Quando o clima muda, quem cuida de quem envelhece?

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Gosto de caminhar pelas ruas de minha cidade. Moro há 50 anos nesta Porto que já foi mais alegre. Envelheci caminhando pelas lombas e ruas que eram corredores verdes, luta de quem subia em árvores e das pessoas que se reuniam aos vizinhos para lutar pelo seu entorno. A cidade também envelheceu. As concepções urbanas de conquistas ambientais meio que se perdem na memória dos transeuntes apressados. Dizer um bom dia já causa mais espanto que sorrisos. Todos correm na cidade que acumula poças de água em dias de chuva cada vez mais frequentes. E podas cada vez mais catastróficas. Temo imaginar como será no verão.  Pelo que leio dos verões em outros hemisférios, há cada vez mais ondas extremas. Fico imaginando onde encontrar sombras, cada vez mais escassas. Assim como bancos públicos, sem falar das calçadas com seus  desníveis conhecidos, aqueles que a gente aprende a evitar depois de alguns tropeços. Imagine os novos. Aqueles consertos de empresas, meio mal feitos, que logo são de...

Mutações essenciais

"Nada termina jamais. Onde quer que alguém tenha plante raízes brotadas do seu eu mais puro ou verdadeiro, ali encontrará um lar".

Um livro marcado por frases, copiadas e/ou sentidas, sublinhando sentimentos afins. Assim foi a leitura de Mutações em 1975. Aos vinte e poucos anos borbulhavam sensações de insegurança e quereres que me faziam entrar nas palavras e senti-las quase como se fossem minhas. Não chegou a ser um livro de cabeceira, mas foi um livro que marcou e ao qual voltei mais algumas vezes naquela década.

Passado o tempo, ele voltou a prateleira, ficou guardado entre os demais, hibernando o seu tempo. Até que...

Vendo TV num dia qualquer, vejo a mesma Liv, diferente no rosto, uma idosa, mas a mesma nos olhos brilhantes, na maneira de menina que se recusa a morrer. E da entrevista passei a leitura mais uma vez. Três décadas depois o livro ainda me marca. Ainda sinto os quereres de antes, ainda me reencontro com aquela parte de mim que até julgava esquecida, abafada pela mulher que se obrigou a crescer. Algumas vezes mais dura do que gostaria. Mas sempre um ser mutante. Mais inteira, com menos insegurancas. Mas também com menos tempo de perspectivas...

Para onde vou..."Talvez não seja tão importante saber. Talvez não seja tão importante chegar.”

(Liv Ullmann - atriz amada de Bergman - em sua autobiografia ‘Mutações’, 1975)

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