Quando o clima muda, quem cuida de quem envelhece?

Imagem
Gosto de caminhar pelas ruas de minha cidade. Moro há 50 anos nesta Porto que já foi mais alegre. Envelheci caminhando pelas lombas e ruas que eram corredores verdes, luta de quem subia em árvores e das pessoas que se reuniam aos vizinhos para lutar pelo seu entorno. A cidade também envelheceu. As concepções urbanas de conquistas ambientais meio que se perdem na memória dos transeuntes apressados. Dizer um bom dia já causa mais espanto que sorrisos. Todos correm na cidade que acumula poças de água em dias de chuva cada vez mais frequentes. E podas cada vez mais catastróficas. Temo imaginar como será no verão.  Pelo que leio dos verões em outros hemisférios, há cada vez mais ondas extremas. Fico imaginando onde encontrar sombras, cada vez mais escassas. Assim como bancos públicos, sem falar das calçadas com seus  desníveis conhecidos, aqueles que a gente aprende a evitar depois de alguns tropeços. Imagine os novos. Aqueles consertos de empresas, meio mal feitos, que logo são de...

Mãezinha alegre e atualizada


Arrumando as coisas no escritório achei essa relíquia. Um legitimo exemplar de Casa e Jardim de julho de 1964 ! Custava a bagatela de Cr$ 300,00. E antes que achem que eu já folheava revistas de decoração em tão tenra idade (sim,eu já era nascida nessa época...), essa revista eu ganhei com uma pilha de outras de herança de um primo que trabalhava em decoração.

O projeto arquitetônico do mês já se preocupava com privacidade e a casa era voltada para o interior. Projeto dos Arquitetos David E Dácio Ottoni em Vila Paulista. O volume é bem interessante e ela tem uma faixa de ventilação na laje que se salienta 70 cm para fora e solta a cobertura.



E é claro, uma matéria sobre funcionalidade das cozinhas, uma necessidade que começava a se tornar importante já que as empregadas domésticas começavam a desaparecer (segundo a revista), levando as donas de casa a permanecerem mais tempo elaborando seus pratos para o deleite da família. Inclusive já se nota uma proposta de união da cozinha com a sala de refeições (uma tendência que vemos nos nossos dias).



E as mamães, onde ficam ? Em 1964 pelo que vemos ficavam na cozinha. Ainda bem que muita coisa mudou desde então.



Comentários

  1. Nossa! Que jóia rara! Adorei o post e a matéria da revista, que é bem legal para vermos como era tratada a questão dos ambientes na época.
    Bjo

    ResponderExcluir
  2. Que achado, hein, Elenara?!

    Bonito projeto, surpreende com seus ares bem contemporâneos!

    Do fundo do baú, e repare: já se vê o anglicismo "living" aparecendo na planta, no lugar de "sala"...

    Macaquitos "since" 1964!

    ResponderExcluir
  3. Mãe, não há outro nome
    mais doce, meigo e gentil;
    No entanto posso escrevê-lo
    só com três letras e um til.

    Como prova de amizade,
    de carinho e gratidão,
    teu nome, Mãe querida,
    eu trago no coração.

    Mãe, em tua homenagem
    prometo, solenemente,
    que serei sempre boazinha,
    estudiosa e obediente.

    Desconheço a Autora


    Beijos para sua mãe

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Bom dia Noeli, eu escrevi no Google a primeira estrofe desse poema procurando o seu autor, porque eu quando criança recitava esse poema na Igreja e na escola!

      Excluir
  4. Lucile, Oscar e Nô,

    Pois é, eu gosto muito de fazer esses garimpos. O olhar sobre o passado, mesmo um tão recente como esse, sempre acaba nos fazendo refletir sobre o nosso presente.
    Abraços
    Elenara

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Sua opinião é super importante para nós ! Não nos responsabilizamos pelas opiniões emitidas nos comentários. Links comerciais serão automaticamente excluídos

Postagens mais visitadas deste blog

Cortina verde na fachada

DIREITO À PAISAGEM

Processo da Arquitetura

10 motivos para NÃO fazer arquitetura