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Arquitetura da morte

Uma história de amor que é imortalizada
Falar em Arquitetura da Morte é um tema delicado para nós, que costumamos tratar esse assunto de forma quase asséptica. A Arquitetura tem gerado obras faraônicas e lindas para relembrar grandes reis e grandes amores. Já li que uma pessoa permanece viva enquanto alguém que a conheceu se lembrar dela. Nós não conhecemos as pessoas para quem esses monumentos foram construídos, mas sabemos muito de suas histórias graças à esses prédios, o que não deixa de ser uma forma de imortalidade.


Faraós tentam manter a sua realeza
Mas e nós ? Os comuns mortais ? Como tratamos esse assunto que nos apavora e do que é uma das únicas certezas de nossas vidas: a nossa própria finitude. Em alguns locais da mesma maneira como tratamos as nossas casas em vida, verticalizando. Poderíamos até chamar de pombais da morte. Ou cidades dos mortos, tal como no antigo Egito, com a diferença que hoje nos vamos mais despidos de bens materiais como as que proliferavam nas tumbas antigas e que tantas pistas nos dão sobre a vida daquelas pessoas.





Cemitério em Porto Alegre
Em outros locais ainda existe essa ritualização da morte e os cemitérios não apenas são locais turísticos, como se encontram ao lado de locais onde os vivos se divertem. Um exemplo é o Cemitério da Recoleta, em Buenos Aires, onde os mortos recebem túmulos projetados e assinados por arquitetos, em um costume que acho que é da cultura hispânica de tratar a morte com mais dramaticidade e proximidade.  


Recoleta - túmulo
Modernamente vemos surgindo as propostas de cemitérios mais sustentáveis como o do Parque de São Pedro, em Curitiba, que possui sistema de drenagem que impede a contaminação de lençol freático ou o uso de painéis fotovoltaicos sobre as lápides, como o proposto em cidades europeias.

Mas e a nossa relação com a morte, terá mudado ? Chegaremos ao ponto em que em vez de morrermos, seremos apenas deletados do uso da vida ? Cremados em modernos prédios, nem todos assim tão bonitos, mas muitos igualmente assépticos, que transformam a morte em algo que não nos choque em demasia ? Sumimos em uma porta e é como se fossemos descansar em algures ?

Talvez não. E uma obra como o crematório de Treptow, projeto do arquiteto alemão Axel Shcultes, na Rússia, é um exemplo de como a Arquitetura da morte ainda resguarda uma monumentalidade para uma das passagens mais importantes da humanidade. Ele nos mostra que nossa despedida ou a de nossos seres amados deve ser tratada com toda nossa capacidade de emoção e talento.




Fotos


Comentários

  1. Gostei muto do artigo e das fotos.Grata pela postagem.

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  2. Obrigada pela visita e comentário, volte sempre Sonia !
    Abraços

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  3. O Assunto é delicado,mas muitos lugares são fortalezas.

    Boa Noite!

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  4. Talvez fortalezas que nos protejam de nossos medos, quem saberá ?
    Abraços

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  5. Eu passo o dia na Recoleta e se der ainda volto no outro dia. As teias de aranha e os caixões expostos me facinam. Fábio

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