Blog da Arquiteta Elenara Stein Leitão que, desde 2004, fala sobre arquitetura, urbanismo, interiores e design abordando assuntos ligados à sustentabilidade e uma concepção de espaços que conciliem bom gosto, funcionalidade e aconchego com um toque humano.
Estava em uma conversa em um aplicativo de mensagens (aquele mesmo que quase todos usam) quando surgiu o assunto sobre uma rua bem famosa daqui. E eu disse que não me sentia segura ao andar por ela. Que tinha uma percepção de insegurança. E a resposta foi que seria talvez uma visão pessoal. Como sei que a visão (e experiência) das mulheres sobre o que é uma cidade segura pode ser diferente das visões masculinas, fui pesquisar a respeito em artigos acadêmicos e governamentais recentes para entender mais sobre a realidade. É mesmo percepção pessoal. Ou.... Pesquisa do Instituto Patrícia Galvão em parceria com o Instituto Locomotiva, divulgada em setembro de 2024, mostrou um dado alarmante: que 97% das brasileiras sentem medo de sofrer violência quando se deslocam pela cidade. A mesma pesquisa aponta que 71% das mulheres já sofreram algum tipo de violência durante seus deslocamentos urbanos. Entre mulheres negras e LBT, os índices sobem ainda mais. Isso não é sensação isolada. Se per...
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O lixo que tu produz é problema teu
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Li hoje que já faz vinte anos que foi implantada a coleta seletiva em Porto Alegre. No começo era uma experiência em alguns bairros, uma vez por semana. Foi-se estendendo para todos e agora em muitos é feita duas vezes por semana, regularmente. Sabem quantos por cento das pessoas colaboram com isso? 30 %. Isso mesmo, setenta por cento dos moradores de uma das cidades ditas como mais politizadas e educadas do país não reciclam o seu lixo, mesmo dispondo de coleta organizada pelo poder público. E reclamam da existência da coleta alternativa, com carroças e carrinhos, muitas vezes puxado por seres humanos. Atrapalhar o trânsito é o menor dos males (alguns acham que é o maior). Mas na verdade ver pessoas, homens e mulheres, subindo e descendo ladeiras, carregados de nosso lixo nos faz pensar em nossos hábitos. Há pouco li um relato de parentes que moram na Austrália sobre como se trata esse problema por lá. Vale a pena ler. E pensar.
figura: foto de Elenara Stein Leitão
“O lixo aqui na Austrália custa dinheiro. Temos o direito a um latão por semana de lixo orgânico e a cada 15 dias de reciclado. Não é permitido largar lixo na calçada ao lado da lixeira, nem colocar a lata na rua fora do dia da coleta. Não virá ninguém para mexer no teu lixo a procura de comida, reciclados. Cachorros , gatos e pássaros não atacam a lixeira pois o latão tem tampa. Se você tem mais lixo que cabe na lata, estoque ele em casa até a próxima semana ou leva pessoalmente no lixão. Depois de acordo com peso será cobrado um taxa.
Todo tipo de reforma, obra, jardim,... sempre vem na conta o extra para remoção e taxa do lixo.
Nossa cerca velha nos custou quase 400 dólares de lixo. Uma vez por ano a prefeitura recolhe gratuitamente o lixo “grosseiro” que está estocado em casa como moveis, aparelhos eletrônicos, eletrodomésticos e todo lixo de jardim. E a única vez que é permitido colocar lixo na calcada.
A prefeitura também dá dois vouchers por ano para lixo de jardim, que se leva pessoalmente até o lixão (com o voucher não se paga taxa.)
Nós demoramos a se acostumar com o lixo limitado, principalmente quando nos mudamos. Demoramos mais de mês para nos livrarmos das caixas e de uns tapetes velhos deixados na casa. Tinha um que chamávamos de “o corpo”. Dizíamos: “ tem que dar um jeito de se livrar daquele corpo”... tínhamos a opção de colocá-lo no porta mala e levá-lo no lixão, socar ele na lixeira e colocar menos lixo ou ligar para os ex donos virem buscar o corpo, que afinal de conta era deles. Um dia não aquentamos mais e dobramos o corpo num esforço e socamos no latão. Preferimos estocar lixo e nos livramos do corpo.
Nosso vizinho veio dar boas vindas e ofereceu a lata dele que não estava tão cheia para completarmos com o nosso lixo. ( achei sacanagem colocar o corpo na lata do vizinho).
Na Franca o lixo era rigoroso também, foi um pesadelo até entender como funcionava o sistema. Me lembro de me perguntar o que vou fazer com o lixo em casa?
Resumindo: o lixo que tu produz é problema teu.
