Arquitetura, longevidade e o afeto como tecnologia

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Minha jornada é feita de arquitetura, escritas, buscas de pesquisadora e o ato de comunicar. Tudo junto. Amalgamado. São essas as moradas onde habito e onde meus sentimentos criam raízes.   Entre plantas baixas, livros, encontros intergeracionais e projetos coletivos, fui encontrando um eixo comum: o afeto como tecnologia humana. Esta percepção sustenta meu trabalho e define minha atuação entre a técnica e a escuta, entre os espaços e a cidade que temos e os que precisamos construir. Fundamentos Técnicos e o Olhar para o Futuro Sou arquiteta formada pela UFRGS (1982), com especialização em Engenharia de Produção focada na construção civil pela mesma instituição (1998). Esta base técnica me permite atuar com precisão na criação de ambientes seguros, onde o desenho arquitetônico serve como suporte para a autonomia ao longo da vida.  Minha prática profissional hoje é dedicada à pesquisa em gerontoarquitetura e ao conceito de aging in place, a capacidade de viver em sua própr...

Mutações essenciais

"Nada termina jamais. Onde quer que alguém tenha plante raízes brotadas do seu eu mais puro ou verdadeiro, ali encontrará um lar".

Um livro marcado por frases, copiadas e/ou sentidas, sublinhando sentimentos afins. Assim foi a leitura de Mutações em 1975. Aos vinte e poucos anos borbulhavam sensações de insegurança e quereres que me faziam entrar nas palavras e senti-las quase como se fossem minhas. Não chegou a ser um livro de cabeceira, mas foi um livro que marcou e ao qual voltei mais algumas vezes naquela década.

Passado o tempo, ele voltou a prateleira, ficou guardado entre os demais, hibernando o seu tempo. Até que...

Vendo TV num dia qualquer, vejo a mesma Liv, diferente no rosto, uma idosa, mas a mesma nos olhos brilhantes, na maneira de menina que se recusa a morrer. E da entrevista passei a leitura mais uma vez. Três décadas depois o livro ainda me marca. Ainda sinto os quereres de antes, ainda me reencontro com aquela parte de mim que até julgava esquecida, abafada pela mulher que se obrigou a crescer. Algumas vezes mais dura do que gostaria. Mas sempre um ser mutante. Mais inteira, com menos insegurancas. Mas também com menos tempo de perspectivas...

Para onde vou..."Talvez não seja tão importante saber. Talvez não seja tão importante chegar.”

(Liv Ullmann - atriz amada de Bergman - em sua autobiografia ‘Mutações’, 1975)

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