Blog da Arquiteta Elenara Stein Leitão que, desde 2004, fala sobre arquitetura, urbanismo, interiores e design abordando assuntos ligados à sustentabilidade e uma concepção de espaços que conciliem bom gosto, funcionalidade e aconchego com um toque humano.
Gosto de caminhar pelas ruas de minha cidade. Moro há 50 anos nesta Porto que já foi mais alegre. Envelheci caminhando pelas lombas e ruas que eram corredores verdes, luta de quem subia em árvores e das pessoas que se reuniam aos vizinhos para lutar pelo seu entorno. A cidade também envelheceu. As concepções urbanas de conquistas ambientais meio que se perdem na memória dos transeuntes apressados. Dizer um bom dia já causa mais espanto que sorrisos. Todos correm na cidade que acumula poças de água em dias de chuva cada vez mais frequentes. E podas cada vez mais catastróficas. Temo imaginar como será no verão. Pelo que leio dos verões em outros hemisférios, há cada vez mais ondas extremas. Fico imaginando onde encontrar sombras, cada vez mais escassas. Assim como bancos públicos, sem falar das calçadas com seus desníveis conhecidos, aqueles que a gente aprende a evitar depois de alguns tropeços. Imagine os novos. Aqueles consertos de empresas, meio mal feitos, que logo são de...
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O lixo que tu produz é problema teu
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Li hoje que já faz vinte anos que foi implantada a coleta seletiva em Porto Alegre. No começo era uma experiência em alguns bairros, uma vez por semana. Foi-se estendendo para todos e agora em muitos é feita duas vezes por semana, regularmente. Sabem quantos por cento das pessoas colaboram com isso? 30 %. Isso mesmo, setenta por cento dos moradores de uma das cidades ditas como mais politizadas e educadas do país não reciclam o seu lixo, mesmo dispondo de coleta organizada pelo poder público. E reclamam da existência da coleta alternativa, com carroças e carrinhos, muitas vezes puxado por seres humanos. Atrapalhar o trânsito é o menor dos males (alguns acham que é o maior). Mas na verdade ver pessoas, homens e mulheres, subindo e descendo ladeiras, carregados de nosso lixo nos faz pensar em nossos hábitos. Há pouco li um relato de parentes que moram na Austrália sobre como se trata esse problema por lá. Vale a pena ler. E pensar.
figura: foto de Elenara Stein Leitão
“O lixo aqui na Austrália custa dinheiro. Temos o direito a um latão por semana de lixo orgânico e a cada 15 dias de reciclado. Não é permitido largar lixo na calçada ao lado da lixeira, nem colocar a lata na rua fora do dia da coleta. Não virá ninguém para mexer no teu lixo a procura de comida, reciclados. Cachorros , gatos e pássaros não atacam a lixeira pois o latão tem tampa. Se você tem mais lixo que cabe na lata, estoque ele em casa até a próxima semana ou leva pessoalmente no lixão. Depois de acordo com peso será cobrado um taxa.
Todo tipo de reforma, obra, jardim,... sempre vem na conta o extra para remoção e taxa do lixo.
Nossa cerca velha nos custou quase 400 dólares de lixo. Uma vez por ano a prefeitura recolhe gratuitamente o lixo “grosseiro” que está estocado em casa como moveis, aparelhos eletrônicos, eletrodomésticos e todo lixo de jardim. E a única vez que é permitido colocar lixo na calcada.
A prefeitura também dá dois vouchers por ano para lixo de jardim, que se leva pessoalmente até o lixão (com o voucher não se paga taxa.)
Nós demoramos a se acostumar com o lixo limitado, principalmente quando nos mudamos. Demoramos mais de mês para nos livrarmos das caixas e de uns tapetes velhos deixados na casa. Tinha um que chamávamos de “o corpo”. Dizíamos: “ tem que dar um jeito de se livrar daquele corpo”... tínhamos a opção de colocá-lo no porta mala e levá-lo no lixão, socar ele na lixeira e colocar menos lixo ou ligar para os ex donos virem buscar o corpo, que afinal de conta era deles. Um dia não aquentamos mais e dobramos o corpo num esforço e socamos no latão. Preferimos estocar lixo e nos livramos do corpo.
Nosso vizinho veio dar boas vindas e ofereceu a lata dele que não estava tão cheia para completarmos com o nosso lixo. ( achei sacanagem colocar o corpo na lata do vizinho).
Na Franca o lixo era rigoroso também, foi um pesadelo até entender como funcionava o sistema. Me lembro de me perguntar o que vou fazer com o lixo em casa?
Resumindo: o lixo que tu produz é problema teu.
