Quando o clima muda, quem cuida de quem envelhece?

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Gosto de caminhar pelas ruas de minha cidade. Moro há 50 anos nesta Porto que já foi mais alegre. Envelheci caminhando pelas lombas e ruas que eram corredores verdes, luta de quem subia em árvores e das pessoas que se reuniam aos vizinhos para lutar pelo seu entorno. A cidade também envelheceu. As concepções urbanas de conquistas ambientais meio que se perdem na memória dos transeuntes apressados. Dizer um bom dia já causa mais espanto que sorrisos. Todos correm na cidade que acumula poças de água em dias de chuva cada vez mais frequentes. E podas cada vez mais catastróficas. Temo imaginar como será no verão.  Pelo que leio dos verões em outros hemisférios, há cada vez mais ondas extremas. Fico imaginando onde encontrar sombras, cada vez mais escassas. Assim como bancos públicos, sem falar das calçadas com seus  desníveis conhecidos, aqueles que a gente aprende a evitar depois de alguns tropeços. Imagine os novos. Aqueles consertos de empresas, meio mal feitos, que logo são de...

Dica de livro - Atado de ervas

Estava procurando um livro para dar de presente para meu pai que fez aniversário por esses dias e quando já tinha comprado um sobre a vida de Santos Dumont, passei na farmácia (!) e achei esse livro em oferta. O nome me chamou a atenção e fui ler sobre o que era ....

ATADO DE ERVASAna Mariano

O livro compõe um grande mosaico da vida campeira, do galpão de estância à sala de jantar, tendo como pano de fundo episódios reais que marcaram o Rio Grande do Sul e o Brasil em meados do século XX. Figuras históricas como Getúlio Vargas e João Goulart – tratados como estancieiros amigos da família – surgem nas notícias de rádio, sinalizando tempos de profundas mudanças no campo e na cidade.
Em uma prosa rica, que impressiona pela beleza das imagens que cria, Ana Mariano escolhe palavras precisas para tecer uma trama envolvente, em que as vidas de muitos se somam para contar uma mesma história: como se vivia e morria em uma estância de um passado não tão distante,em que os modos de vida e o espírito daquela época também são protagonistas.
E como todo livro estabelece comigo uma relação de parceria, ele me capta ou não, não resisti ao impulso e comprei. Nada sabia da autora, mas algo me assoprou que devia ser bom. E era !
Um romance que vai permeando a vida familiar e campeira com acontecimentos históricos, mas de maneira poética e que, retratando a aldeia, se torna universal porque fala das paixões, das fraquezas, das força e sonhos/esperanças dos personagens. Em alguns me senti retratada, em muitos me senti solidária. Leitura ágil, quase poética (não sem motivo, o primeiro livro da autora foi de poemas). Em algo me lembrou Luis Antonio de Assis Brasil, mas sem ser cópia, é referência.
Acabei a leitura essa madrugada. Todo bom livro é assim, te captura até a última palavra. E deixa saudades.   

Comentários

  1. Grande sugestão, obrigado!

    Oscar

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  2. Livro muito bom, antes de acabar de ler o livro eu já estava com saudades.
    Concondo que o estilo lembra outro escritores gauchos.

    Natalia

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