Quando o clima muda, quem cuida de quem envelhece?
Gosto de caminhar pelas ruas de minha cidade. Moro há 50 anos nesta Porto que já foi mais alegre. Envelheci caminhando pelas lombas e ruas que eram corredores verdes, luta de quem subia em árvores e das pessoas que se reuniam aos vizinhos para lutar pelo seu entorno. A cidade também envelheceu. As concepções urbanas de conquistas ambientais meio que se perdem na memória dos transeuntes apressados. Dizer um bom dia já causa mais espanto que sorrisos. Todos correm na cidade que acumula poças de água em dias de chuva cada vez mais frequentes. E podas cada vez mais catastróficas. Temo imaginar como será no verão. Pelo que leio dos verões em outros hemisférios, há cada vez mais ondas extremas. Fico imaginando onde encontrar sombras, cada vez mais escassas. Assim como bancos públicos, sem falar das calçadas com seus desníveis conhecidos, aqueles que a gente aprende a evitar depois de alguns tropeços. Imagine os novos. Aqueles consertos de empresas, meio mal feitos, que logo são de...





Elenara:
ResponderExcluirEssa paixão está no DNA de sua família.
Logo que vi a menininha no Google+ sabia que era você.
Eu adorei a Lívia querendo imitar a irmã.
Aqui em casa, os livros estão no escritório, na sala, no meu quarto
sempre visíveis em estantes.
Um Lindo Dia!
beijinhos
Vem sim ! Eu sei que tu pensa como eu, uma casa sem livros é uma casa sem alma...
ResponderExcluirBeijos
Veja que curioso:
ResponderExcluirNa casa dos meus avós, onde passei muito tempo na minha infância, também havia uma estante parecida. Diferia da do Reeps por ser branca, mas também tinha 3 prateleiras baixas, que circundavam duas das paredes na sala de estar.
O descortinar daqueles livros, bem na altura dos olhos, tão certinhos e organizados em grupos com a mesma cor e tamanho, talvez seja uma das mais antigas memórias que guardei.
Havia em um canto alguns exemplares com os quais me permitiam brincar, e antes de ler, eu os usava como blocos de brinquedo, empilhando e espalhando...
Imagino que tenha sido um passo natural, ir da fascinação pelo colorido das capas duras, à curiosidade pelo conteúdo, naquele então absolutamente mágico e incompreensível.
Minha avó contava que eu quedava horas calado entre os volumes, e minha mãe que não soube como aprendi a ler, mas o fato é que certo dia se surpreendeu, quando comecei a fazer perguntas sobre dizeres de cartazes e placas que via na rua.
Sempre lembrava da primeira ocasião, dizendo que quase provocou um acidente quando perguntei de dentro do fusca, apontando para um posto Esso: "Mãe, o que quer dizer 3 sso?"
Esperta, comprou uma coleção do Monteiro Lobato, e uma do Júlio Verne, que foram acomodadas na tal estante, ao lado de outra do Malba Tahan. Foram meus 3 primeiros autores, e desta época só guardo lembrança do que senti quando terminei o segundo volume dos "Douze Trabalhos de Hércules": um misto de orgulho por ter dado cabo de tarefa tão longa, e tristeza por ter acabado a coleção...
Percebo agora, a partir do seu relato, que estas estantes baixas funcionaram como armadilhas (do bem), por expôr na altura dos nossos olhos aquela infinidade de volumes alinhados!
Não havia me dado conta da relação entre o precoce gosto que adquiri pela leitura, e o desenho da estante, mas agora aposto nesta relação, e daqui para frente vou tentar incorporar estantes assim nos meus projetos residenciais, sempre que possível.
Talvez poucas sejam utilizadas para acomodar livros ou discos, pois não falta muito para um simples tablet substituir a coisa toda, mas sempre serão suporte de estímulos variados para todas as crianças que venham a habitar estes espaços.
Oscar Müller