Por isso aqui se recusa produtos com excesso de embalagem, se usa greem bags no supermercado, se faz composteira....” (Ana Paula - Perth- Austrália)
figura: foto de Elenara Stein Leitão
Deu para perceber? A prefeitura faz a sua parte limitando e tolhendo as alternativas e as pessoas fazem a sua parte. Nossa diferença? Aqui as pessoas reclamam do espaço que tem para estocar o lixo seco, ao invés de limitar seu consumo. Reclamam da voracidade das multas da prefeitura quando essa exigem lixeiras com tampa ou horário para colocar o lixo. Será que junto com o reclamar dos governos, não é hora de pensar no que podemos ajudar ?
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Essa casa super simpática me lembrou de imediato duas referências: Uma, os edificios em Atenas que ficavam perto do meu hotel. Todos tinham imensas floreiras que fazia com que ficassem tão simpáticos! Mas olhando com mais foco, me veio a segunda referência. Na verdade as fachadas da frente e fundos são como segundas peles, floreiras que criam um micro clima super agradável no interior do prédio. Justo como a casa do colega Oscar Muller. Eu juro que tenho fotos no computador, mas não consegui acha-las para colocar aqui. A dele é uma casa de vila e, na parte dos fundos, tem uma cortina de metal onde as plantas, em geral trepadeiras, se mesclam e criam um efeito super interessante. Não achei mais referências sobre esse projeto no site e não sei o autor do projeto e nem como é feita a manutenção das floreiras. Em algumas se tem alcance por dentro da casa, em outras me pareceu um pouco complicado, mas o conceito é super bom. PS: O Elcio no comentário abaixo deixou o link com ...
DIREITO À PAISAGEM Adeli Sell “O belo é o esplendor da ordem” - Aristóteles Os campos, as montanhas, as colônias são lugares abertos, há poucos obstáculos feitos pela mão humana; logo, quando falamos de DIREITO À PAISAGEM, estamos falando de cidades, de espaços construídos, obstruídos, que mudaram a paisagem original. Por isso temos que falar do DIREITO À CIDADE. É uma relação sujeito-objeto. O mundo e os seres humanos se afetam mutuamente. DIREITO Á CIDADE O Direito à Cidade é um direito difuso e coletivo, de natureza indivisível, de que são titulares os habitantes da cidade, as gerações presentes e futuras. É o direito de habitar, de usar, de participar da produção de cidades justas, inclusivas, democráticas e sustentáveis. Alguns falam de cidades inteligentes, pois estas teriam o condão de serem efetivamente mais justas. É na Lei n° 10.257, de 10 de julho de 2001 que temos a Regulamentação dos artigos 182 e 183 da Constituição Federal, estabelecendo diretrizes gerais da po...
Como é o processo projetual de um/a Arquiteto/a? Difícil de mensurar. Me lembro quando estava no mestrado, tinha gente pesquisando os tais processos de qualidade. Para mim, mensurar quantitativamente o processo de projetar, na época, me parecia surreal. Já escrevi aqui um chamado sobre "Como você projeta? " onde expliquei mais ou menos como funciona o meu processo. E agora achei um guia rápido falando sobre isso nesse site , descrevendo exatamente o Processo de Projetar. Vale a visita para visualizar a quantidade de material gerado por um projeto. Vamos passear por ele? Passo 1: Entrevista e discussões iniciais Esse passo é fundamental. Na minha experiência profissional já posso até dizer quando um projeto vai dar certo ou não. É preciso empatia com o proprietário. Não, não se precisa pensar igual, nem quer dizer que vamos ficar amigões, mas é preciso uma cumplicidade e empatia para atingir um objetivo comum. E, fundamental, é a eta...
Arquitetura....sonho dourado de muitos jovens que sonham com um futuro glamouroso e cheio de notas na conta bancária. Mas será realmente assim? Veja algumas razões de porque NÃO fazer arquitetura. 1- Principal motivo: DINHEIRO. Para os que visam a recompensa financeira em primeiro lugar: Arquitetura não é uma mina de ouro. Esqueça os figurões que vê na mídia com escritórios em Miami e Paris. Eles são a minoria da minoria. A grande maioria dos colegas arquitetos está ralando em seus escritórios ou em escritórios alheios. E ainda faz bico no fim de semana. 2- Recompensa intelectual : Tudo bem, não vou ganhar rios de dinheiro, mas vou ser reconhecido como uma pessoa criativa e maravilhosa que vive para ajudar os outros. Sim! Ajudar os amigos, parentes e conhecidos dando palpites de como eles podem arrumar suas casas e espaços. Palpite não é projeto , lembre. Sem contar que fica horas pesquisando para achar soluções interessantes e vem alguém e copia. E leva as glórias. 3- Saúde ...
Bacana, Elenara, acho que esta questão tem que ser toda re-pensada mesmo. Limitar também é uma ideia.
ResponderExcluirBjs!