Renomear a arquitetura: quando a teoria precisa olhar para a vida

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Há livros de arquitetura que nos ajudam a entender melhor projetos e/ou a trajetória de um profissioal. Há outros que ajudam a entender melhor a própria arquitetura.  Renomear a arquitetura em sua evolução técnica, formal e ética (Editora Olhares) , do  renomado arquiteto catalão Josep Maria Montaner, pertence à segunda categoria. Fazia um tempo que um livro de teoria não me pegava tanto para a leitura e reflexão. Um dos motivos é que, depois de tantos anos trabalhando com arquitetura, uma questão continua me acompanhando desde sempre: para quem estamos projetando? A pergunta parece simples. Talvez até óbvia. Mas basta lançar um olhar mais crítico para nossas cidades, nossas casas e nossos edifícios para perceber que esta pergunta ainda está longe de ser respondida de maneira satisfatória. Quem circula por esses espaços? Quem consegue permanecer neles? Quem é considerado quando uma calçada é desenhada, quando uma moradia é planejada, quando se define a altura de uma banca...

Mutações essenciais

"Nada termina jamais. Onde quer que alguém tenha plante raízes brotadas do seu eu mais puro ou verdadeiro, ali encontrará um lar".

Um livro marcado por frases, copiadas e/ou sentidas, sublinhando sentimentos afins. Assim foi a leitura de Mutações em 1975. Aos vinte e poucos anos borbulhavam sensações de insegurança e quereres que me faziam entrar nas palavras e senti-las quase como se fossem minhas. Não chegou a ser um livro de cabeceira, mas foi um livro que marcou e ao qual voltei mais algumas vezes naquela década.

Passado o tempo, ele voltou a prateleira, ficou guardado entre os demais, hibernando o seu tempo. Até que...

Vendo TV num dia qualquer, vejo a mesma Liv, diferente no rosto, uma idosa, mas a mesma nos olhos brilhantes, na maneira de menina que se recusa a morrer. E da entrevista passei a leitura mais uma vez. Três décadas depois o livro ainda me marca. Ainda sinto os quereres de antes, ainda me reencontro com aquela parte de mim que até julgava esquecida, abafada pela mulher que se obrigou a crescer. Algumas vezes mais dura do que gostaria. Mas sempre um ser mutante. Mais inteira, com menos insegurancas. Mas também com menos tempo de perspectivas...

Para onde vou..."Talvez não seja tão importante saber. Talvez não seja tão importante chegar.”

(Liv Ullmann - atriz amada de Bergman - em sua autobiografia ‘Mutações’, 1975)

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