Quando o clima muda, quem cuida de quem envelhece?

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Gosto de caminhar pelas ruas de minha cidade. Moro há 50 anos nesta Porto que já foi mais alegre. Envelheci caminhando pelas lombas e ruas que eram corredores verdes, luta de quem subia em árvores e das pessoas que se reuniam aos vizinhos para lutar pelo seu entorno. A cidade também envelheceu. As concepções urbanas de conquistas ambientais meio que se perdem na memória dos transeuntes apressados. Dizer um bom dia já causa mais espanto que sorrisos. Todos correm na cidade que acumula poças de água em dias de chuva cada vez mais frequentes. E podas cada vez mais catastróficas. Temo imaginar como será no verão.  Pelo que leio dos verões em outros hemisférios, há cada vez mais ondas extremas. Fico imaginando onde encontrar sombras, cada vez mais escassas. Assim como bancos públicos, sem falar das calçadas com seus  desníveis conhecidos, aqueles que a gente aprende a evitar depois de alguns tropeços. Imagine os novos. Aqueles consertos de empresas, meio mal feitos, que logo são de...

O Plano dos bebês brancos - atitudes sustentáveis


E antes que vocês achem esse nome politicamente incorreto, ele vem de uma movimento de jovens holandeses na década de 60, os Provos, que acreditavam na ação comunitária e libertária como uma maneira de mexer e mudar o statos quo. O nome pelo que vi na internet, veio em contraponto às galinhas azuis (maneira como eram conhecidos os policiais holandeses). Eles começaram espalhando galinhas brancas. E depois vieram outras ações "brancas". Uma delas se espalhou pelo mundo, não bem como eles imaginavam, mas hoje se vem bicicletas à disposição de muitas pessoas mediantes uma pequena taxa ou inscrição. O que eles imaginavam era um pouco (bem) diferente nos planos brancos. Veja AQUI


Enfim, o Rafael Renehr é um médico, super gente fina, que acredita em ações concretas e comunitárias para sensibilizar e transformar o mundo. E com o nascimento do Conrado, seu segundo filho, ele está propondo as ações abaixo, que achei fantásticas e quis compartilhar com vocês porque:


_ Estamos comemorando o Natal. Que é : O nascimento de uma criança. E se a gente fizer essa comemoração com algumas das ações propostas pelo Rafael ? O que acham ? E adoraria se contassem aqui, nos seus blogs, por e-mail o que vocês fizeram para que esse nascimento fosse um hino ao crescimento de todos nós. 




O Plano dos Bebês Brancos (uma homenagem ao nascimento do Conrado)

Levando em conta que o nascimento de um bebê quase sempre é uma festa (mas sempre é um evento digno de nota), que mexe com a vida da família, amigos e muitas vezes vizinhos, pensamos em aproveitar este momento para mobilizar essa pequena multidão em direção a algo proveitoso para o bem de todos.

Cada vez que um bebê nascer, e como prova de que este bebê é bem-vindo e que a comunidade em torno dele está preparada para recebê-lo, nutri-lo e ajudá-lo a desenvolver de forma sustentável, os pais, a família, os vizinhos e amigos devem formar uma equipe que deverá, no menor tempo possível, concluir as seguintes tarefas:

1. Plantar uma árvore e dar a ela o nome do recém-nascido

2. Escrever uma canção em homenagem ao bebê ou então, pelo menos, cantar uma canção para o bebê, em alto e bom som - esta vai ser, por alguns anos, "a música do bebê"

3. Fazer a doação de uma ou mais horas de trabalho comunitário - por pessoa - para ajudar o bairro ou localidade a se desenvolver de forma equânime e sustentável - o trabalho pode ser algo como manutenção de uma praça ou parque, ensinar algo em uma escola do bairro, de forma voluntária, ajudar a preparar uma festa comunitária ou ainda bolar uma iniciativa do tipo “cachorro-quente nas tardinhas de sexta”, na pracinha do bairro, para as crianças que estão por lá brincando - cada pessoa que espontaneamente fizer algo nas próximas semanas e dedicar ao bebê, deve comunicar aos pais para que estes possam registrar o ato e, um dia, comunicar ao bebê o que foi feito na comunidade em homenagem à sua chegada

4. Pelo menos 5 pessoas ligadas ao bebê precisam sair do conforto e da inércia e se dedicar a aprender algo novo. Isso pode ser algo como fotografar, cozinhar ou até mesmo - porque não - aprender a trocar fraldas ou dar banho em bebês. Estas pessoas deverão então escrever uma cartinha ao bebê, contando como foi a experiência de ter aprendido algo novo. O bebê guardará as cartinhas para ler quando for maior. Elas serão a prova de que o ser humano sempre pode aprender mais, bastando para isso um bom estímulo


Toda vez que esse ritual se repetir, a cada novo nascimento, estaremos cantando em coro a convivialidade e o pedaço em nós que nos faz humanos. 

Este "plano" é open-source, pode ser replicado por qualquer família ou grupo de amigos, foi inspirado no coletivo PROVO, de Amsterdam e foi preparado especialmente para o encontro do grupo Amadores de Palavras, em homenagem ao meu filho recém-nascido, Conrado.

Quem é Rafael Reinehr - autor dessas palavras aí de cima

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