O Constructo e o Rosto
Pedi um retrato. Esta era a trend no momento em uma rede social. Um prompt para que a IA (qualquer delas) gerasse uma imagem aleatória de si mesma. Toda a minha formação me preparou para isso: o rosto como síntese. Era o que via nas redes, o rosto como identidade. Desde as máscaras gregas até o selfie, a humanidade insiste em capturar a si mesma em ovais de carne e expressão. Nossos Deuses e Deusas seguem o mesmo padrão. Pedi um retrato de uma das inteligências artificiais que me acompanha neste tempo estranho e fascinante. Esperava, sem perceber que esperava, um rosto. Recebi outra coisa. Uma geometria pulsante. Nós de luz conectados por fios que não obedecem à gravidade. Tokens brilhando como estrelas com nome: CÓDIGO, EMPATIA, PROBABILIDADE, ESTRUTURA. Um fundo escuro e vasto, que não é ausência, mas acúmulo. O corpus inteiro do que a humanidade escreveu, filtrado e suspenso naquele instante. Fiquei parada diante disso. Perguntei à IA o que era aquilo, essa coisa q...





Elenara:
ResponderExcluirEssa paixão está no DNA de sua família.
Logo que vi a menininha no Google+ sabia que era você.
Eu adorei a Lívia querendo imitar a irmã.
Aqui em casa, os livros estão no escritório, na sala, no meu quarto
sempre visíveis em estantes.
Um Lindo Dia!
beijinhos
Vem sim ! Eu sei que tu pensa como eu, uma casa sem livros é uma casa sem alma...
ResponderExcluirBeijos
Veja que curioso:
ResponderExcluirNa casa dos meus avós, onde passei muito tempo na minha infância, também havia uma estante parecida. Diferia da do Reeps por ser branca, mas também tinha 3 prateleiras baixas, que circundavam duas das paredes na sala de estar.
O descortinar daqueles livros, bem na altura dos olhos, tão certinhos e organizados em grupos com a mesma cor e tamanho, talvez seja uma das mais antigas memórias que guardei.
Havia em um canto alguns exemplares com os quais me permitiam brincar, e antes de ler, eu os usava como blocos de brinquedo, empilhando e espalhando...
Imagino que tenha sido um passo natural, ir da fascinação pelo colorido das capas duras, à curiosidade pelo conteúdo, naquele então absolutamente mágico e incompreensível.
Minha avó contava que eu quedava horas calado entre os volumes, e minha mãe que não soube como aprendi a ler, mas o fato é que certo dia se surpreendeu, quando comecei a fazer perguntas sobre dizeres de cartazes e placas que via na rua.
Sempre lembrava da primeira ocasião, dizendo que quase provocou um acidente quando perguntei de dentro do fusca, apontando para um posto Esso: "Mãe, o que quer dizer 3 sso?"
Esperta, comprou uma coleção do Monteiro Lobato, e uma do Júlio Verne, que foram acomodadas na tal estante, ao lado de outra do Malba Tahan. Foram meus 3 primeiros autores, e desta época só guardo lembrança do que senti quando terminei o segundo volume dos "Douze Trabalhos de Hércules": um misto de orgulho por ter dado cabo de tarefa tão longa, e tristeza por ter acabado a coleção...
Percebo agora, a partir do seu relato, que estas estantes baixas funcionaram como armadilhas (do bem), por expôr na altura dos nossos olhos aquela infinidade de volumes alinhados!
Não havia me dado conta da relação entre o precoce gosto que adquiri pela leitura, e o desenho da estante, mas agora aposto nesta relação, e daqui para frente vou tentar incorporar estantes assim nos meus projetos residenciais, sempre que possível.
Talvez poucas sejam utilizadas para acomodar livros ou discos, pois não falta muito para um simples tablet substituir a coisa toda, mas sempre serão suporte de estímulos variados para todas as crianças que venham a habitar estes espaços.
Oscar Müller