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S.O.S Monumento - uma saga contra as pichações

SOS Monumento
Acabei de ler o livro S.O.S. Monumento - causas e soluções da restauradora Alice Prati. É uma verdadeira saga a história de cinco anos de pesquisa sobre a degradação de monumentos públicos, suas causas e possíveis soluções, relatadas numa linguagem emocionante e cheia de paixão. 


Antes de mais nada cabe esclarecer que não trabalho com patrimônio histórico e o que conheço sobre essa área vem da época da faculdade quando auxiliei colegas que acabaram se especializando nessa área. Mas sou uma moradora da cidade (Porto Alegre) , sou arquiteta e por isso mesmo tenho uma visão um pouco mais acostumada a trabalhar com espaços e arte. E digo com certeza, pessoal e profissional, que a leitura desse livro, que nos relata a experiência de um trabalho de conservação e conscientização de monumentos públicos, é muito interessante. E mais, indispensável para que entendamos melhor o porque nosso ambiente cultural não é tratado com carinho e cuidados. 


Me lembro bem da época em que os fatos relatados aconteceram. O SOS Monumento foi uma parceria entre o atelier de Alice Prati, empresas privadas e poder público para não apenas limpar, mas através dessa limpeza questionar e conscientizar a população para a importância da conservação do patrimônio da cidade. 
Código: 2167 - MEIO AMBIENTE - 17/11/2005 Secretaria Municipal do Meio Ambiente estabelece nova parceria com o Atelier de Restaurações Alice Prati para recuperar o Monumento ao Expedicionário, localizado no Parque Farroupilha. Foto: Ricardo Stricher / PMPA
     
Vários monumentos da cidade de Porto Alegre foram higienizados e isso provocou manchetes e polêmicas. Não vou entrar nessa seara, ela é descrita no livro também. O que me chama a atenção, como pesquisadora, é o relato de como as coisas se passaram, com minúcias de detalhes e informações, e como se processou uma pesquisa não formal (ou melhor dizendo não acadêmica) do que leva pessoas, ou bandos de pessoas, a picharem obras que deveriam ser consideradas seu patrimônio pessoal, sua herança cultural, sua história. Esse não academicismo faz com que a leitura seja muito mais gostosa porque através dela vivenciamos fatos reais, acontecimentos que nos fazem rir alguns, nos preocupam outros, mas todos expressão da vida real.

Código: 9904 - MEIO AMBIENTE - 13/02/2007 Programa SOS Monumento, parceria da Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Smam) com o Atelier Alice Prati de Restaurações, realiza uma vigília de 24 horas na Praça Itália, ao lado do Shopping Foto: Octacilio Dias / PMPA



Os técnicos passaram noites ao lado dos monumentos, numa vigília que nos é relatada com humor e ternura e nos faz sentir o que se passa nas noites da capital, aos pés de nossos heróis... São cinco anos de  trabalhos, alguns sob as luzes das manchetes e condecorações. Outros mais reclusos, como uma necessidade de um olhar mais íntimo e reflexivo. 
Código: 5813 - EDUCAÇÃO - 22/08/2006 Projeto "Conscientização pela preservação do patrimônio e grafitagem como forma de manifestação artística" Local: Escola Municipal de Educação Básica Liberato Salzano Vieira da Cunha Na foto: Artista Alice Prati, integrante do projeto SOS Monumento Foto: Ivo Gonçalves / PMPA
E o lado mais importante ao meu ver. Além das limpezas, houve palestras em escolas em um trabalho de educação e aprendizado conjunto. Debates com alunos, nem sempre propensos a escutar, mas que resultaram em uma rica experiência sobre o comportamento de uma camada da população mais jovem. E há no livro uma extensa caracterização de quem são os pichadores, como se comportam e o que poderia ser feito para minimizar esse problema que tanto prejudica nossas obras urbanas.


Tudo isso é relatado numa linguagem coloquial, muito bem escrita, com paixão, com alguns extremos às vezes, mas sempre mostrando de forma clara como o trabalho se processou, que soluções trouxe como contribuição, e que mostra que algo precisa ser feito urgentemente para que a cultura não seja relegada a um plano secundário na ordem de importância das coisas urbanas.   


Se as (boas) soluções apontadas vão ser implementadas ou não, não sei.   Mas que a leitura desse livro contribui para o debate urbano e merece estar na biblioteca de quem se interessa por arte e cidadania, isso sim posso garantir. Mostra que nem sempre as soluções precisam ser caras e nem precisam ser feitas apenas pelo poder público. É uma obra que se expõe sem medo. Como devem ser as sagas.


Quer saber mais ? Veja AQUI


E eu vou complementar com uma frase que li num jornal local:


"Não existem pessoas irrecuperáveis. Existem métodos inadequados de tratamento" 


Maria Ribeiro da Silva Tavares - Assistente social - 100 anos ainda trabalhando com apenados em Porto Alegre.

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