O espaço que envelhece com você: o que a arquitetura tem a ver com os seus próximos 30 anos

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Imaginemos uma manhã comum em qualquer cidade por aí: alguém acorda, vai ao banheiro no escuro, tropeça no batente que nunca incomodou tanto antes, segura a parede porque não há barra de apoio, e pensa que está ficando velho. Não está. Está vivendo num espaço que nunca foi pensado para o corpo que ele tem hoje. Esse é o ponto que me interessa. Envelhecer todos (os que tiverem sorte) vão. Mas até que ponto a arquitetura ignora estes processos? As projeções nos dizem que o Brasil vai ter 58 milhões de pessoas com mais de 60 anos em 2060. E o que estamos construindo para receber esse contingente? Apartamentos com corredores de 80 centímetros. Banheiros onde dois adultos mal conseguem se virar. Entradas sem rampas. Calçadas que parecem ter sido projetadas para testar equilíbrio. A cidade, como eu costumo repetir por aqui, nunca te viu. E a maioria dos lares também não. "Aging in place" não é um conceito de design escandinavo importado para Instagram. É o direito de permanecer no ...

Dica de livro - Atado de ervas

Estava procurando um livro para dar de presente para meu pai que fez aniversário por esses dias e quando já tinha comprado um sobre a vida de Santos Dumont, passei na farmácia (!) e achei esse livro em oferta. O nome me chamou a atenção e fui ler sobre o que era ....

ATADO DE ERVASAna Mariano

O livro compõe um grande mosaico da vida campeira, do galpão de estância à sala de jantar, tendo como pano de fundo episódios reais que marcaram o Rio Grande do Sul e o Brasil em meados do século XX. Figuras históricas como Getúlio Vargas e João Goulart – tratados como estancieiros amigos da família – surgem nas notícias de rádio, sinalizando tempos de profundas mudanças no campo e na cidade.
Em uma prosa rica, que impressiona pela beleza das imagens que cria, Ana Mariano escolhe palavras precisas para tecer uma trama envolvente, em que as vidas de muitos se somam para contar uma mesma história: como se vivia e morria em uma estância de um passado não tão distante,em que os modos de vida e o espírito daquela época também são protagonistas.
E como todo livro estabelece comigo uma relação de parceria, ele me capta ou não, não resisti ao impulso e comprei. Nada sabia da autora, mas algo me assoprou que devia ser bom. E era !
Um romance que vai permeando a vida familiar e campeira com acontecimentos históricos, mas de maneira poética e que, retratando a aldeia, se torna universal porque fala das paixões, das fraquezas, das força e sonhos/esperanças dos personagens. Em alguns me senti retratada, em muitos me senti solidária. Leitura ágil, quase poética (não sem motivo, o primeiro livro da autora foi de poemas). Em algo me lembrou Luis Antonio de Assis Brasil, mas sem ser cópia, é referência.
Acabei a leitura essa madrugada. Todo bom livro é assim, te captura até a última palavra. E deixa saudades.   

Comentários

  1. Grande sugestão, obrigado!

    Oscar

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  2. Livro muito bom, antes de acabar de ler o livro eu já estava com saudades.
    Concondo que o estilo lembra outro escritores gauchos.

    Natalia

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