Arquitetura, longevidade e o afeto como tecnologia

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Minha jornada é feita de arquitetura, escritas, buscas de pesquisadora e o ato de comunicar. Tudo junto. Amalgamado. São essas as moradas onde habito e onde meus sentimentos criam raízes.   Entre plantas baixas, livros, encontros intergeracionais e projetos coletivos, fui encontrando um eixo comum: o afeto como tecnologia humana. Esta percepção sustenta meu trabalho e define minha atuação entre a técnica e a escuta, entre os espaços e a cidade que temos e os que precisamos construir. Fundamentos Técnicos e o Olhar para o Futuro Sou arquiteta formada pela UFRGS (1982), com especialização em Engenharia de Produção focada na construção civil pela mesma instituição (1998). Esta base técnica me permite atuar com precisão na criação de ambientes seguros, onde o desenho arquitetônico serve como suporte para a autonomia ao longo da vida.  Minha prática profissional hoje é dedicada à pesquisa em gerontoarquitetura e ao conceito de aging in place, a capacidade de viver em sua própr...

Fazer o novo


Li esse texto em uma lista de arquitetura. enviado pelo colega Vinicius Goncalves. Achei muito interessante pela reflexão que traz e resolvi compartilhar com todos. Vale a leitura.

 FAZER O NOVO

Por Antonio Caramelo*


Fazer o novo a cada projeto é o que o mercado espera de quem acumulou experiências fazendo arquitetura há anos, tendo o hábito de sempre surpreender a partir de uma base sólida com projetos inéditos e inabaláveis diante dos adjetivos superlativos com os quais tentam homenageá-lo ou testá-lo à exaustão. Mas, será que alguém já se perguntou onde está verdadeiramente "o novo" nos projetos arquitetônicos que vimos por aí nos últimos anos? O mais apressado diria que poderá ser visto ao folhear as páginas da última edição do "Architecture Now" onde estão as incontáveis maravilhas que estão sendo erguidas mundo afora, carregadas de ousadias e pretensões, num enorme desperdício construtivo em nome da forma e um desmensurado desafio a gravidade com tal monta, que cria a "Arquitetura Halterofilista". Tudo isso sem falar do abuso desnecessário de materiais sofisticados que só elevam o custo das obras a cifras impensáveis.

Buscar o "novo, de novo" ou o novo sempre como uma obsessão, como necessidade de distinção está mais próximo da busca do "novo pelo novo", como reconhecimento de sucesso a qualquer custo, sem propósito claro de um objetivo digno, edificante e significativo para alguém, além de quem o faz. 
Make a Difference

Buscar o novo traz implícito um "por quê?", "pra quem?", "por qual razão?" Caso contrário não faz sentido. Antes de tudo, o que é "o novo"? Será aquilo que se diferencia do que já foi feito, visto ou experimentado? Será mesmo novo o que se destaca apenas pelos materiais usados, novas dimensões e multiplicidade de funções? Não, não mesmo! Todas essas qualidades poderão estar reunidas e presentes em algo não necessariamente novo. Estamos cansados de ver repetidos e reelaborados projetos, soluções e propostas, apenas reciclados e mascarados por sofisticações como as descritas anteriormente que os fazem apenas diferentes, mas "ser diferente não é ser novo!" O novo é relativo a futuro. Contudo, vivenciamos um momento de muita coisa na vitrine e muito pouco na despensa, como disse sabiamente o pensador George Carlin. 

Fazer o novo requer além da mudança funcional estética e estrutural, como necessidade básica, a mudança, sobretudo de atitude e postura de quem faz, para que se proceda a inovação na essência daquilo que se pretenda produzir. É um exercício de futurologia competente e responsável embasada na sedimentação de informações, muitas observações, estudos, estatísticas e pesquisas acompanhadas de boa dose de intuição criativa.

Quero com esse texto fazer uma provocação aos arquitetos inquietos como eu que buscam "fazer o novo" na sua essência e não "na fachada", desculpem-me pelo inevitável trocadilho. Pois, pensar o novo é um exercício que em muitas vezes não aprendemos na escola. Vem de dentro, da busca individual. E na Arquitetura essa é uma condição indispensável, pois projetamos com os pés no presente e a cabeça no futuro. Então faço um convite para que cada um mergulhe nas suas entranhas a fim de buscar verdadeiramente "o novo" ao invés de "do novo, de novo". Como disse o arquiteto Frank Lloyd Wright na década de 40: 
 "o Arquiteto tem que ser um profeta. Um profeta no sentido literal do termo. Se ele não conseguir enxergar pelo menos dez anos à frente não o chame de Arquiteto."
* Antonio Caramelo, arquiteto baiano, atuou ao longo dos seus 38 anos de profissão nas áreas de construção civil, planejamento urbano e projetos arquitetônicos com predominância em Salvador além de cidades como Manaus, Belém, Cuiabá, Campo Grande, Fortaleza, Aracaju, Recife, Belo Horizonte, Uberlândia, Goiânia, Brasília, São Paulo, Ribeirão Preto, Campinas, São José dos Campos, Londrina, Curitiba, dentre outras

Fonte http://www.portaldoarquiteto.com//ponto-de-vista/antonio-caramelo/fazer-o-novo-de-novo.html

Leia também : Estimulando as ideias

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Comentários

  1. Ele fechou o texto com chave de ouro.
    10 anos pra frente, é isso mesmo.

    Um Lindo Domingo e uma Linda Semana


    PS:Já visitei o Wordle, me aguarde.

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