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Caixa de ferramentas - equipamentos e matérias devem ser utilizados com inteligência

Achei esse texto que separei no inicio da década sobre o uso das ferramentas no exercício da criatividade. E para mim ele continua muito atual    
         

Conta-se que, solicitado a fornecer um exemplo de seu trabalho ao emissário do Papa, que selecionava artistas para trabalhar a serviço da Igreja, o pintor italiano Giotto (C. 1267-1337), com um rápido movimento de pincel, traçou sobre uma folha de papel um círculo perfeito. Foi contratado. 
A maioria das pessoas e até artistas talentosos, diante da necessidade de desenhar uma circunferência com precisão, sequer ousaria fazê-la sem a ajuda de um compasso. O que não é nenhum pecado.
Ferramentas, materiais, instrumentos e acessórios existem para facilitar tarefas, poupar tempo, ampliar a capacidade de executá-las e, principalmente, proporcionar novas possibilidades. Auxiliares na materialização de idéias, é preciso conhecê-los para dirigi-los, de forma a obter exatamente aquilo que se deseja. Um processo no qual tempo e dedicação são essenciais. 
Seja a opacidade de uma tinta, a pressão do lápis no papel, a resolução de um scanner ou sensibilidade de um filme fotográfico, são a previsibilidade de resultados e a capacidade de reproduzi-los que tornam possível o seu uso. Caso contrário, seria como tentar pegar um ônibus que, a cada dia, fizesse um novo trajeto, num horário diferente. 
Mesmo que seja aparentemente difícil de conciliar com o ritmo frenético das mudanças, não existe alternativa à experiência. Através dela, aprende-se a antecipar e escolher resultados, tornando cada vez mais fácil a aprendizagem dos novos meios, além de propiciar uma visão crítica que permite identificar seu real valor. 
Fácil até demais Diante do fato de, diariamente, surgirem ferramentas que eliminam a necessidade de se produzir recursos por meio do próprio esforço, é de se esperar quem questione até a necessidade do aprendizado. 
Como a mais versátil, espetacular e inovadora ferramenta já colocada a serviço dos designers, o computador é o mais completo exemplo. Apesar de sua complexidade, a intuitividade e facilidade de uso dos softwares gráficos são o motivo de seu sucesso. Permitindo mesmo com um mínimo de  perícia técnica; obter resultados visualmente encantadores, tornam-se também sua maior ambigüidade. 
Não se deve esquecer que o domínio de qualquer ferramenta ou material é apenas uma parte no complexo conjunto de fatores envolvidos no desenvolvimento de qualquer projeto consistente de design gráfico. Nesse caso, a fotografia serve como uma ótima referência. O ato de fotografar,      aparentemente, nunca exigiu mais do que um "click", mas é muito fácil perceber a grande diferença entre as milhões de fotografias, mensalmente processadas nos laboratórios, e os trabalhos de mestres como Sebastião Salgado ou Henri Cartier-Bresson
Com o aumento vertiginoso dos meios de comunicação visual, é cada vez maior a necessidade por imagens. Infelizmente, parece que sempre haverá espaço tanto para trabalhos bons quanto para aqueles inexpressivos.
A capa de uma revista, a prateleira do supermercado, ou um site na Internet não são atestado de inovação e talento. E, às vezes, nem mesmo de qualidade. 
Pode-se preencher uma necessidade visual cumprindo uma função meramente utilitária, assim como a comida não precisa ser saborosa para matar a fome. 
Os ingredientes estão ao alcance de todos, mas a originalidade está na escolha, combinação e uso das possibilidades mais adequadas a cada trabalho. Isso que o faz e ao seu autor; únicos. Através  essa utilização criativa, coerente e personalizada, o designer sério se destaca daqueles que, comodamente, se contentam em fazer tudo sempre igual ou utilizar fórmulas e efeitos prontos. 
 Atalhos devem ser uma opção a caminhos já conhecidos. Diante de tantas possibilidades e prazos cada vez menores para avaliá-las, não é difícil se perder nesse trajeto. Só existe uma solução para evitar que o resultado de um projeto seja um amontoado esperto de efeitos bonitos: ser mais esperto do que eles. 
Tanto o computador como o martelo não são dotados de nenhuma propensão ao bom ou mau uso, e tomar uma pancada no dedo normalmente deve-se à imperícia de quem, na verdade, tinha o prego como alvo. Mesmo que seja difícil imaginar que um designer venha a se ferir pelo uso pouco criativo dos meios ao seu alcance, os efeitos que a qualidade de seus trabalhos pode causar na sua carreira são reais. Geralmente deixando marcas permanentes. 
Enxergando, em cada novo recurso, maneiras de melhorar sua produtividade e ampliar suas formas de expressão, o designer prioriza o senso de planejamento para atuar como um administrador de meios, colocando-os totalmente a serviço de suas idéias. 
Deve-se perceber que o episódio do círculo de Giotto entrou para a História não só pela precisão de sua forma nem do instrumento utilizado. Reconhecendo nesse gesto a expressão do absoluto domínio sobre o trabalho e seus instrumentos, compreende-se o real significado da palavra mestre.
     
Alex Lutkus é ilustrador.

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