma professora usa para auxiliar as aulas com vídeos e artigos muito bons -  http://www.historiadigital.org/ 
  • A existência de um Museu Egipcio em Curitiba  
  • Uma coleção de arqueologia, inclusive egípcia, no Museu Nacional do RJ
  • Relatos de viagens ao Parque Nacional da Serra da Capivara, um paraíso para quem quer conhecer a real história rupestre do Brasil. 
  • Uma indicação de livro:  A CARNE E O SANGUE - A imperatriz D. Leopoldina, D. Pedro I e Domitila, a Marquesa de Santos um romance histórico sobre os personagens da história brasileira
E fica aqui uma pergunta: Aprender História não deveria sempre ser uma atividade lúdica, algo que desperte todos os sentidos? Não precisa ser um banquete sempre, mas usar recursos que despertem a curiosidade, o interesse, o se sentir dentro dos acontecimentos?


Fontes das fotos http://marciag-arte.blogspot.com.br/2010/04/arte-mesopotamica.html
http://rlpsiqueira.blogspot.com.br/2010/05/porta-de-ishtar.html
Fotos do banquete Elenara Stein Leitão

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