Por isso aqui se recusa produtos com excesso de embalagem, se usa greem bags no supermercado, se faz composteira....” (Ana Paula - Perth- Austrália)
figura: foto de Elenara Stein Leitão
Deu para perceber? A prefeitura faz a sua parte limitando e tolhendo as alternativas e as pessoas fazem a sua parte. Nossa diferença? Aqui as pessoas reclamam do espaço que tem para estocar o lixo seco, ao invés de limitar seu consumo. Reclamam da voracidade das multas da prefeitura quando essa exigem lixeiras com tampa ou horário para colocar o lixo. Será que junto com o reclamar dos governos, não é hora de pensar no que podemos ajudar ?
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Essa casa super simpática me lembrou de imediato duas referências: Uma, os edificios em Atenas que ficavam perto do meu hotel. Todos tinham imensas floreiras que fazia com que ficassem tão simpáticos! Mas olhando com mais foco, me veio a segunda referência. Na verdade as fachadas da frente e fundos são como segundas peles, floreiras que criam um micro clima super agradável no interior do prédio. Justo como a casa do colega Oscar Muller. Eu juro que tenho fotos no computador, mas não consegui acha-las para colocar aqui. A dele é uma casa de vila e, na parte dos fundos, tem uma cortina de metal onde as plantas, em geral trepadeiras, se mesclam e criam um efeito super interessante. Não achei mais referências sobre esse projeto no site e não sei o autor do projeto e nem como é feita a manutenção das floreiras. Em algumas se tem alcance por dentro da casa, em outras me pareceu um pouco complicado, mas o conceito é super bom. PS: O Elcio no comentário abaixo deixou o link com ...
Arquitetura....sonho dourado de muitos jovens que sonham com um futuro glamouroso e cheio de notas na conta bancária. Mas será realmente assim? Veja algumas razões de porque NÃO fazer arquitetura. 1- Principal motivo: DINHEIRO. Para os que visam a recompensa financeira em primeiro lugar: Arquitetura não é uma mina de ouro. Esqueça os figurões que vê na mídia com escritórios em Miami e Paris. Eles são a minoria da minoria. A grande maioria dos colegas arquitetos está ralando em seus escritórios ou em escritórios alheios. E ainda faz bico no fim de semana. 2- Recompensa intelectual : Tudo bem, não vou ganhar rios de dinheiro, mas vou ser reconhecido como uma pessoa criativa e maravilhosa que vive para ajudar os outros. Sim! Ajudar os amigos, parentes e conhecidos dando palpites de como eles podem arrumar suas casas e espaços. Palpite não é projeto , lembre. Sem contar que fica horas pesquisando para achar soluções interessantes e vem alguém e copia. E leva as glórias. 3- Saúde ...
Das casas onde vivi, umas onze pelo que lembro, guardo algumas na memória de maneira mais vívida. A primeira que me lembro é a única que não existe mais. Não tenho recordações em fotos, apenas algumas com nesgas de imagens. Ela mora mesmo é dentro de mim. Anos atrás fiz uma planta rascunhada de memória. Não tem escala, vejam bem, eu tinha dois anos quando fui morar ali. Saí com seis. Mas os espaços são claros em minha lembrança. Era uma casa grande. O dono, pois era alugada, era um médico alemão, o projeto era limpo e devia seguir os padrões da época. Ficava no cimo de um morro. Isso, por si só, já lhe conferia uma certa majestade. Seu muro alto, mas que não a escondia, era cheio de uma força vigorosa, mas transparente. Para entrar, se subia por uma escada curva. Não existia acessibilidade naquela época. Eram os anos 60. A vida vibrava em ousadias em algum lugar do planeta. Não ainda na pequena cidade onde eu morava. Ali tudo ainda era vivido com magia e encantamento. Na ent...
Fonte Embora as fotografias de Arquitetura raramente tenham seres humanos, as representações gráficas dos projetos as tem. As calungas. Este nome esquisito foi o que aprendi a nominar a representação humana nos desenhos, a tal da escala humana, que mostra de maneira mais clara como os espaços se conformam em proporção aos nossos corpos. Fonte Hoje é muito comum que tenhamos blocos de seres humanos, animais e plantas em todos os programas gráficos. E há sites onde podemos buscar figuras das mais diversas etnias e movimentos para humanizar nossas plantas e perspectivas. Me lembrei das calungas ao falar com um colega arquiteto, bem mais jovem que eu, que me mostrou fotos de projetos da década de 80, com simpáticas figuras, simulando movimentos. E, para minha surpresa, ele nunca tinha ouvido falar do termo calunga. Como eu nunca tinha parado para pensar sobre isso, fui dar uma rápida pesquisada e achei que o termo tem origem africana e talvez tenha vindo e...
Bacana, Elenara, acho que esta questão tem que ser toda re-pensada mesmo. Limitar também é uma ideia.
ResponderExcluirBjs!