Renomear a arquitetura: quando a teoria precisa olhar para a vida

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Há livros de arquitetura que nos ajudam a entender melhor projetos e/ou a trajetória de um profissioal. Há outros que ajudam a entender melhor a própria arquitetura.  Renomear a arquitetura em sua evolução técnica, formal e ética (Editora Olhares) , do  renomado arquiteto catalão Josep Maria Montaner, pertence à segunda categoria. Fazia um tempo que um livro de teoria não me pegava tanto para a leitura e reflexão. Um dos motivos é que, depois de tantos anos trabalhando com arquitetura, uma questão continua me acompanhando desde sempre: para quem estamos projetando? A pergunta parece simples. Talvez até óbvia. Mas basta lançar um olhar mais crítico para nossas cidades, nossas casas e nossos edifícios para perceber que esta pergunta ainda está longe de ser respondida de maneira satisfatória. Quem circula por esses espaços? Quem consegue permanecer neles? Quem é considerado quando uma calçada é desenhada, quando uma moradia é planejada, quando se define a altura de uma banca...

Dica de livro - Atado de ervas

Estava procurando um livro para dar de presente para meu pai que fez aniversário por esses dias e quando já tinha comprado um sobre a vida de Santos Dumont, passei na farmácia (!) e achei esse livro em oferta. O nome me chamou a atenção e fui ler sobre o que era ....

ATADO DE ERVASAna Mariano

O livro compõe um grande mosaico da vida campeira, do galpão de estância à sala de jantar, tendo como pano de fundo episódios reais que marcaram o Rio Grande do Sul e o Brasil em meados do século XX. Figuras históricas como Getúlio Vargas e João Goulart – tratados como estancieiros amigos da família – surgem nas notícias de rádio, sinalizando tempos de profundas mudanças no campo e na cidade.
Em uma prosa rica, que impressiona pela beleza das imagens que cria, Ana Mariano escolhe palavras precisas para tecer uma trama envolvente, em que as vidas de muitos se somam para contar uma mesma história: como se vivia e morria em uma estância de um passado não tão distante,em que os modos de vida e o espírito daquela época também são protagonistas.
E como todo livro estabelece comigo uma relação de parceria, ele me capta ou não, não resisti ao impulso e comprei. Nada sabia da autora, mas algo me assoprou que devia ser bom. E era !
Um romance que vai permeando a vida familiar e campeira com acontecimentos históricos, mas de maneira poética e que, retratando a aldeia, se torna universal porque fala das paixões, das fraquezas, das força e sonhos/esperanças dos personagens. Em alguns me senti retratada, em muitos me senti solidária. Leitura ágil, quase poética (não sem motivo, o primeiro livro da autora foi de poemas). Em algo me lembrou Luis Antonio de Assis Brasil, mas sem ser cópia, é referência.
Acabei a leitura essa madrugada. Todo bom livro é assim, te captura até a última palavra. E deixa saudades.   

Comentários

  1. Grande sugestão, obrigado!

    Oscar

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  2. Livro muito bom, antes de acabar de ler o livro eu já estava com saudades.
    Concondo que o estilo lembra outro escritores gauchos.

    Natalia

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